quarta-feira, 22 de abril de 2015

A leitura e a descoberta dos clássicos

Profª Maria Isabel de Oliveira Salles

O desenvolvimento de diferentes práticas de leitura na escola é algo que tem assumido cada vez mais importância em nosso cotidiano. Essas práticas de leitura incluem, desde as séries iniciais do Ensino Fundamental, o contato com os diferentes gêneros textuais, tanto os que fazem parte da esfera literária quanto os considerados não literários. 

Mas como garantir que as leituras literárias realizadas pelos alunos, especialmente no caso dos que já estão no segundo ciclo do ensino fundamental, sejam significativas e que contribuam para sua formação crítica? É aqui que o papel do professor se torna fundamental: na escolha e indicações de leituras que serão desenvolvidas na escola.

Aqui no Colégio são selecionados, para todos os alunos do fundamental 2, livros para leitura extraclasse escolhidos com base em critérios como a qualidade do texto, a importância dos autores e a variedade de gêneros textuais. Para este ano, alguns dos livros que serão explorados ao longo do ano são nossos velhos conhecidos, que provavelmente lemos também ao longo de nossa vida escolar:

“O Mistério do 5 Estrelas”, de Marcos Rey, lido pelo 7º ano, que já é um clássico da nossa literatura infanto-juvenil;

“O Cão dos Baskervilles”, de Sir Arthur Conan Doyle, lido pelo 8º ano, obra que é leitura obrigatória para explorar a narrativa de enigma; 

“Venha ver o pôr do sol e outros contos”, de Lygia Fagundes Telles, indicado para o 9º ano, em que as narrativas exploram com delicadeza elementos fantásticos e dramas humanos, só para citar alguns.

Outros talvez sejam menos conhecidos, mas trazem uma riqueza de interpretação muito grande, como por exemplo Doze Reis e a Moça no Labirinto do Vento, de Marina Colasanti, lido em março pelos alunos do 6º ano. Esse é um livro que atualiza elementos dos contos de fadas tradicionais, apresentando narrativas com finais inusitados.

Nosso trabalho com os livros segue caminhos diferentes, dependendo do tipo de leitura proposto a cada mês e da necessidade de cada turma. Para garantir a leitura, é combinada uma data para a realização de uma avaliação de verificação de leitura, mas podemos começar o trabalho em cada momento de diferentes formas: com questões de antecipação antes da leitura, pesquisa sobre autores, exploração dos elementos do gênero textual em questão, direcionamento da leitura por meio da elaboração de trabalho sobre o livro, etc. Após a realização da prova, as obras são retomadas em momentos de discussão em sala, para exploração da capacidade de ouvir e expressar sua opinião e defender oralmente seu ponto de vista. 

Cabe ao professor direcionar o olhar dos alunos para a leitura dos clássicos, aquelas obras fundamentais para a formação de todo leitor, o que não depende da idade, mas deve, sim, começar desde cedo. 

A respeito do papel e importância dessas leituras, a autora Ana Maria Machado escreve: “Ou então pode-se imaginar alguém que deseja muito melhorar de vida e tem na sala uma arca cheia de tesouros que avós e pais lhe deixaram. Mata-se de trabalhar, mas nunca supôs que aquele baú fosse mais do que uma caixa vazia. Jamais teve o impulso de arrombá-lo ou a curiosidade de procurar uma chave que o abrisse. Todo aquele patrimônio ali, pertinho, ao seu alcance, não lhe serve para nada. Um monumento à inutilidade.
De alguma forma, toda a humanidade passa por riscos semelhantes. Temos de herança o imenso patrimônio de leitura de obras valiosíssimas que vêm se acumulando pelos séculos afora. Mas muitas vezes nem desconfiamos disso e nem nos interessamos pela possibilidade de abri-las, ao menos para ver o que há lá dentro. É uma pena e um desperdício”. (Como e por que ler os clássicos universais desde cedo) 

Esperamos que as propostas de leitura desenvolvidas no ensino fundamental 2 auxiliem nossos alunos a  aprofundar essas experiências! 

