quarta-feira, 17 de junho de 2015

Ler notícias no 3° ano

Por Débora Rabello

Apesar da pouca familiaridade com a esfera jornalística, as crianças têm acesso a jornais televisivos e sabem que a função principal das notícias é a de informar a respeito do que está acontecendo no mundo em que vivemos.

Criar o hábito da leitura de jornais em sala de aula amplia o vocabulário e a compreensão de textos. Aqui no colégio, usamos o jornal também como ferramenta de pesquisa e investigação sobre os fatos cotidianos.

Segundo Ana Teberosky, “Existem duas maneiras de conhecer o que existe à nossa volta: por meio de experiência vivida ou por meio da experiência referida. A notícia faz parte do gênero de tipo informativo derivado, por especialização, do gênero mais amplo da narração histórica. O gênero informativo e o critério verídico dos fatos referidos caracterizam a notícia jornalística.”

Para conhecer melhor esse tipo de texto, os alunos do 3°ano iniciaram a “Roda semanal de Notícias” , ampliando assim sua visão de mundo, pensando sobre as informações e discutindo pontos de vista .


Inicialmente fomos dando oportunidade aos alunos de manusearem o jornal por inteiro – buscaram os cadernos que mais os interessaram, vendo fotos e lendo títulos, subtítulos e o início de cada reportagem, para saber se valeria seguir até o final. 

Depois de o manusearem, perguntamos às crianças: O que poderíamos encontrar no jornal? Prontamente responderam:

– O que aconteceu no dia.

– Informações sobre a cidade.

– A previsão do tempo.

– Às vezes os cientistas olham os jornais para saberem o que está acontecendo.

Após nossa conversa, partimos para o principal objetivo: trabalharmos o conceito do lide (abertura da notícia), que transita pelas seguintes perguntas: 

Quem?

O quê?

Quando?

Onde?

Como

Por quê?

 

Este gênero textual está presente nas diversas situações que permeiam nosso cotidiano em revistas e jornais, impressos ou virtuais e, por isso, aproveitamos o Projeto Água como tema de investigação e debate. Montamos um painel de notícias para compartilhar com todos da escola.

A primeira notícia que lemos foi sobre a dessalinização da água (Revista Veja: A solução que veio do mar – 20/05/2015). Nosso objetivo foi despertar nos alunos a curiosidade pela palavra dessalinização, o que de fato ocorreu e, assim, conversarmos sobre a estrutura da notícia ganharia um outro significado.

Conversamos bastante sobre esta palavra, criaram hipóteses sobre o seu significado e, por fim, procuraram no dicionário para conferir. Em seguida lemos o lide e perguntei se queriam que continuasse a leitura e a resposta foi: “Simmmmm!!!” 

Ouviram atentamente toda a notícia e discutimos sobre as descobertas. A partir daí, a cada semana uma dupla de alunos traz uma notícia sobre o assunto da água para discutirmos e aprofundarmos os seus aspectos explícitos e implícitos.

Uma das notícias que chamou mais a nossa atenção foi sobre a estiagem no sistema Cantareira. As perguntas (após a leitura do lide) foram:

O que é estiagem?

Mas, se está chovendo por aqui, por que não chove lá onde precisa

Qual é o tamanho do Cantareira?

– O que é manancial?

Nem todas as respostas estavam ali e, após a leitura do restante da reportagem, fomos em busca de mais informações em textos informativos científicos, estimulando a curiosidade e completando os conhecimentos.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Sobre escolas e palavrões

Por Pedro Mancini


Dentro da turbulenta rotina escolar, o “palavrão” é um dos grandes fantasmas que assustam pais e educadores, causando grande constrangimento nos lugares em que se manifesta. Usados tanto para extravasar as tensões como para agredir colegas, os palavrões são ditos não apenas pelos mais velhos, como por crianças bem pequenas que, percorrendo diferentes círculos de sociabilidade, estão especialmente sujeitas às mais variadas influências durante o processo de formação da linguagem. 

Muitas dessas crianças estão apenas experimentando palavras recém-descobertas, sem entender o seu significado imediato; essas novas palavras são ditas de forma acrítica e fora de contexto, muitas vezes resultando em um “erro de comunicação” pelo uso incorreto dos termos usados. A criança, desconhecendo o significado real do “palavrão”, utiliza-o sem conhecer os reais impactos da palavra frente ao outro, ou seja, sem imaginar o quanto ele é capaz de machucar ou indignar aqueles com quem ela interage. Nesses casos, educadores e pais detém o papel de informar os significados dessas palavras, incluindo, aí, seu potencial ofensivo, de modo que a criança desenvolva suas habilidades linguísticas e escolha melhor as palavras a usar nas conversas em que se engajar.

