terça-feira, 2 de junho de 2015

Por que estudar sobre a China?

Por Theodora Maria Mendes de Almeida

Sempre achei que o que mais me interessa no trabalho como educadora é aprender junto com os alunos. Não ao mesmo tempo, nem do mesmo jeito, mas ir descobrindo e se encantando com as possibilidades de cada tema de estudo.

Estudar sobre um país ou uma cultura específica amplia enormemente o conhecimento de mundo, a visão do que é diferente,  nos faz perceber e compreender as influências que sofremos mesmo sem saber.  


A China é uma das mais antigas civilizações do mundo. Nos últimos anos, notícias sobre o crescimento da China como potência mundial têm ampliado a curiosidade sobre este país: como vivem, como se organizam, quais seus valores e interesses, como fazem para manter suas tradições e conhecimentos?

Acreditamos que estudar História não é apenas conhecer e entender os caminhos trilhados pelo ser humano no passado, mas realizar uma leitura critica de nosso presente, compreendendo a forma como nossa sociedade está constituída atualmente.

A China Antiga já foi tema de estudos de muitos grupos de alunos, mas a ideia de revisitar o assunto neste ano surgiu quando assisti ao filme MADE IN CHINA, de Estevão Ciavatta e Regina Casé. Esperava ver um filme divertido, mas foi mais do que isto, pois trouxe o questionamento  sobre o reflexo da economia de um país sobre o outro, as consequências para a economia, as relações sociais e o equilíbrio de todo o planeta.


Um tema de projeto rico como este, proposto para toda a escola, proporciona a todos enorme rede de aprendizagem. Todos pesquisam, aprendem e ensinam juntos: professores, alunos e pais.


Ler os contos é uma maneira de ir entrando neste universo. Mas, não se trata só de ler e escrever sobre o tema, o que já seria importante, mas descobrir as imagens, os sabores, os pensamentos e ensinamentos profundos. Um povo que inventou tantas coisas que mudaram o rumo da história da humanidade como o papel, a bússola, a pólvora, o macarrão, dentre tantas outras coisas.

Para o estudo das Ciências Sociais, no Fundamental I trabalhamos com diferentes fontes históricas, como jornais, fotografias, livros, músicas, mapas, lendas, pinturas etc., com o propósito de ajudar os alunos a entenderem a construção da história e suas transformações. 
A intenção principal é ensinar que a História se constrói sob diferentes pontos de vista, por isso apresentamos uma diversidade de gêneros e favorecemos a interpretação de cada um. 

A exploração do mapa-múndi nos leva a pensar sobre a distância que nos separa, as dimensões deste país e a diversidade de paisagens e biomas.

A medicina, a alimentação e a filosofia do bem estar, as artes marciais, tantos temas importantes para experimentar e conhecer. O plantio do chá e o hábito cerimonial de tomar esta bebida, que aquece e traz saúde, será apresentado a todos para que sintam também o sabor da China.

 



As vivências já começaram com a experimentação do Tai Chi Chuan, no Dia das Mães, as primeiras produções artísticas e leituras.

 

Os alunos do Grupo 4 começaram suas pesquisas pelos animais e o encantador Urso Panda, comedor de bambu, despertou imenso interesse! Descobriremos juntos a enorme variedade da fauna e da flora deste imenso e diverso país. Com auxilio dos encaminhamentos das Ciências Naturais, levantaremos hipóteses e consultaremos textos informativos sobre estes animais e seus habitats.

Estamos preocupados também em fazer com que os alunos reflitam sobre as questões relacionadas ao consumo e à degradação do planeta, questionando e refletindo sobre o futuro que queremos.

Os alunos do Fundamental II e Ensino Médio começaram fazendo uma visita ao Templo Zu Lai e ouvindo uma palestra com convidados do Instituto Sidarta sobre a cultura chinesa e o mandarim.

 


Todo projeto pressupõe um produto final no qual se compartilha o que foi aprendido. Neste caso será a Exposição, evento tradicional do Colégio que acontece em setembro, quando reuniremos o resultado deste aprendizado, desde a educação infantil até o ensino médio. 

Aspectos como: descobertas, arte, medicina, alimentação, língua escrita e falada, ambiente, economia e tantos outros serão representados por todos,  cada classe conforme suas possibilidades e interesses.

Contamos com a colaboração de todos que puderem enviar materiais para o enriquecimento do tema – livros, fotografias, brinquedos, o que puder enriquecer as pesquisas.

Venha viajar conosco! 