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Quem canta seus males espanta - Mais uma edição comemorativa

Por Theodora Maria Mendes de Almeida – Diretora Pedagógica

Reunir o repertório de músicas e parlendas que faziam parte do nosso dia a dia na escola em um livro/ CD foi a forma que encontrei para registrar e valorizar ainda mais este patrimônio que faz parte de nossa cultura.

A maioria destas cantigas é acompanhada de movimentos e formas de brincar que, assim como as letras, variam segundo cada lugar deste nosso imenso país.  Foram trazidas por outros povos, como os portugueses, os africanos e tantos outros, sendo incorporadas e transmitidas a cada nova geração.

Cantar, dançar e desenhar já fazia parte da rotina de atividades das crianças na escola, o que dava a elas muito prazer, além de favorecer a ampliação de seus conhecimentos.

Escolhemos as ilustrações mais representativas de cada aluno, valorizando sua colaboração e sua percepção sobre o conteúdo das músicas e parlendas.
As gravações em um estúdio de verdade proporcionaram a todos uma experiência interessante e estimulante, além da compreensão de que a participação de cada um ficaria gravada não só na memória.

Para realizar este trabalho, procurei a parceria da Editora Caramelo, que se empenhou em produzir um livro de qualidade e garantir sua distribuição.  Assim, poderíamos compartilhar tudo isto com mais pessoas.
Em agosto de 1998, o livro/CD ficou pronto e fizemos uma grande festa para o lançamento.


O resultado foi, para todos nós, motivo de muito orgulho e satisfação, certos de que havíamos produzido algo importante.

Depois disso, fui me surpreendendo a cada dia com as manifestações de carinho de pessoas conhecidas e desconhecidas que, através de  cartas, e-mails e telefonemas, manifestaram seu encanto: professores, educadores, fonoaudiólogos, pessoas que realizam trabalhos importantes com crianças no nosso país, ou simplesmente pais, avós, tios, que se lembraram de momentos de sua vida de criança.  
Fomos presenteados com uma crônica, no jornal O Estado de São Paulo, do escritor Ignácio de Loyola Brandão, que mesmo sem nos conhecer compreendeu o valor de nossa proposta.

 

Em 2008 comemoramos os 10 anos de sucesso do volume 1 e em 2013  ganhamos um selo comemorativo.


Embora o número de músicas e parlendas tivesse sido grande, muitas outras ficaram de fora, pois há ainda um vasto repertório a ser explorado.  Todas estas pessoas começaram a nos sugerir uma segunda seleção, um segundo volume.

Começamos, então, a reunir outras tantas, incluindo agora também trava-línguas e adivinhas, tão instigantes e atraentes para as crianças.


Terminamos a escolha do repertório e das ilustrações das crianças em junho de 2000 e iniciamos em agosto as gravações no estúdio.  Para alguns de nossos alunos, era uma experiência já conhecida e, para outros, foi uma novidade cheia de expectativas.

Contamos  com a colaboração de alguns pais-músicos que gentilmente se ofereceram para participar, o que sem dúvida contribuiu para aumentar a qualidade e o prazer em ouvir.


Agradecemos a todos os que participaram: aos nossos alunos, que são a razão de nosso empenho, aos professores, que fizeram tudo acontecer, e aos pais, que confiaram em nosso trabalho e permitiram que seus filhos fizessem parte dele.

Para completar esta publicação, pedi a  Ignácio de Loyola Brandão que fizesse o prefácio e ele nos presenteou com mais um lindo texto:

O  resgate da magia

“Não existiam videogames, brinquedos comandados por controles remotos, nem sequer se cogitava na imensa parafernália eletrônica que a criançada tem hoje à disposição.  Pensar que uma bola de futebol de couro verdadeiro (capotão, dizia-se) era inacessível.  As lojas de brinquedos, se vistas hoje, pareceriam negócios em liquidação, em vias de fechar as portas, tão poucas as variedades.  Não reclamo, não tenho saudades, não critico.  Constato.  Cada época é sua época.  Hoje existem muitas opções, porém menos tempo para usufruir tudo, o que acirra a necessidade imediata de decisões.  Em outras épocas, o brinquedo ganho era o único que se teria por longo tempo, portanto era brincando até o desgaste total ou eventual troca.