A utilização do palavrão, entretanto, nem sempre é inocente da forma acima apontada. Especialmente entre os adolescentes, seu uso é corrente e consciente, mais próximo do uso dado pelos adultos na sociabilidade com seus pares. As pessoas utilizam o palavrão para demonstrar frustração, raiva, revolta ou até emoções positivas, como a alegria de conquistar uma boa nota de modo inteiramente imprevisto; embora controverso, o palavrão cumpre, desse modo, a importante missão de expressar fortes emoções represadas, que acabam por “escapar” de forma explosiva. De certo modo, pode ser um sinal claro de que a pessoa está “viva”, no sentido mais pleno do termo, mesmo em situações sociais totalmente inapropriadas.

Muitas vezes, assim, vemos que o “mau uso” do palavrão não está na incompreensão de seu significado, mas na falta de reconhecimento dos momentos cabíveis para sua utilização. Como modo informal de comunicação e de expressão de sentimentos, ele é utilizado entre amigos em ambientes e momentos de descontração: em casa, em festas, na rua, entre outros. Já em um ambiente profissional, um funcionário pode encontrar sérios problemas ao utilizá-lo na frente de seus colegas e superiores. O palavrão, por mais que possa ser individualmente libertador, é inapropriado a uma série de situações sociais – e seu uso desenfreado pode resultar em graves prejuízos para as relações estabelecidas pelo indivíduo. 

Voltando ao campo da educação, para uma escola acolhedora e voltada a ideais mais democráticos – menos focada, portanto, na “obediência acrítica” de seus alunos –, a questão do palavrão torna-se ainda mais complexa. É possível incentivar a expressão pessoal reprimindo totalmente essa espécie de manifestação linguística? Como escapar do simples “moralismo” da proibição do palavrão “porque é feio”, sem cair no erro de fazer vista grossa a desconfortos causados pelo seu uso impensado? Acima de tudo, cabe à escola preparar a criança para viver em sociedade, aceitando o convívio com o diferente e o contraditório, e essa consideração deve nortear qualquer postura da instituição frente à tolerância aos palavrões no cotidiano, evitando-se os extremos do autoritarismo moralista e da liberalização irrestrita – e, portanto, irresponsável.

Para cumprir nossa missão, precisamos desenvolver a habilidade de comunicação e de empatia dos educandos, garantindo que aprendam a ouvir e a serem ouvidos sem recorrerem à violência física ou verbal para resolver suas disputas diárias. O palavrão, quando utilizado para atacar o próximo (e não apenas ele, já que há inúmeras formas de ofender sem utilizar palavras vulgares), encerra a possibilidade de compreensão mútua e de resolução racional e moderada de conflitos. Nesse sentido, é importante que a criança aprenda a resolver disputas sem recorrer a estratégias para minimizar e ridicularizar o outro, operacionalizadas, muitas vezes, pela apropriação do palavreado vulgar. A utilização de palavrões nessas ocasiões, diferentemente do palavrão como “desabafo emocional” não-agressivo, deve ser combatida com vigor em todos os ambientes, dado que dificulta a plena convivência pacífica e democrática – aprendizado que se faz urgente em dias tão turbulentos como os atuais. 

Além disso, é preciso preparar o jovem para perceber as regras sociais que operam nos diferentes ambientes em que irá frequentar – para cada um desses espaços, há normas de convivência específicas, tanto explícitas quanto implícitas. Desse modo, há horas e lugares determinados para o uso de palavrões e de outras formas expressivas – como na sociabilidade entre amigos, conforme já citamos. É possível (e, às vezes, até desejável) contestar tais regras de convívio social, mas o indivíduo deve estar ciente dos riscos que assume ao fazê-lo. 

O uso do palavrão, em momentos de maior seriedade e formalidade, por exemplo, pode resultar em situações bem embaraçosas, além de gerar conflitos desnecessários. Em um debate com fins construtivos, um vocabulário desse tipo pode desestabilizar a discussão, inviabilizando um consenso racional a respeito da questão em pauta. Quando usado no diálogo com o professor, pode transmitir descaso com o profissional e seu papel, possibilitando atritos na relação educador-educando que resultam em prejuízos indiretos para o aprendizado.  Enfim, o mesmo palavrão que pode aproximar, real ou ficticiamente, amigos e colegas ao facilitar a expressão de seus sentimentos em momentos de descontração, pode, fora de contexto, prejudicar ou romper relações caras para nossos jovens.