PARA SABER MAIS:

Documentários 

- A Mariposa do Império sobre a produção de seda na China:

- O mundo segundo os brasileiros

- A cidade proibida

- A história da China

- Documentário Natgeo

Outros links


- O mundo segundo os brasileiros - Pequim

- Destino Educação 

- Receitas Chinesas

- As festas

Jogos

Para jogar on line

Arte

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Atenção e memória

Até a ciência explica por que é importante prestar atenção, fazer lição de casa e dormir bem.
Por Simone Violante

Quantas vezes já dissemos aos nossos alunos e filhos: “Como você quer aprender sem prestar atenção?” 

A atenção é a habilidade de estar focado num objeto, numa atividade, numa informação. 

Memória pode ser definida como a aquisição, conservação e evocação de informações. Faz parte do  aprendizado a aquisição de dados e as lembranças são a evocação do que foi armazenado. A  memória não é só a retenção de conhecimento, mas também é ativadora da imaginação, interpretação, reinvenção, as quais atuam sobre o que é recordado pelo indivíduo. A memória é a capacidade do ser humano em conservar e relembrar mentalmente conhecimentos, conceitos, vivências, fatos, sensações e pensamentos experimentados em tempo anterior. A memória refere-se à retenção de habilidades adquiridas ou de informação e em situações cotidianas, ou seja, está relacionada a grande parte do que aprendemos durante a vida escolar.

E o esquecimento? Ele é a falta de evocação desses dados. Nosso cérebro tem a capacidade de guardar aquilo que julga importante – por motivos diferentes: interesse, motivação, afeição, trauma etc – e deixa de lado tantas outras coisas.

Os  mecanismos pelos quais a memória é adquirida são complexos e passam por diversas etapas, além de ocorrerem em diferentes partes do cérebro.

Se houver falhas em alguma etapa, a memória fica comprometida.  Não é possível evocar uma informação se ela não foi devidamente arquivada. Para que o ser humano possa reter na memória  determinada informação, é necessário que sua atenção esteja voltada para isso. Sem atenção, não há qualquer possibilidade de guardar-se um fato e, sem guardá-lo, não há como recuperá-lo depois.

E mesmo que o cérebro seja capaz de retê-lo, sua consolidação depende de alguns fatores: a frequência da sua utilização e das alterações cerebrais que ocorrem durante o sono. O conteúdo trabalhado na escola, por exemplo, será evocado em outros momentos e a lição de casa auxilia neste processo com a retomada dos fatos e dados, sua aplicação e repetição. Além disso, a memória é consolidada quando a pessoa está dormindo. Se ela não dorme, o registro não acontece. Estudos mostram que entre os jovens as falhas frequentes do processo de memorização estão relacionadas a problemas como distúrbios do sono ou déficit de atenção – quem dorme mal ou pouco, pode mostrar-se mais irritado e com menor capacidade de concentração durante o dia, o que vai incidir diretamente na memória, com os reflexos neuronais lentos que comprometem também o raciocínio. Por isso, é importante insistir e garantir noites bem dormidas.

O uso de álcool e outras drogas psicoativas também interfere na memorização: adolescentes com dependência de álcool, por exemplo, apresentam mais dificuldade em recordar palavras e desenhos geométricos simples após um intervalo de 10 minutos, em comparação a adolescentes sem dependência alcoólica. 

O mundo eletrônico também pode interferir diretamente na atenção. Com os smartphones, a internet na palma da mão leva os alunos a desviarem a atenção para jogos, troca de mensagens, postagens em redes sociais nas horas “mais erradas” – a tentação de usar o celular durante as aulas e à noite, antes de dormir, podendo invadir a madrugada.

A saúde do cérebro depende de uma série de atividades e ações. Para uma memória saudável e eficaz é preciso começar a treinar desde cedo através dos jogos de atenção e memorização, oficinas,  leituras etc. E não basta apenas ler, é preciso também dialogar, expor opiniões, pois, durante a atividade argumentativa, o cérebro é requisitado para opinar e replicar. Assim, a argumentação é fundamental para a memória. 

Algumas dicas para ajudar pais e alunos a manterem o foco! 

• Criar uma rotina de sono – estabelecer um horário limite para dormir e acordar é uma das melhores maneiras de espantar a sonolência da manhã. As crianças necessitam entre 9 e 10 horas de sono ininterrupto. Os adolescentes precisam dormir de 8 a 9 horas e meia  por noite;



• Escolher o alimento certo na hora certa – nunca sair de casa sem café da manhã e não ingerir alimentos estimulantes antes de dormir, como chocolate e cafeína;


•  Antes de dormir, manter os aparelhos eletrônicos (computador, smartphone, videogame, TV) desligados;
•  Organizar a rotina para os estudos em casa como horário e local para fazer a lição;
•  Estimular a atividade mental com hobbies e leituras;
•  Fazer intervalos frequentes entre as atividades para garantir melhor nível de concentração.