Nesse mundo, a imaginação encontrou campo fértil.  Brincadeiras tinham de ser inventadas, criadas na hora, muitos jogos nasceram nas ruas em momentos de inspiração.  Para alimentar esses jogos existiam as cantigas de roda, os trava-línguas e as adivinhações.  De contrapeso as parlendas.  A agilidade mental era requerida, o raciocínio exigido.  Gerações cresceram respondendo perguntas do tipo: “ o que é, o que é/ uma caixinha de bom parecer/ que nenhum carpinteiro pode fazer?”  A primeira vez que ouvi, não entendi o que significava bom parecer.  Hoje, a frase seria: uma caixinha com um belo design e a resposta é amendoim.  O que cai em pé e corre deitado?  A chuva.  O que só pode ser usado se for quebrado?  O ovo.

Cada geração teve seus clássicos nas adivinhações e cantigas.  Algumas permanecem eternas.  O que me intriga, tanto quanto me intrigam as anedotas, é a questão da criação.  Quem, em que momento, senta-se e desenvolve uma piada, uma canção simples, uma adivinhação, um trava-língua?   Desenvolve pelo prazer que a criação traz, porque sabe que ela será anônima, de domínio público, não renderá direitos autorais.  É criação pura, em seu estado mais límpido, nascida de uma necessidade interior.

Cantigas, parlendas e adivinhações exigem extrema síntese e uma estrutura que encerra em si a intriga de um romance policial.  Em quatro linhas você obriga a pensar, a colocar os neurônios em atividade, a comparar.  Sabe que existe ali uma pegadinha (para usar um termo moderno)  e que a resposta óbvia não é a resposta certa.

Gênios anônimos por décadas (ou séculos) colocaram em campo uma produção extensa, divertida, o que nos divertiu.  E tudo estaria a se perder porque somos um país com pouca memória e um interesse menor ainda por ela, se as pessoas como Theodora Maria Mendes de Almeida não se colocassem em campo para recuperar tesouros (palavra antiga).  Este é o segundo volume de uma série que pode ser infindável e deve ser mantida até o momento em que se diga: não existe mais nada para ser recuperado.  No entanto, engana-se quem pensa que essa criação desapareceu.  Ela prossegue, talvez com menos intensidade, mas está viva, ainda que as crianças, nas noites de verão, não se reúnam mais na calçada para brincar de dar um tapa na bunda e ir se esconder, de atravessar a rua num pé só, de dançar a roda ao som de senhora Dona Sanja, de um homem bateu em minha porta, de Maria, sacode a saia, de tique-taque, carambola, este dentro, este fora.

No entanto, alguma coisa boa acontece.  Dei o primeiro volume desta coleção para duas sobrinhas de quatro anos e os CDs foram tocados à exaustão, para desespero das mães.  Desespero e alegria, porque eram coisas “do tempo delas”, renascidas nas filhas.  E os livros estão guardados para quando elas souberem ler.  As meninas crescem e cantam as músicas, elas se incorporam aos repertórios.  Quer dizer, a magia continua.  Felizmente pode continuar graças ao trabalho de Theodora.  Quero dizer, ainda, que não podemos, nem devemos, pensar nas crianças e adolescentes como uma geração tecnocrata, automatizada, eletronizada.  Fosse assim, por que o sucesso mundial, sem precedentes, de Harry Potter?  Porque lida com a magia e essa está dentro do ser humano.  E as criações populares resgatadas neste livro são pura magia, diversão.  Portanto, livro para ser adotado em escolas para ajudar as cabeças.  Livro de currículo, de adoção.  E sendo adotado, seria dos poucos lidos e ouvidos não por obrigação e sim por prazer.”