Compete à escola colocar esses pontos em pauta, problematizando-os com os alunos no dia a dia, ao invés de deixar-se assustar pelo fantasma da vulgaridade. Os palavrões devem ser encarados de frente, mas sem moralismos superficiais, para que possamos fomentar as mais plenas formas de convivência democrática entre nossos garotos, preservando relações respeitosas e construtivas. 

terça-feira, 2 de junho de 2015

Por que estudar sobre a China?

Por Theodora Maria Mendes de Almeida

Sempre achei que o que mais me interessa no trabalho como educadora é aprender junto com os alunos. Não ao mesmo tempo, nem do mesmo jeito, mas ir descobrindo e se encantando com as possibilidades de cada tema de estudo.

Estudar sobre um país ou uma cultura específica amplia enormemente o conhecimento de mundo, a visão do que é diferente,  nos faz perceber e compreender as influências que sofremos mesmo sem saber.  


A China é uma das mais antigas civilizações do mundo. Nos últimos anos, notícias sobre o crescimento da China como potência mundial têm ampliado a curiosidade sobre este país: como vivem, como se organizam, quais seus valores e interesses, como fazem para manter suas tradições e conhecimentos?

Acreditamos que estudar História não é apenas conhecer e entender os caminhos trilhados pelo ser humano no passado, mas realizar uma leitura critica de nosso presente, compreendendo a forma como nossa sociedade está constituída atualmente.

A China Antiga já foi tema de estudos de muitos grupos de alunos, mas a ideia de revisitar o assunto neste ano surgiu quando assisti ao filme MADE IN CHINA, de Estevão Ciavatta e Regina Casé. Esperava ver um filme divertido, mas foi mais do que isto, pois trouxe o questionamento  sobre o reflexo da economia de um país sobre o outro, as consequências para a economia, as relações sociais e o equilíbrio de todo o planeta.


Um tema de projeto rico como este, proposto para toda a escola, proporciona a todos enorme rede de aprendizagem. Todos pesquisam, aprendem e ensinam juntos: professores, alunos e pais.


Ler os contos é uma maneira de ir entrando neste universo. Mas, não se trata só de ler e escrever sobre o tema, o que já seria importante, mas descobrir as imagens, os sabores, os pensamentos e ensinamentos profundos. Um povo que inventou tantas coisas que mudaram o rumo da história da humanidade como o papel, a bússola, a pólvora, o macarrão, dentre tantas outras coisas.

Para o estudo das Ciências Sociais, no Fundamental I trabalhamos com diferentes fontes históricas, como jornais, fotografias, livros, músicas, mapas, lendas, pinturas etc., com o propósito de ajudar os alunos a entenderem a construção da história e suas transformações. 
A intenção principal é ensinar que a História se constrói sob diferentes pontos de vista, por isso apresentamos uma diversidade de gêneros e favorecemos a interpretação de cada um. 

A exploração do mapa-múndi nos leva a pensar sobre a distância que nos separa, as dimensões deste país e a diversidade de paisagens e biomas.

A medicina, a alimentação e a filosofia do bem estar, as artes marciais, tantos temas importantes para experimentar e conhecer. O plantio do chá e o hábito cerimonial de tomar esta bebida, que aquece e traz saúde, será apresentado a todos para que sintam também o sabor da China.

 



As vivências já começaram com a experimentação do Tai Chi Chuan, no Dia das Mães, as primeiras produções artísticas e leituras.

 

Os alunos do Grupo 4 começaram suas pesquisas pelos animais e o encantador Urso Panda, comedor de bambu, despertou imenso interesse! Descobriremos juntos a enorme variedade da fauna e da flora deste imenso e diverso país. Com auxilio dos encaminhamentos das Ciências Naturais, levantaremos hipóteses e consultaremos textos informativos sobre estes animais e seus habitats.

Estamos preocupados também em fazer com que os alunos reflitam sobre as questões relacionadas ao consumo e à degradação do planeta, questionando e refletindo sobre o futuro que queremos.

Os alunos do Fundamental II e Ensino Médio começaram fazendo uma visita ao Templo Zu Lai e ouvindo uma palestra com convidados do Instituto Sidarta sobre a cultura chinesa e o mandarim.