Para saber mais:


quarta-feira, 20 de maio de 2015

Brincando em serviço

Uma reflexão sobre brincar e jogar na hora do recreio livre
Por Thiago Ferreira

Toda cultura tem seus códigos – o conjunto de leis, os rituais que marcam as fases da vida, os protocolos sociais, os sistemas de ensino, a organização do trabalho e as linguagens. Nessa diversidade, os jogos e as brincadeiras estão presentes em todas as culturas, nos mais diferentes períodos históricos. Conhecer os jogos e brincadeiras é apropriar-se de cultura e esse ciclo é mantido por uma demanda de identidade, como explica o professor Marcos Garcia Neira em “ O ensino das práticas corporais na escola”:

É por meio de suas produções que as pessoas estabelecem uma relação comunicativa com a sociedade. Isso implica o entendimento dos artefatos culturais como textos passíveis de leitura e significação. Assim, as práticas corporais podem ser compreendidas como meios de comunicação com o mundo, constituintes e construtoras de cultura. 

Um simples gesto é capaz de passar uma informação, um corpo pode ampliá-la e um grupo é capaz de produzir um texto. Pensando por esse prisma fica mais fácil entender a educação estar incluída na área de linguagens. Nosso país tem suas regionalidades nas brincadeiras e jogos e, com uma observação simples, é possível perceber neles uma série de aspectos culturais.

Segue um link com diversas práticas de jogos e brincadeiras no Brasil: 
Clique aqui e assista também ao primeiro trailer do filme de Renata Meirelles (ex-aluna do Colégio) sobre as brincadeiras. 

Escola também é lugar de brincar e jogar; aqui no colégio dedicamos um olhar especial para garantir a qualidade das relações, o uso do espaço coletivo e facilitar as práticas quando necessário.

 
É bastante comum o grupo de alunos escolher brincadeiras que aprenderam na escola, caracterizando a apropriação da troca de informações; como exemplo, podemos citar as variações do jogo de queimada ou as diferentes maneiras de brincar de pega-pega. A hora do recreio faz um convite ao mundo do jogo e da brincadeira. Brincar é seguir combinados, colaborar e fazer da diversão o objetivo final. A definição do brincar é ter um fim em si mesmo e, nesses momentos, a integração está garantida.

Observar o recreio, o grupo, o que fazem e como fazem, é uma janela aberta para o entendimento de como são adquiridos nossos códigos sociais e como se apropriam
da cultura e a modificam. Nos jogos, dentre um vasto repertório possível, o futebol, por vários motivos, tem sido o escolhido. O futebol só fica entediante se houver desequilíbrio nas partidas, um time muito mais forte, por exemplo. Não é o que acontece; ainda que a quadra esteja cheia,  com muitos integrantes nos times, quem participa já domina o conjunto de regras e são feitos combinados do tipo “5 minutos ou 2 gols”.

 

As brincadeiras de perseguição, como pega-pega e rouba bandeira, têm seu lugar garantido, e chamo a atenção para um ponto interessante: os jogos e brincadeiras com caráter colaborativo também estão presentes, seja numa roda de embaixadinhas, seja em arremessar e receber bola de futebol americano, as crianças experimentam as opções e desenvolvem suas preferências.

 

Jogos coletivos competitivos (incluindo o pebolim), brincadeiras de perseguição (também competitivas), e brincadeiras colaborativas não são os únicos formatos; cito ainda mais dois, as brincadeiras de sorte e as de vertigem.

 

Começo com as de vertigem, aquelas que deixam adultos de cabelo em pé, como pular de dois ou mais degraus, virar estrela e cair na ponte (posição de yoga); todo conjunto de desafios corporais  são importantes, pois ajudam a superar os próprios medos.

 

Já as brincadeiras de sorte são incríveis, não fazendo diferença a habilidade, velocidade ou qualquer vantagem, pois basta conhecer as regras e, quem não as conhece, rapidamente pode participar como “café com leite”. Essas brincadeiras de sorte aparecem, dentre outros espaços, na sala de jogos, durante os recreios em dias chuvosos.

 

Observamos também os grupos que jogam online: é a turma do Minecraft. Eles adoram a possibilidade do desafio e de reconhecer os amigos na tela do tablet, criam e solucionam problemas entre si, na mesma plataforma. Ver essa roda de jogo explica o avanço da internet, das redes sociais e das opções que temos disponíveis graças ao avanço da tecnologia, um recorte que ilustra bem nossa organização social.


O universo de jogos e brincadeiras é apaixonante e olhar para isso com um “zoom” de cultura corporal acrescenta boas informações sobre nossa cultura e possibilita conhecer práticas novas. Questões importantes, valorizadas e realizadas aqui no colégio, pois sabemos que brincar é coisa séria!