Este ano comemoraremos os 15 anos de lançamento do livro 2 na nossa LIVROMANIA.

Vivian Catenacci e Adriano Nunes farão uma apresentação especial do repertório  – voz, violão e percussão. 

LIVROMANIA – 25 DE ABRIL DE 2015
DAS 13h30 ÀS 18h

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Formando leitores apreciadores de literatura

Por Rosana Nunes


Concordo com a tirinha do Macanudo!  E você?

Quem não se lembra do livro que marcou a sua infância?

Clique AQUI e veja se você se lembra destes títulos.

Aqui no colégio queremos que as crianças descubram no livro um cúmplice para realizar grandes viagens e, assim, estimular o prazer pela leitura. Para isso, estabelecemos conexão com a literatura por meio de uma atividade mais que especial, a famosa “Roda de Biblioteca”

O nosso objetivo central é oferecer ações voltadas para a formação do leitor.

É neste momento tão especial que procuramos promover, além do prazer de ler, o prazer de aprender e, principalmente, oferecer a oportunidade de adentrar o mundo imaginário, conhecer novas culturas e compartilhar suas impressões.

 


Para tanto, seguimos “Os dez direitos do leitor”!


Há um combinado com os alunos para que justifiquem suas escolhas e decisões como leitores. As rodas acontecem semanalmente, em sala de aula ou na biblioteca e, a cada trimestre, os livros são previamente selecionados pela equipe pedagógica. Os critérios são variados, sempre com a preocupação de garantir um acervo de qualidade, divulgar obras de autores consagrados brasileiros e estrangeiros, diferentes versões de um conto, os clássicos universais e diferentes gêneros textuais. Também respeitamos e consideramos o nível de competência leitora, procurando inserir livros cada vez mais complexos.


Os livros são colocados de modo que os alunos escolham livremente aqueles que querem ler, trocando informações e ideias com os colegas sobre as leituras já realizadas.


Essa atividade é muito valorizada por todos e traz em si o potencial de ajudar a construir uma comunidade de leitores e escritores, em que os alunos tenham múltiplas oportunidades de explorar novos livros, escolher suas leituras, apreciar os efeitos que cada uma delas lhes traz, falar sobre essas sensações, recomendar as preferidas e analisar as recomendações recebidas uns dos outros, a fim de seguir aquelas que parecem mais interessantes, desenvolvendo, ao longo do percurso, gostos e preferências por obras, gêneros e autores.


Neste trimestre, em especial, os alunos estão a todo vapor preparando as indicações das leituras marcantes para cada um.

Como forma de prestigiar a nossa tão esperada LIVROMANIA abordaremos, nos posts  deste mês, o nosso trabalho com as práticas de leitura.

Aguardem!!!

quarta-feira, 1 de abril de 2015

O que é empatia para você?

O que os pais podem fazer para criar seus filhos com a capacidade de sentir empatia?

Por: João Mendes de Almeida Jr.

Estas foram as perguntas feitas aos pais durante as reuniões do Ensino Fundamental 2 e do Ensino Médio com o objetivo de estimular a participação e a discussão do tema das relações e dos conflitos que tem surgido de forma cada vez mais marcante no universo das relações escolares. Algumas das respostas obtidas estão em destaque no texto.

A escola é um lugar privilegiado para o exercício da convivência respeitosa. Não podemos idealizar uma convivência neste ambiente com a total ausência de conflitos, uma vez que aqui se encontram, diariamente, centenas de pessoas tão diferentes entre si. Porém, se bem conduzidos, os conflitos são uma oportunidade de crescimento pessoal importante. Cabe, portanto, às instâncias educadoras formais – escola e família – ensinarem nossos jovens a resolverem os conflitos que surgem nas relações interpessoais de maneira a buscar sempre o consenso a partir do respeito pelo sentimento do outro. Quando não se considera o outro na solução dos próprios problemas de convivência, corre-se o risco da desumanidade.