 


Todo projeto pressupõe um produto final no qual se compartilha o que foi aprendido. Neste caso será a Exposição, evento tradicional do Colégio que acontece em setembro, quando reuniremos o resultado deste aprendizado, desde a educação infantil até o ensino médio. 

Aspectos como: descobertas, arte, medicina, alimentação, língua escrita e falada, ambiente, economia e tantos outros serão representados por todos,  cada classe conforme suas possibilidades e interesses.

Contamos com a colaboração de todos que puderem enviar materiais para o enriquecimento do tema – livros, fotografias, brinquedos, o que puder enriquecer as pesquisas.

Venha viajar conosco! 



PARA SABER MAIS:

Documentários 

- A Mariposa do Império sobre a produção de seda na China:

- O mundo segundo os brasileiros

- A cidade proibida

- A história da China

- Documentário Natgeo

Outros links


- O mundo segundo os brasileiros - Pequim

- Destino Educação 

- Receitas Chinesas

- As festas

Jogos

Para jogar on line

Arte

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Atenção e memória

Até a ciência explica por que é importante prestar atenção, fazer lição de casa e dormir bem.
Por Simone Violante

Quantas vezes já dissemos aos nossos alunos e filhos: “Como você quer aprender sem prestar atenção?” 

A atenção é a habilidade de estar focado num objeto, numa atividade, numa informação. 

Memória pode ser definida como a aquisição, conservação e evocação de informações. Faz parte do  aprendizado a aquisição de dados e as lembranças são a evocação do que foi armazenado. A  memória não é só a retenção de conhecimento, mas também é ativadora da imaginação, interpretação, reinvenção, as quais atuam sobre o que é recordado pelo indivíduo. A memória é a capacidade do ser humano em conservar e relembrar mentalmente conhecimentos, conceitos, vivências, fatos, sensações e pensamentos experimentados em tempo anterior. A memória refere-se à retenção de habilidades adquiridas ou de informação e em situações cotidianas, ou seja, está relacionada a grande parte do que aprendemos durante a vida escolar.

E o esquecimento? Ele é a falta de evocação desses dados. Nosso cérebro tem a capacidade de guardar aquilo que julga importante – por motivos diferentes: interesse, motivação, afeição, trauma etc – e deixa de lado tantas outras coisas.

Os  mecanismos pelos quais a memória é adquirida são complexos e passam por diversas etapas, além de ocorrerem em diferentes partes do cérebro.

Se houver falhas em alguma etapa, a memória fica comprometida.  Não é possível evocar uma informação se ela não foi devidamente arquivada. Para que o ser humano possa reter na memória  determinada informação, é necessário que sua atenção esteja voltada para isso. Sem atenção, não há qualquer possibilidade de guardar-se um fato e, sem guardá-lo, não há como recuperá-lo depois.

E mesmo que o cérebro seja capaz de retê-lo, sua consolidação depende de alguns fatores: a frequência da sua utilização e das alterações cerebrais que ocorrem durante o sono. O conteúdo trabalhado na escola, por exemplo, será evocado em outros momentos e a lição de casa auxilia neste processo com a retomada dos fatos e dados, sua aplicação e repetição. Além disso, a memória é consolidada quando a pessoa está dormindo. Se ela não dorme, o registro não acontece. Estudos mostram que entre os jovens as falhas frequentes do processo de memorização estão relacionadas a problemas como distúrbios do sono ou déficit de atenção – quem dorme mal ou pouco, pode mostrar-se mais irritado e com menor capacidade de concentração durante o dia, o que vai incidir diretamente na memória, com os reflexos neuronais lentos que comprometem também o raciocínio. Por isso, é importante insistir e garantir noites bem dormidas.

O uso de álcool e outras drogas psicoativas também interfere na memorização: adolescentes com dependência de álcool, por exemplo, apresentam mais dificuldade em recordar palavras e desenhos geométricos simples após um intervalo de 10 minutos, em comparação a adolescentes sem dependência alcoólica. 

O mundo eletrônico também pode interferir diretamente na atenção. Com os smartphones, a internet na palma da mão leva os alunos a desviarem a atenção para jogos, troca de mensagens, postagens em redes sociais nas horas “mais erradas” – a tentação de usar o celular durante as aulas e à noite, antes de dormir, podendo invadir a madrugada.