Para quem se animou e quer conhecer uma brincadeira nova, deixamos um site para lembrar, conhecer e colocar em prática: http://mapadobrincar.folha.com.br/

REFERÊNCIAS

NEIRA, M. G. O ensino das práticas corporais na escola. In: Práticas corporais: brincadeiras, danças, lutas, esportes e ginásticas. São Paulo: Melhoramentos, 2014. p. 15-22.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Meu caderno de desenho: um espaço de liberdade

Por Tânia Vasone

O caderno de desenho... Este é um dos meus assuntos preferidos. Primeiro, porque sempre adorei desenhar, pois é como consigo me expressar com mais facilidade. Depois, porque o desenho das crianças é encantador, suas ideias, seus ínfimos detalhes, suas cores e, principalmente, o contraponto entre a complexidade e a simplicidade.

A escola sempre teve uma grande preocupação com a linguagem do desenho mas, antes, este era feito em folhas arquivadas em pastas.  A ideia do caderno, a partir do 2º ano, veio para dar maior importância à produção das crianças, ao desenho autoral, à criação sem temas ou técnicas, como os artistas que estudamos, que tinham um caderno de desenho para registros e experimentações de suas obras, como Leonardo Da Vinci, Frida Kahlo e Leonilson, entre tantos outros.

 

Este caderno tem um formato diferenciado, em um tamanho que permite que os alunos possam levá-lo para registrar suas ideias, pensamentos, gostos, formas e emoções.


Temos um horário na semana no qual eles se dedicam ao caderno, em classe, quando compartilham ideias e, muitas vezes, criam desenhos coletivos.


No 3º ano, a professora Débora relatou: “Essa turma adora fazer desenhos coletivos! Normalmente fazem em duplas e os desenhos "se completam" no caderno de cada um. Desta vez, após apresentar o jogo dos astecas e ter conversado um pouco sobre o local onde essa civilização morava, eles me perguntaram se era parecido com a floresta amazônica. Eu disse que era um local com muita vegetação, com espécies diferentes de plantas. Logo em seguida, era o horário do caderno de desenho. O desenho começou com um trio (Pedro, Miguel e Olívia), em seguida as outras crianças se interessaram pelo "desenho super coletivo". Eles se organizaram, pois a floresta tinha que ter muitas árvores, mas não podia ser tudo igual! E, assim, construíram a "floresta"!  Adorei o resultado! Mas adorei ainda mais o processo de criação!

Os alunos podem ainda levar o caderno para casa e fazer um desenho especial, bem caprichado com mais tempo. No retorno, sempre fazem questão de me mostrar, orgulhosos do resultado estético. 

Ao longo do ano, acompanhamos a produção nos cadernos e pontuamos com os alunos as melhores soluções e conversamos sobre os temas e as preferências – estes são momentos de muita troca e aprendizado. Vemos aparecer no caderno as novas técnicas que aprenderam, temas de projetos e assuntos que os encantam em livros ou filmes. Nosso intuito é que eles mantenham por mais tempo este desejo de criar, que registrem suas experiências estéticas e experimentações em arte.

Este caderno é um espaço de liberdade, onde a criança pode registrar, sem interferências, o que desejar. Um lugar para sonhar: ser o personagem favorito, lembrar de um lugar feliz, uma viagem, uma praia, representar seu “melhor” amigo, jogar, inventar monstros e heróis, lutar e ganhar a batalha, enfim, um lugar muito especial para cada um.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Comemorar ou não o Dia das Mães e o Dia dos Pais na escola?

Um retrato da mudança dos tempos e da sociedade.

Nos últimos anos, este debate tem ganhado força na sociedade e no meio educacional, dividindo opiniões. É bem verdade que as datas foram criadas pelo comércio, que muitas vezes vêm carregadas de estereótipos que não cabem mais e pieguice. Aqui no Colégio, acreditamos que podemos dar outra conotação a datas como estas.  A de reconhecimento, de memória afetiva e de reflexão sobre os papéis e as novas configurações familiares. 

A sociedade mudou, os tempos mudaram, o olhar sobre o outro também mudou, as famílias mudaram. Entretanto, o que não mudou foi a importância e a emoção marcante de momentos de afeto e cumplicidade entre mães ou pais e seus filhos.

E como não guardar naquela pasta ou caixa de guardados aqueles cartões ou desenhos feitos pelas crianças? Olhar para eles é voltar no tempo.

O site da Educar para Crescer, parceira de nossa escola, traz boas dicas sobre como conduzir com as crianças as comemorações do Dia das Mães – o mesmo valendo, é claro,  para o Dia dos Pais.