Por trás da maior parte dos conflitos que surge no cotidiano escolar – sobretudo entre os adolescentes – e também fora dos muros escolares, está justamente a falta de empatia. É praticamente na escola, hoje em dia, que crianças e adolescentes são confrontados com a presença do outro, do diferente, fora da proteção familiar. Frutos de uma sociedade que preconiza comportamentos egocentrados e egoístas, crianças, adolescentes e jovens têm cada vez mais dificuldade de perceber e respeitar os limites do próximo. Reside aí uma das maiores dificuldades no trabalho da orientação educacional nos dias de hoje.

Empatia está relacionada a uma sensibilidade das pessoas para perceber o mundo para além de sua perspectiva individual.  Essa sensibilidade também diz respeito a reconhecer sentimentos, afeição, experiências comuns a todos.  Acho que buscar sempre dar exemplos é o que os pais podem fazer. (Pais do 7º e 8º anos)
Empatia é poder se destacar para o lugar do outro. Tentar imaginar uma experiência do ponto de vista do outro, considerando o contexto em que se está inserido, crenças, valores, hábitos, etc. Acho que em 1º lugar devemos estimular nossos filhos a perceber que o que sentem, pensam e observam não é a única maneira. (Pais do Ensino Médio).

Como estímulo para a participação dos pais nas reuniões e para estimularmos o debate, exibimos dois vídeos selecionados entre os vários que abordam o tema no site de palestras TED. Neles pessoas de diferentes especialidades discutem sobre a capacidade de nós, humanos, enxergarmos o próximo e suas necessidades, de compartilharmos o que é nosso e sobre nossa capacidade de sentirmos compaixão.

Links:

Frans de Waal – “Comportamento moral em animais” - Empatia, cooperação, justiça e reciprocidade -- se importar com o bem estar de outros parece ser uma característica muito humana. Mas Frans de Waals nos mostra vídeos surpreendentes de testes comportamentais, sobre primatas e outros mamíferos, que demonstram quantas características morais compartilhamos. 

Sam Richards – “Uma experiência radical em empatia” - Ao mostrar um passo a passo através do processo de pensamento, o sociólogo Sam Richards monta um desafio extraordinário: será que entendemos — não aprovamos, mas entendemos — as motivações de um rebelde iraquiano? E ainda, será que qualquer um pode realmente entender e ter empatia uns com os outros?

Daniel Goleman – “Sobre a compaixão” - Daniel Goleman, autor do livro "Inteligência Emocional", pergunta por que nós não somos mais misericordiosos por mais tempo.

Joan Halifax - A líder espiritual budista Joan Halifax trabalha com pessoas no último estágio da vida (em instituições para cuidados paliativos em final de vida e no corredor da morte). Ela conta o que aprendeu sobre compaixão diante da morte e faz uma poderosa introspecção sobre a natureza da empatia.

Krista Tippett – “Ressignificando a compaixão” - A palavra "compaixão" — normalmente associada a gente perfeita ou à pieguice — se distanciou da realidade. A jornalista Krista Tippett desconstrói o significado de compaixão contando algumas histórias comoventes, e propõe um novo e mais alcançável sentido para a palavra.


Durante os encontros com os pais, expusemos o trabalho realizado pelos tutores e pelos orientadores do Hugo Sarmento, desde o 6º ano até o 3º ano do Ensino Médio, com a finalidade de desenvolver nos alunos uma visão crítica das relações baseadas na empatia, na compaixão, no desenvolvimento do senso de justiça e no respeito ao próximo, reforçando exemplos e atitudes positivas. Definimos alguns temas pontuais escolhidos de acordo com as características de cada faixa etária e que são trabalhados ao longo de todo o ano letivo.

6º ano – Bullying
7º ano – Preconceito
8º ano – Sexismo / Sexting
9º ano – Protagonismo 
Ensino Médio – Uma visão crítica da sociedade e do comportamento humano


Mas, afinal, o que é empatia?

O termo empatia foi utilizado pela primeira vez por E.B. Titchener, psicólogo, e origina-se da palavra grega empátheia, que significa "entrar no sentimento". Para alcançarmos este estágio é necessário deixar de lado nossos próprios pontos de vista e valores para poder entrar 
no mundo do outro sem julgamentos.