A saúde do cérebro depende de uma série de atividades e ações. Para uma memória saudável e eficaz é preciso começar a treinar desde cedo através dos jogos de atenção e memorização, oficinas,  leituras etc. E não basta apenas ler, é preciso também dialogar, expor opiniões, pois, durante a atividade argumentativa, o cérebro é requisitado para opinar e replicar. Assim, a argumentação é fundamental para a memória. 

Algumas dicas para ajudar pais e alunos a manterem o foco! 

• Criar uma rotina de sono – estabelecer um horário limite para dormir e acordar é uma das melhores maneiras de espantar a sonolência da manhã. As crianças necessitam entre 9 e 10 horas de sono ininterrupto. Os adolescentes precisam dormir de 8 a 9 horas e meia  por noite;



• Escolher o alimento certo na hora certa – nunca sair de casa sem café da manhã e não ingerir alimentos estimulantes antes de dormir, como chocolate e cafeína;


•  Antes de dormir, manter os aparelhos eletrônicos (computador, smartphone, videogame, TV) desligados;
•  Organizar a rotina para os estudos em casa como horário e local para fazer a lição;
•  Estimular a atividade mental com hobbies e leituras;
•  Fazer intervalos frequentes entre as atividades para garantir melhor nível de concentração.

Para saber mais:


quarta-feira, 20 de maio de 2015

Brincando em serviço

Uma reflexão sobre brincar e jogar na hora do recreio livre
Por Thiago Ferreira

Toda cultura tem seus códigos – o conjunto de leis, os rituais que marcam as fases da vida, os protocolos sociais, os sistemas de ensino, a organização do trabalho e as linguagens. Nessa diversidade, os jogos e as brincadeiras estão presentes em todas as culturas, nos mais diferentes períodos históricos. Conhecer os jogos e brincadeiras é apropriar-se de cultura e esse ciclo é mantido por uma demanda de identidade, como explica o professor Marcos Garcia Neira em “ O ensino das práticas corporais na escola”:

É por meio de suas produções que as pessoas estabelecem uma relação comunicativa com a sociedade. Isso implica o entendimento dos artefatos culturais como textos passíveis de leitura e significação. Assim, as práticas corporais podem ser compreendidas como meios de comunicação com o mundo, constituintes e construtoras de cultura. 

Um simples gesto é capaz de passar uma informação, um corpo pode ampliá-la e um grupo é capaz de produzir um texto. Pensando por esse prisma fica mais fácil entender a educação estar incluída na área de linguagens. Nosso país tem suas regionalidades nas brincadeiras e jogos e, com uma observação simples, é possível perceber neles uma série de aspectos culturais.

Segue um link com diversas práticas de jogos e brincadeiras no Brasil: 
Clique aqui e assista também ao primeiro trailer do filme de Renata Meirelles (ex-aluna do Colégio) sobre as brincadeiras. 

Escola também é lugar de brincar e jogar; aqui no colégio dedicamos um olhar especial para garantir a qualidade das relações, o uso do espaço coletivo e facilitar as práticas quando necessário.

 
É bastante comum o grupo de alunos escolher brincadeiras que aprenderam na escola, caracterizando a apropriação da troca de informações; como exemplo, podemos citar as variações do jogo de queimada ou as diferentes maneiras de brincar de pega-pega. A hora do recreio faz um convite ao mundo do jogo e da brincadeira. Brincar é seguir combinados, colaborar e fazer da diversão o objetivo final. A definição do brincar é ter um fim em si mesmo e, nesses momentos, a integração está garantida.

Observar o recreio, o grupo, o que fazem e como fazem, é uma janela aberta para o entendimento de como são adquiridos nossos códigos sociais e como se apropriam
da cultura e a modificam. Nos jogos, dentre um vasto repertório possível, o futebol, por vários motivos, tem sido o escolhido. O futebol só fica entediante se houver desequilíbrio nas partidas, um time muito mais forte, por exemplo. Não é o que acontece; ainda que a quadra esteja cheia,  com muitos integrantes nos times, quem participa já domina o conjunto de regras e são feitos combinados do tipo “5 minutos ou 2 gols”.

 

As brincadeiras de perseguição, como pega-pega e rouba bandeira, têm seu lugar garantido, e chamo a atenção para um ponto interessante: os jogos e brincadeiras com caráter colaborativo também estão presentes, seja numa roda de embaixadinhas, seja em arremessar e receber bola de futebol americano, as crianças experimentam as opções e desenvolvem suas preferências.