“Além de tratar a questão com cautela, a escola deve tomar cuidado para não transformar o Dia das Mães em uma comemoração sem qualquer significado. É preciso mostrar para as crianças que as mães são importantes sempre, e não apenas nessa data específica, que atualmente está muito ligada ao comércio.
(...) A família do século 21 não é a mesma de algumas décadas atrás. Há casais separados, pais que estão no segundo, terceiro, quarto casamento, madrastas e padrastos que são tão queridos quanto mães e pais biológicos... Por isso, trazer a família para a escola nessa data é também uma forma de fazer uma reflexão sobre essas mudanças. "Além da homenagem, que emociona muitas mães, esse poderá ser um bom momento para aproximar os pais da escola e mostrar-lhes o trabalho desenvolvido com seus filhos. “Ainda leva a refletir sobre as diferentes estruturas familiares, valorização da família e da vida”, pondera a psicóloga educacional Rosângela Cabrera.”

Neste Dia das Mães, gostaríamos de homenagear, além de todas as mães de nossos alunos, também, uma mãe em especial. No último dia 29 de abril, a fundadora da escola Patrícia Helena Mendes de Almeida teria completado 80 anos. Falecida há dez anos, seu espírito e seus ideais continuam a inspirar nosso trabalho diário. 

Patrícia sempre defendeu que se comemorasse o Dia das Mães na escola, não como uma data meramente comercial, mas como um momento de convivência da comunidade escolar, de compartilhar experiências, do fazer coletivo e do brincar entre mães e filhos. 

Foram diversas experiências incríveis e emocionantes ao longo de todos estes 50 anos de existência de nossa escola. As comemorações e escolhas das atividades e representações das mães e seus papéis pelos alunos refletiram as mudanças de comportamento e padrões de cada época. A escola foi fundada em meados dos anos 60 – em 1966 – marco das profundas mudanças no papel da mulher na sociedade. 

Falar sobre Patrícia é lembrar que em toda grande obra existe um idealizador que acreditou, trabalhou e lutou contra as adversidades. Como todas as mães, queria que seus filhos tivessem uma experiência escolar que fosse ao mesmo tempo acolhedora e desafiadora. Assim, foi a mãe e professora Patrícia que, acreditando no valor da educação, criou as escolas Bola de Neve e o Colégio Hugo Sarmento. Dela nos lembraremos não só pela enorme capacidade idealizadora, pela tenacidade e perseverança, como também e principalmente pela audácia de promover um ensino inovador e de extrema qualidade. Nos inspiramos também, diariamente, em seu amor pelos livros e pelo conhecimento.

No ano que vem completaremos 50 anos de existência, é bom refletirmos sobre o passado, lembrarmos bons momentos vividos e discutirmos nosso futuro. 

Desejamos a todas as mães – sejam elas naturais, madrastas ou adotivas – que este dia seja repleto de carinho, de reflexão e de aproximação com seus filhos. 
Patrícia com seus filhos Tica e João, atuais diretores.  

quarta-feira, 29 de abril de 2015

A prática da leitura nas aulas de Inglês

Professora Andrea Baranski

Ler está totalmente relacionado à vida do estudante, pois é uma das habilidades indispensáveis para adquirir conhecimentos, organizar pensamentos, ampliar o vocabulário. Não significa, entretanto, que a leitura se faz apenas ao se decodificar símbolos, mas sim, ao se interpretar e compreender o que se lê, pois é por meio da leitura que podemos entender o mundo à nossa volta. 

A leitura é um processo interativo, que engloba o conhecimento linguístico e conhecimentos textuais. O conhecimento linguístico corresponde ao vocabulário, às regras da língua e o seu uso, e o conhecimento textual é a experiência que cada leitor possui em relação ao que será lido, ou seja, é um conhecimento prévio relacionado à experiência de cada indivíduo.

Ler é realmente fascinante, é desvendar segredos, é estimular pensamentos, é transformar ideias, por isso, não se deve esquecer que a leitura não é uma prática neutra, pois entre o leitor e o texto estão envolvidas questões culturais, políticas, históricas e sociais. Como toda leitura é uma construção de sentidos, as crianças procuram construir sentido para o mundo que as rodeia, e, assim, passam a perceber relações de afeto, manifestar preferências e rejeições. Assim, antes de se tornar leitor de palavras, a criança já vivenciou diversas leituras de mundo. 

O ato de ler, mesmo com toda a tecnologia colocada ao alcance do ser humano hoje, é uma prática indispensável em qualquer meio e constitui um dos fatores essenciais para aquisição do conhecimento. Usar diferentes métodos para ensinar a ler faz com que os alunos tenham mais interesse na leitura, internalizem o conhecimento no decorrer do curso, se sintam mais estimulados e entusiasmados a aprender.

Desta forma, a preocupação com a leitura não se restringe somente aos professores de português, mas a todos, de todas as áreas, devendo se voltar para a construção de futuros leitores competentes, trabalhando de modo interdisciplinar as áreas do conhecimento, estimulando o aluno a ser sujeito do seu próprio aprendizado.