Como desenvolver, então, a empatia?

É preciso praticar muito para colocar o sentimento à frente das palavras. É mais do que compreender; é conseguir se colocar no lugar do outro e, por consequência, sentir como o outro. Você se sensibiliza com as dificuldades e o sofrimento, e é isso que te torna mais humano e te possibilita realmente ajudar alguém. Entrar em contato com os próprios sentimentos é a base para desenvolver a empatia e, a partir daí, a compaixão. A pergunta que inicia este processo é “Como eu me sentiria na mesma situação e/ou na mesma condição do outro?”. Quando tenho clareza dos meus sentimentos e consigo expressá-los com segurança, tenho mais possibilidade de sentir pelo outro. 

“Acredito que empatia seja o sentimento e a atitude de se colocar verdadeiramente no lugar do outro, parar para observar, ouvir, estar atento ao outro. Vivemos numa sociedade frenética...mas a convivência precisa ser social, íntegra. Viver em comunidade é desafiador, mas imagino que seja o caminho para tentarmos respirar de forma pura. Acho que o exemplo é tudo, precisamos praticar atitudes empáticas para que as crianças e os jovens tenham e percebam esta ação de perto, ali, no dia a dia.” (Pais de 7º e 8º anos)

Este “treino”, esta prática nos permitirá um novo olhar sobre as relações e a passar a agir, quase que instintivamente, não em função dos outros, mas sempre levando em consideração nossa posição de ser social. 

quarta-feira, 25 de março de 2015

OS ESTUDOS SOBRE ESPAÇO E FORMA

ENSINAR E APRENDER GEOMETRIA É UMA ARTE: OS ESTUDOS SOBRE ESPAÇO E FORMA

Por Theodora Maria Mendes de Almeida

Quando eu era aluna aqui nesta escola, tínhamos uma matéria chamada Desenho Geométrico. 
Já aprendíamos sobre as formas, a utilizar o compasso, a régua e o esquadro e, como não podia deixar de ser, tínhamos um estímulo para o uso artístico deste aprendizado, que ia além da matemática. Conhecíamos muitos artistas que faziam uso das formas em suas obras e éramos estimulados a produzir, apurando a aprendizagem da estética.

 

A Matemática ensinada na escola, hoje, é repleta de conteúdos e entende-se  que é preciso compreender o sentido que ela tem para a vida dos alunos. Os estudos sobre o ESPAÇO e a FORMA continuam sendo importantes e necessários para a compreensão de mundo. 
A escolha da metodologia por nós utilizada, de resolução de problemas, amplia as possibilidades, o interesse e o envolvimento dos alunos por esta área.
Com as crianças pequenas, que estão sendo apresentadas a estes conteúdos, começamos propondo jogos com os blocos de madeira, nomeando, identificando e explorando suas possibilidades de uso. Enquanto brincam, estão pensando sobre tudo isto. 


 

Neste contato, vão aprendendo o vocabulário geométrico, a terminologia correta de cada figura e de suas partes. É o que chamamos alfabetização matemática.
Assim, cada vez mais vão desenvolvendo as habilidades de observação e investigação.
Nos desafios e na representação dos jogos, as crianças já vão aprendendo a traçar sua compreensão sobre o espaço.
A escolha da Coleção SABER MATEMÁTICA, de Kátia Smole e Maria Ignez Diniz – como material didático inicial para os alunos do Fundamental I – corresponde a esta concepção de trabalho que inclui a arte e a representação.

 
Trabalhos inspirados na obra de Wassily Kandinsky

No contexto de estudos em outras áreas, como nas Ciências Sociais, os alunos também vão conhecendo como outros povos e culturas utilizam as formas em sua arte.

Arte Africana

Arte Indígena

Arabescos

ORIGAMI e TANGRAM

Recursos como a dobradura, o Origami,  e quebra-cabeças, como o Tangram, ajudam os alunos a fazer comparações, classificações, composições e representações das figuras, além de desenvolver o raciocínio e a coordenação motora.