 

Jogos coletivos competitivos (incluindo o pebolim), brincadeiras de perseguição (também competitivas), e brincadeiras colaborativas não são os únicos formatos; cito ainda mais dois, as brincadeiras de sorte e as de vertigem.

 

Começo com as de vertigem, aquelas que deixam adultos de cabelo em pé, como pular de dois ou mais degraus, virar estrela e cair na ponte (posição de yoga); todo conjunto de desafios corporais  são importantes, pois ajudam a superar os próprios medos.

 

Já as brincadeiras de sorte são incríveis, não fazendo diferença a habilidade, velocidade ou qualquer vantagem, pois basta conhecer as regras e, quem não as conhece, rapidamente pode participar como “café com leite”. Essas brincadeiras de sorte aparecem, dentre outros espaços, na sala de jogos, durante os recreios em dias chuvosos.

 

Observamos também os grupos que jogam online: é a turma do Minecraft. Eles adoram a possibilidade do desafio e de reconhecer os amigos na tela do tablet, criam e solucionam problemas entre si, na mesma plataforma. Ver essa roda de jogo explica o avanço da internet, das redes sociais e das opções que temos disponíveis graças ao avanço da tecnologia, um recorte que ilustra bem nossa organização social.


O universo de jogos e brincadeiras é apaixonante e olhar para isso com um “zoom” de cultura corporal acrescenta boas informações sobre nossa cultura e possibilita conhecer práticas novas. Questões importantes, valorizadas e realizadas aqui no colégio, pois sabemos que brincar é coisa séria!

Para quem se animou e quer conhecer uma brincadeira nova, deixamos um site para lembrar, conhecer e colocar em prática: http://mapadobrincar.folha.com.br/

REFERÊNCIAS

NEIRA, M. G. O ensino das práticas corporais na escola. In: Práticas corporais: brincadeiras, danças, lutas, esportes e ginásticas. São Paulo: Melhoramentos, 2014. p. 15-22.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Meu caderno de desenho: um espaço de liberdade

Por Tânia Vasone

O caderno de desenho... Este é um dos meus assuntos preferidos. Primeiro, porque sempre adorei desenhar, pois é como consigo me expressar com mais facilidade. Depois, porque o desenho das crianças é encantador, suas ideias, seus ínfimos detalhes, suas cores e, principalmente, o contraponto entre a complexidade e a simplicidade.

A escola sempre teve uma grande preocupação com a linguagem do desenho mas, antes, este era feito em folhas arquivadas em pastas.  A ideia do caderno, a partir do 2º ano, veio para dar maior importância à produção das crianças, ao desenho autoral, à criação sem temas ou técnicas, como os artistas que estudamos, que tinham um caderno de desenho para registros e experimentações de suas obras, como Leonardo Da Vinci, Frida Kahlo e Leonilson, entre tantos outros.

 

Este caderno tem um formato diferenciado, em um tamanho que permite que os alunos possam levá-lo para registrar suas ideias, pensamentos, gostos, formas e emoções.


Temos um horário na semana no qual eles se dedicam ao caderno, em classe, quando compartilham ideias e, muitas vezes, criam desenhos coletivos.


No 3º ano, a professora Débora relatou: “Essa turma adora fazer desenhos coletivos! Normalmente fazem em duplas e os desenhos "se completam" no caderno de cada um. Desta vez, após apresentar o jogo dos astecas e ter conversado um pouco sobre o local onde essa civilização morava, eles me perguntaram se era parecido com a floresta amazônica. Eu disse que era um local com muita vegetação, com espécies diferentes de plantas. Logo em seguida, era o horário do caderno de desenho. O desenho começou com um trio (Pedro, Miguel e Olívia), em seguida as outras crianças se interessaram pelo "desenho super coletivo". Eles se organizaram, pois a floresta tinha que ter muitas árvores, mas não podia ser tudo igual! E, assim, construíram a "floresta"!  Adorei o resultado! Mas adorei ainda mais o processo de criação!

Os alunos podem ainda levar o caderno para casa e fazer um desenho especial, bem caprichado com mais tempo. No retorno, sempre fazem questão de me mostrar, orgulhosos do resultado estético. 

Ao longo do ano, acompanhamos a produção nos cadernos e pontuamos com os alunos as melhores soluções e conversamos sobre os temas e as preferências – estes são momentos de muita troca e aprendizado. Vemos aparecer no caderno as novas técnicas que aprenderam, temas de projetos e assuntos que os encantam em livros ou filmes. Nosso intuito é que eles mantenham por mais tempo este desejo de criar, que registrem suas experiências estéticas e experimentações em arte.