Nosso Colégio estimula a leitura de livros de qualidade em diferentes situações de aprendizagem na escola e, é claro, esperamos que este interesse e gosto pela leitura sejam um alicerce para a vida do aluno em todas as demais situações, dentro e fora da escola.

Mas, e para ler textos em inglês?

É importante mostrar ao aluno que não é necessário saber a tradução de todas as palavras, ou mesmo saber tudo em inglês, para poder compreender os textos.

Neste ano, solicitamos aos alunos do Fundamenta1 a leitura de livros paradidáticos em inglês selecionados para ampliar suas experiências de leitura em outra língua. 

Para o 2º e o 3º ano, selecionamos textos já conhecidos em português, o que ajudará a não ter que desvendar a narrativa, mas tentar buscar o significado das palavras dentro do contexto.

                          2º ano                                              3º ano
 

Para o 4º ano, o texto tem uma estrutura semelhante aos textos informativos que já conhecem bastante e o apoio das imagens e legendas colaboram para a compreensão. Para o 5º ano, o contexto da cidade de Nova York estimula a curiosidade e o interesse para desvendar a leitura e a relacionar o que os alunos já sabem aos novos conhecimentos.

                               4º ano                                        5º ano
  

Pensamos em algumas estratégias que auxiliarão na leitura:

•  O aluno aprenderá que na Língua Inglesa há palavras que se parecem com as do português, podendo ou não ter o mesmo sentido nas duas línguas (cognatos e falsos cognatos);

•  O aluno desenvolverá a compreensão de que a organização de um texto é parte integrante de seu significado;

•  Desenvolverá habilidades de leitura referentes ao uso da inferência, ao praticar a combinação de conhecimentos prévios acerca de determinado assunto com pistas encontradas no texto, para chegar a conclusões lógicas;

•  Conhecerá e utilizará a estratégia de leitura “skimming”, que consiste em extrair o sentido geral de um texto em Língua Inglesa e “scanning”, que consiste em extrair informações específicas.

Além destes livros, nossos alunos levaram para casa uma lista com diversos livros apropriados para sua faixa etária e disponíveis nas livrarias.

Boa leitura a todos! Enjoy it!

quarta-feira, 22 de abril de 2015

A leitura e a descoberta dos clássicos

Profª Maria Isabel de Oliveira Salles

O desenvolvimento de diferentes práticas de leitura na escola é algo que tem assumido cada vez mais importância em nosso cotidiano. Essas práticas de leitura incluem, desde as séries iniciais do Ensino Fundamental, o contato com os diferentes gêneros textuais, tanto os que fazem parte da esfera literária quanto os considerados não literários. 

Mas como garantir que as leituras literárias realizadas pelos alunos, especialmente no caso dos que já estão no segundo ciclo do ensino fundamental, sejam significativas e que contribuam para sua formação crítica? É aqui que o papel do professor se torna fundamental: na escolha e indicações de leituras que serão desenvolvidas na escola.

Aqui no Colégio são selecionados, para todos os alunos do fundamental 2, livros para leitura extraclasse escolhidos com base em critérios como a qualidade do texto, a importância dos autores e a variedade de gêneros textuais. Para este ano, alguns dos livros que serão explorados ao longo do ano são nossos velhos conhecidos, que provavelmente lemos também ao longo de nossa vida escolar:

“O Mistério do 5 Estrelas”, de Marcos Rey, lido pelo 7º ano, que já é um clássico da nossa literatura infanto-juvenil;

“O Cão dos Baskervilles”, de Sir Arthur Conan Doyle, lido pelo 8º ano, obra que é leitura obrigatória para explorar a narrativa de enigma; 

“Venha ver o pôr do sol e outros contos”, de Lygia Fagundes Telles, indicado para o 9º ano, em que as narrativas exploram com delicadeza elementos fantásticos e dramas humanos, só para citar alguns.

Outros talvez sejam menos conhecidos, mas trazem uma riqueza de interpretação muito grande, como por exemplo Doze Reis e a Moça no Labirinto do Vento, de Marina Colasanti, lido em março pelos alunos do 6º ano. Esse é um livro que atualiza elementos dos contos de fadas tradicionais, apresentando narrativas com finais inusitados.

Nosso trabalho com os livros segue caminhos diferentes, dependendo do tipo de leitura proposto a cada mês e da necessidade de cada turma. Para garantir a leitura, é combinada uma data para a realização de uma avaliação de verificação de leitura, mas podemos começar o trabalho em cada momento de diferentes formas: com questões de antecipação antes da leitura, pesquisa sobre autores, exploração dos elementos do gênero textual em questão, direcionamento da leitura por meio da elaboração de trabalho sobre o livro, etc. Após a realização da prova, as obras são retomadas em momentos de discussão em sala, para exploração da capacidade de ouvir e expressar sua opinião e defender oralmente seu ponto de vista. 