 

Na representação tridimensional, os alunos vão trabalhando com outras propriedades das formas. São tratados simultaneamente os sólidos geométricos e as figuras planas e o entendimento vai sendo ampliado: cubos, cones, cilindros, esferas, paralelepípedos, pirâmides... A sofisticação das pesquisas e conhecimentos vai aparecendo nos estudos sobre os ângulos, os vértices, poliedros e não poliedros,... 

 

 
O papelão, a madeira, o isopor, entre outros tantos materiais, ajudam a projetar e a realizar as ideias.

Os jogos e a tecnologia trazem a dimensão do processo permanente de evolução da ciência, pensando na representação, nas aplicações práticas das necessidades do dia a dia e também da diversão.



Creio que nossos alunos vivem, hoje, um momento ampliado daquele que vivi como aluna, podendo aprender ainda mais sobre os mistérios da Matemática, instigados pelas propostas, motivados em sua curiosidade natural.

Outras dicas para saber mais sobre Geometria:

- Polígonos, centopeias e outros bichos – Nilson José Machado – Ed. Scipione - 2000
- A geometria na sua vida – Rosa Maria Herrera e Carlo Frabetti – Ed. Ática, São Paulo –  2003
- Minha mão é uma régua – Kim Seong-Eun e Oh Seung-Min – Ed Callis – 2006
- Travessuras de Triângulo – Suzana Laino Candido – Ed. Moderna – 2001
- A história do Vovô Tang – Ann Tomperf – Ed. Salesiana – 2007
- A Matemática das sete peças do tangram – E.R. Souza – Caem – 1995
- Dobradura nas aulas de Matemática – Imenes – Ed. Scipione – 1995

quarta-feira, 18 de março de 2015

Olhar curioso, espírito investigativo e aquela vontade de desvendar todos os mistérios do mundo!

Por Gaby Vignati

É com empolgação e muita vontade que os alunos do 2º ano esperam pelo início das atividades no laboratório da escola. Eles já trazem em si uma forma natural de encarar o mundo e os seus “por quês” são a expressão da sede de conhecimento que têm para desvendar tudo aquilo que os cerca.


Desde o momento de colocar o jaleco, até a entrada no laboratório, os alunos já vão se preparando e encarando tudo com muita seriedade. Afinal, atuar como um cientista requer uma nova postura para olhar, manusear, se locomover, perguntar, trocar com o colega. Para eles, as qualidades mais importantes de um bom cientista é ser curioso, cuidadoso, atento, persistente e criativo. Nas aulas, pesquisamos e discutimos, a partir da leitura de alguns textos, a atuação e a importância dos cientistas.

Mas o que há no laboratório? Vimos as vidrarias e descobrimos o nome das mais usadas: béquer, proveta, funil, pinça, tubo de ensaio, lâmina e lamínula, entre tantos outros dos quais, facilmente, guardaram os nomes! A vontade é a de mexer, usar, aprender! E assim, começamos nossos trabalhos explorando os materiais para falarmos sobre volume, observarmos o acervo de animais, dando início ao manuseio do microscópio e das lupas, enriquecendo os estudos da sala de aula. Tudo no ambiente do laboratório desperta o interesse e os olhares curiosos, como aconteceu com o acervo de animais. A expressão facial refletia o grau de encantamento! Para os alunos, a sensação é a de descobrir um universo novo, cheio de possibilidades.

“Uau, olha o tamanho dessa aranha!”
“Gaby, que bicho é esse?”
“Que líquido é esse dentro do vidro?”
“Olha, dá pra ver o ferrão!.”

Para essa iniciação científica é necessário experimentar aspectos primordiais das áreas que envolvem as Ciências Naturais e seus temas transversais: saúde, meio ambiente e cidadania. A metodologia usada é a de levantamento de hipóteses, busca por informações, experimentação e comprovação, conclusões.