Este caderno é um espaço de liberdade, onde a criança pode registrar, sem interferências, o que desejar. Um lugar para sonhar: ser o personagem favorito, lembrar de um lugar feliz, uma viagem, uma praia, representar seu “melhor” amigo, jogar, inventar monstros e heróis, lutar e ganhar a batalha, enfim, um lugar muito especial para cada um.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Comemorar ou não o Dia das Mães e o Dia dos Pais na escola?

Um retrato da mudança dos tempos e da sociedade.

Nos últimos anos, este debate tem ganhado força na sociedade e no meio educacional, dividindo opiniões. É bem verdade que as datas foram criadas pelo comércio, que muitas vezes vêm carregadas de estereótipos que não cabem mais e pieguice. Aqui no Colégio, acreditamos que podemos dar outra conotação a datas como estas.  A de reconhecimento, de memória afetiva e de reflexão sobre os papéis e as novas configurações familiares. 

A sociedade mudou, os tempos mudaram, o olhar sobre o outro também mudou, as famílias mudaram. Entretanto, o que não mudou foi a importância e a emoção marcante de momentos de afeto e cumplicidade entre mães ou pais e seus filhos.

E como não guardar naquela pasta ou caixa de guardados aqueles cartões ou desenhos feitos pelas crianças? Olhar para eles é voltar no tempo.

O site da Educar para Crescer, parceira de nossa escola, traz boas dicas sobre como conduzir com as crianças as comemorações do Dia das Mães – o mesmo valendo, é claro,  para o Dia dos Pais.

“Além de tratar a questão com cautela, a escola deve tomar cuidado para não transformar o Dia das Mães em uma comemoração sem qualquer significado. É preciso mostrar para as crianças que as mães são importantes sempre, e não apenas nessa data específica, que atualmente está muito ligada ao comércio.
(...) A família do século 21 não é a mesma de algumas décadas atrás. Há casais separados, pais que estão no segundo, terceiro, quarto casamento, madrastas e padrastos que são tão queridos quanto mães e pais biológicos... Por isso, trazer a família para a escola nessa data é também uma forma de fazer uma reflexão sobre essas mudanças. "Além da homenagem, que emociona muitas mães, esse poderá ser um bom momento para aproximar os pais da escola e mostrar-lhes o trabalho desenvolvido com seus filhos. “Ainda leva a refletir sobre as diferentes estruturas familiares, valorização da família e da vida”, pondera a psicóloga educacional Rosângela Cabrera.”

Neste Dia das Mães, gostaríamos de homenagear, além de todas as mães de nossos alunos, também, uma mãe em especial. No último dia 29 de abril, a fundadora da escola Patrícia Helena Mendes de Almeida teria completado 80 anos. Falecida há dez anos, seu espírito e seus ideais continuam a inspirar nosso trabalho diário. 

Patrícia sempre defendeu que se comemorasse o Dia das Mães na escola, não como uma data meramente comercial, mas como um momento de convivência da comunidade escolar, de compartilhar experiências, do fazer coletivo e do brincar entre mães e filhos. 

Foram diversas experiências incríveis e emocionantes ao longo de todos estes 50 anos de existência de nossa escola. As comemorações e escolhas das atividades e representações das mães e seus papéis pelos alunos refletiram as mudanças de comportamento e padrões de cada época. A escola foi fundada em meados dos anos 60 – em 1966 – marco das profundas mudanças no papel da mulher na sociedade. 

Falar sobre Patrícia é lembrar que em toda grande obra existe um idealizador que acreditou, trabalhou e lutou contra as adversidades. Como todas as mães, queria que seus filhos tivessem uma experiência escolar que fosse ao mesmo tempo acolhedora e desafiadora. Assim, foi a mãe e professora Patrícia que, acreditando no valor da educação, criou as escolas Bola de Neve e o Colégio Hugo Sarmento. Dela nos lembraremos não só pela enorme capacidade idealizadora, pela tenacidade e perseverança, como também e principalmente pela audácia de promover um ensino inovador e de extrema qualidade. Nos inspiramos também, diariamente, em seu amor pelos livros e pelo conhecimento.

No ano que vem completaremos 50 anos de existência, é bom refletirmos sobre o passado, lembrarmos bons momentos vividos e discutirmos nosso futuro. 