Cabe ao professor direcionar o olhar dos alunos para a leitura dos clássicos, aquelas obras fundamentais para a formação de todo leitor, o que não depende da idade, mas deve, sim, começar desde cedo. 

A respeito do papel e importância dessas leituras, a autora Ana Maria Machado escreve: “Ou então pode-se imaginar alguém que deseja muito melhorar de vida e tem na sala uma arca cheia de tesouros que avós e pais lhe deixaram. Mata-se de trabalhar, mas nunca supôs que aquele baú fosse mais do que uma caixa vazia. Jamais teve o impulso de arrombá-lo ou a curiosidade de procurar uma chave que o abrisse. Todo aquele patrimônio ali, pertinho, ao seu alcance, não lhe serve para nada. Um monumento à inutilidade.
De alguma forma, toda a humanidade passa por riscos semelhantes. Temos de herança o imenso patrimônio de leitura de obras valiosíssimas que vêm se acumulando pelos séculos afora. Mas muitas vezes nem desconfiamos disso e nem nos interessamos pela possibilidade de abri-las, ao menos para ver o que há lá dentro. É uma pena e um desperdício”. (Como e por que ler os clássicos universais desde cedo) 

Esperamos que as propostas de leitura desenvolvidas no ensino fundamental 2 auxiliem nossos alunos a  aprofundar essas experiências! 

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Quem canta seus males espanta - Mais uma edição comemorativa

Por Theodora Maria Mendes de Almeida – Diretora Pedagógica

Reunir o repertório de músicas e parlendas que faziam parte do nosso dia a dia na escola em um livro/ CD foi a forma que encontrei para registrar e valorizar ainda mais este patrimônio que faz parte de nossa cultura.

A maioria destas cantigas é acompanhada de movimentos e formas de brincar que, assim como as letras, variam segundo cada lugar deste nosso imenso país.  Foram trazidas por outros povos, como os portugueses, os africanos e tantos outros, sendo incorporadas e transmitidas a cada nova geração.

Cantar, dançar e desenhar já fazia parte da rotina de atividades das crianças na escola, o que dava a elas muito prazer, além de favorecer a ampliação de seus conhecimentos.

Escolhemos as ilustrações mais representativas de cada aluno, valorizando sua colaboração e sua percepção sobre o conteúdo das músicas e parlendas.
As gravações em um estúdio de verdade proporcionaram a todos uma experiência interessante e estimulante, além da compreensão de que a participação de cada um ficaria gravada não só na memória.

Para realizar este trabalho, procurei a parceria da Editora Caramelo, que se empenhou em produzir um livro de qualidade e garantir sua distribuição.  Assim, poderíamos compartilhar tudo isto com mais pessoas.
Em agosto de 1998, o livro/CD ficou pronto e fizemos uma grande festa para o lançamento.


O resultado foi, para todos nós, motivo de muito orgulho e satisfação, certos de que havíamos produzido algo importante.

Depois disso, fui me surpreendendo a cada dia com as manifestações de carinho de pessoas conhecidas e desconhecidas que, através de  cartas, e-mails e telefonemas, manifestaram seu encanto: professores, educadores, fonoaudiólogos, pessoas que realizam trabalhos importantes com crianças no nosso país, ou simplesmente pais, avós, tios, que se lembraram de momentos de sua vida de criança.  
Fomos presenteados com uma crônica, no jornal O Estado de São Paulo, do escritor Ignácio de Loyola Brandão, que mesmo sem nos conhecer compreendeu o valor de nossa proposta.

 

Em 2008 comemoramos os 10 anos de sucesso do volume 1 e em 2013  ganhamos um selo comemorativo.


Embora o número de músicas e parlendas tivesse sido grande, muitas outras ficaram de fora, pois há ainda um vasto repertório a ser explorado.  Todas estas pessoas começaram a nos sugerir uma segunda seleção, um segundo volume.

Começamos, então, a reunir outras tantas, incluindo agora também trava-línguas e adivinhas, tão instigantes e atraentes para as crianças.


Terminamos a escolha do repertório e das ilustrações das crianças em junho de 2000 e iniciamos em agosto as gravações no estúdio.  Para alguns de nossos alunos, era uma experiência já conhecida e, para outros, foi uma novidade cheia de expectativas.

Contamos  com a colaboração de alguns pais-músicos que gentilmente se ofereceram para participar, o que sem dúvida contribuiu para aumentar a qualidade e o prazer em ouvir.


Agradecemos a todos os que participaram: aos nossos alunos, que são a razão de nosso empenho, aos professores, que fizeram tudo acontecer, e aos pais, que confiaram em nosso trabalho e permitiram que seus filhos fizessem parte dele.