E essa empolgação só tende a crescer!  Pois este é só o início de todo um trabalho de Ciências na escola. Acreditamos que crianças curiosas, motivadas e querendo aprender, só podem contribuir positivamente para o melhor dos futuros! Eles serão os futuros cientistas!

     Conhecer!
     Observar!
     Experimentar!
     Ser curioso!
      Levantar hipóteses!
      Registrar!

quarta-feira, 11 de março de 2015

Aulas de Culinária para crianças da Educação Infantil

Por Theodora Maria Mendes de Almeida

“A vida de um grupo tem vários sabores... No processo de construção de um grupo, o Educador conta com vários instrumentos que favorecem a interação entre seus elementos e a construção do círculo com ele. 
A comida é um deles.
É comendo juntos que os afetos são simbolizados, expressos, representados, socializados.
Pois comer junto, também é uma forma de conhecer o outro e a si próprio.
A comida é uma atividade altamente socializadora num grupo, porque permite a vivência de um ritual de ofertas. Exercício de generosidade. Espaço onde cada um recebe e oferece ao outro o seu gosto, seu cheiro, sua textura, seu sabor.
Momento de cuidados de atenção.”
Madalena Freire, do livro “Grupo”


Há muito tempo realizamos com nossos alunos atividades que envolvem o preparo de alimentos.  No começo, na Educação Infantil, isto acontecia de forma bastante informal, mas já percebíamos o enorme fascínio das crianças pelo espaço da cozinha, muitas vezes uma área “proibida”, restrita apenas aos adultos.
Com o tempo, estas atividades foram tendo uma importância muito grande no dia-a-dia da Escola. O interesse dos alunos foi contagiando a todos. Em 96, tornamos a proposta da Culinária parte integrante do nosso currículo de Ciências Naturais. A curiosidade e o espírito de investigação foram sendo alimentados (literalmente) pelas experiências constantes e contínuas que envolviam o desenvolvimento das primeiras atitudes científicas.
Estes elementos foram enriquecendo o trabalho e nos levando a criar outros caminhos. Foram aparecendo, no desenvolvimento do processo, as demais áreas de conhecimento: a Matemática através das medidas (de quantidade, de tempo) e jogos de estimativa; a Língua Portuguesa na leitura e na escrita dos rótulos e receitas; a Geografia e a História, através de receitas típicas e suas origens culturais; a Arte de modelar e imaginar novas formas de preparar os alimentos, nos deram a possibilidade de realizar um trabalho completo e integrado.

Além disso, é claro, o imenso prazer pelo resultado na hora da “degustação”!

“Há mais fenômenos na cozinha do que pode imaginar nossa vã (e deliciosa) gastronomia. Mas não são fruto do acaso nem passe de mágica: na verdade, resultam de importantes e às vezes complexas reações químicas. A cozinha é, portanto, um grande e divertido laboratório científico, e conhecê-lo em detalhes pode ser uma viagem fascinante.”
Do livro “Um cientista na cozinha”, de Hervé This

 

Assim, estes são nossos objetivos principais:
- Propor atividades que propiciem a exploração de fatos cotidianos;
- apontar as questões relativas à qualidade da alimentação, para o desenvolvimento de uma vida saudável;
- enfatizar os cuidados necessários com higiene e segurança no preparo dos alimentos;
- explorar objetos variados, levantando suas características de forma, tamanho, espessura, textura, cor, odor, sabor, entre outras;
- possibilitar a observação de mudança de estado físico: líquido para sólido, líquido para gasoso, de acordo com a temperatura e a intervenção nos objetos;
- estimular o levantamento de hipóteses sobre os resultados que seriam obtidos;
- possibilitar o contato com a leitura de rótulos e das receitas, ampliando o vocabulário;
- alertar para a necessidade de reaproveitamento de embalagens e reciclagem do lixo;
- transmitir conteúdos socioculturais, como a origem de receitas típicas de lugares específicos;
- valorizar a socialização por meio da troca e da união do grupo na hora de preparar e experimentar os alimentos.

 

Nossa experiência foi compartilhada no site do Educar para Crescer. Acesse