Desejamos a todas as mães – sejam elas naturais, madrastas ou adotivas – que este dia seja repleto de carinho, de reflexão e de aproximação com seus filhos. 
Patrícia com seus filhos Tica e João, atuais diretores.  

quarta-feira, 29 de abril de 2015

A prática da leitura nas aulas de Inglês

Professora Andrea Baranski

Ler está totalmente relacionado à vida do estudante, pois é uma das habilidades indispensáveis para adquirir conhecimentos, organizar pensamentos, ampliar o vocabulário. Não significa, entretanto, que a leitura se faz apenas ao se decodificar símbolos, mas sim, ao se interpretar e compreender o que se lê, pois é por meio da leitura que podemos entender o mundo à nossa volta. 

A leitura é um processo interativo, que engloba o conhecimento linguístico e conhecimentos textuais. O conhecimento linguístico corresponde ao vocabulário, às regras da língua e o seu uso, e o conhecimento textual é a experiência que cada leitor possui em relação ao que será lido, ou seja, é um conhecimento prévio relacionado à experiência de cada indivíduo.

Ler é realmente fascinante, é desvendar segredos, é estimular pensamentos, é transformar ideias, por isso, não se deve esquecer que a leitura não é uma prática neutra, pois entre o leitor e o texto estão envolvidas questões culturais, políticas, históricas e sociais. Como toda leitura é uma construção de sentidos, as crianças procuram construir sentido para o mundo que as rodeia, e, assim, passam a perceber relações de afeto, manifestar preferências e rejeições. Assim, antes de se tornar leitor de palavras, a criança já vivenciou diversas leituras de mundo. 

O ato de ler, mesmo com toda a tecnologia colocada ao alcance do ser humano hoje, é uma prática indispensável em qualquer meio e constitui um dos fatores essenciais para aquisição do conhecimento. Usar diferentes métodos para ensinar a ler faz com que os alunos tenham mais interesse na leitura, internalizem o conhecimento no decorrer do curso, se sintam mais estimulados e entusiasmados a aprender.

Desta forma, a preocupação com a leitura não se restringe somente aos professores de português, mas a todos, de todas as áreas, devendo se voltar para a construção de futuros leitores competentes, trabalhando de modo interdisciplinar as áreas do conhecimento, estimulando o aluno a ser sujeito do seu próprio aprendizado.

Nosso Colégio estimula a leitura de livros de qualidade em diferentes situações de aprendizagem na escola e, é claro, esperamos que este interesse e gosto pela leitura sejam um alicerce para a vida do aluno em todas as demais situações, dentro e fora da escola.

Mas, e para ler textos em inglês?

É importante mostrar ao aluno que não é necessário saber a tradução de todas as palavras, ou mesmo saber tudo em inglês, para poder compreender os textos.

Neste ano, solicitamos aos alunos do Fundamenta1 a leitura de livros paradidáticos em inglês selecionados para ampliar suas experiências de leitura em outra língua. 

Para o 2º e o 3º ano, selecionamos textos já conhecidos em português, o que ajudará a não ter que desvendar a narrativa, mas tentar buscar o significado das palavras dentro do contexto.

                          2º ano                                              3º ano
 

Para o 4º ano, o texto tem uma estrutura semelhante aos textos informativos que já conhecem bastante e o apoio das imagens e legendas colaboram para a compreensão. Para o 5º ano, o contexto da cidade de Nova York estimula a curiosidade e o interesse para desvendar a leitura e a relacionar o que os alunos já sabem aos novos conhecimentos.

                               4º ano                                        5º ano
  

Pensamos em algumas estratégias que auxiliarão na leitura:

•  O aluno aprenderá que na Língua Inglesa há palavras que se parecem com as do português, podendo ou não ter o mesmo sentido nas duas línguas (cognatos e falsos cognatos);

•  O aluno desenvolverá a compreensão de que a organização de um texto é parte integrante de seu significado;

•  Desenvolverá habilidades de leitura referentes ao uso da inferência, ao praticar a combinação de conhecimentos prévios acerca de determinado assunto com pistas encontradas no texto, para chegar a conclusões lógicas;

•  Conhecerá e utilizará a estratégia de leitura “skimming”, que consiste em extrair o sentido geral de um texto em Língua Inglesa e “scanning”, que consiste em extrair informações específicas.

Além destes livros, nossos alunos levaram para casa uma lista com diversos livros apropriados para sua faixa etária e disponíveis nas livrarias.

Boa leitura a todos! Enjoy it!