Para completar esta publicação, pedi a  Ignácio de Loyola Brandão que fizesse o prefácio e ele nos presenteou com mais um lindo texto:

O  resgate da magia

“Não existiam videogames, brinquedos comandados por controles remotos, nem sequer se cogitava na imensa parafernália eletrônica que a criançada tem hoje à disposição.  Pensar que uma bola de futebol de couro verdadeiro (capotão, dizia-se) era inacessível.  As lojas de brinquedos, se vistas hoje, pareceriam negócios em liquidação, em vias de fechar as portas, tão poucas as variedades.  Não reclamo, não tenho saudades, não critico.  Constato.  Cada época é sua época.  Hoje existem muitas opções, porém menos tempo para usufruir tudo, o que acirra a necessidade imediata de decisões.  Em outras épocas, o brinquedo ganho era o único que se teria por longo tempo, portanto era brincando até o desgaste total ou eventual troca.

Nesse mundo, a imaginação encontrou campo fértil.  Brincadeiras tinham de ser inventadas, criadas na hora, muitos jogos nasceram nas ruas em momentos de inspiração.  Para alimentar esses jogos existiam as cantigas de roda, os trava-línguas e as adivinhações.  De contrapeso as parlendas.  A agilidade mental era requerida, o raciocínio exigido.  Gerações cresceram respondendo perguntas do tipo: “ o que é, o que é/ uma caixinha de bom parecer/ que nenhum carpinteiro pode fazer?”  A primeira vez que ouvi, não entendi o que significava bom parecer.  Hoje, a frase seria: uma caixinha com um belo design e a resposta é amendoim.  O que cai em pé e corre deitado?  A chuva.  O que só pode ser usado se for quebrado?  O ovo.

Cada geração teve seus clássicos nas adivinhações e cantigas.  Algumas permanecem eternas.  O que me intriga, tanto quanto me intrigam as anedotas, é a questão da criação.  Quem, em que momento, senta-se e desenvolve uma piada, uma canção simples, uma adivinhação, um trava-língua?   Desenvolve pelo prazer que a criação traz, porque sabe que ela será anônima, de domínio público, não renderá direitos autorais.  É criação pura, em seu estado mais límpido, nascida de uma necessidade interior.

Cantigas, parlendas e adivinhações exigem extrema síntese e uma estrutura que encerra em si a intriga de um romance policial.  Em quatro linhas você obriga a pensar, a colocar os neurônios em atividade, a comparar.  Sabe que existe ali uma pegadinha (para usar um termo moderno)  e que a resposta óbvia não é a resposta certa.

Gênios anônimos por décadas (ou séculos) colocaram em campo uma produção extensa, divertida, o que nos divertiu.  E tudo estaria a se perder porque somos um país com pouca memória e um interesse menor ainda por ela, se as pessoas como Theodora Maria Mendes de Almeida não se colocassem em campo para recuperar tesouros (palavra antiga).  Este é o segundo volume de uma série que pode ser infindável e deve ser mantida até o momento em que se diga: não existe mais nada para ser recuperado.  No entanto, engana-se quem pensa que essa criação desapareceu.  Ela prossegue, talvez com menos intensidade, mas está viva, ainda que as crianças, nas noites de verão, não se reúnam mais na calçada para brincar de dar um tapa na bunda e ir se esconder, de atravessar a rua num pé só, de dançar a roda ao som de senhora Dona Sanja, de um homem bateu em minha porta, de Maria, sacode a saia, de tique-taque, carambola, este dentro, este fora.

No entanto, alguma coisa boa acontece.  Dei o primeiro volume desta coleção para duas sobrinhas de quatro anos e os CDs foram tocados à exaustão, para desespero das mães.  Desespero e alegria, porque eram coisas “do tempo delas”, renascidas nas filhas.  E os livros estão guardados para quando elas souberem ler.  As meninas crescem e cantam as músicas, elas se incorporam aos repertórios.  Quer dizer, a magia continua.  Felizmente pode continuar graças ao trabalho de Theodora.  Quero dizer, ainda, que não podemos, nem devemos, pensar nas crianças e adolescentes como uma geração tecnocrata, automatizada, eletronizada.  Fosse assim, por que o sucesso mundial, sem precedentes, de Harry Potter?  Porque lida com a magia e essa está dentro do ser humano.  E as criações populares resgatadas neste livro são pura magia, diversão.  Portanto, livro para ser adotado em escolas para ajudar as cabeças.  Livro de currículo, de adoção.  E sendo adotado, seria dos poucos lidos e ouvidos não por obrigação e sim por prazer.”


Este ano comemoraremos os 15 anos de lançamento do livro 2 na nossa LIVROMANIA.

Vivian Catenacci e Adriano Nunes farão uma apresentação especial do repertório  – voz, violão e percussão. 

LIVROMANIA – 25 DE ABRIL DE 2015
DAS 13h30 ÀS 18h