quarta-feira, 15 de junho de 2016

Precisamos falar sobre política

 por Pedro Mancini

Sim, é um tema ardiloso. Mas, como educadores, não podemos nos abster de falar sobre ele – mesmo (ou principalmente) em tempos de radicalismos e polarizações...

Como é bem sabido, vivemos em um período político delicado, em que a população brasileira se encontra fortemente dividida em concepções ideológicas muito diferentes. Nesse contexto, a instituição escolar aparece como um dos muitos palcos em que os atritos político-ideológicos cotidianos se manifestam, causando grande estardalhaço e numerosas polêmicas: por vezes, educadores e educandos possuem visões de mundo diferentes, causando situações embaraçosas ou até conflitos diretos. Como a escola deve proceder nesses momentos, quando a polarização pauta as conversas políticas cotidianas, e sabendo da responsabilidade e do “poder de palavra” do professor?

Há aqueles que defendem que as crianças e jovens devem ser protegidos das opiniões dos professores, vistos como potenciais “ameaças” às mentes infantes. Essa desconfiança já resultou, inclusive, na aprovação de um projeto de lei em Alagoas que proíbe os professores de manifestarem suas convicções em sala de aula; movimentos similares ocorrem em outras partes do país, como no Amazonas.

O Colégio Hugo Sarmento não compartilha dessa visão, vendo com preocupação um movimento que defende a censura direta dos professores de diversas matérias – o que resultaria, simplesmente, no enorme retrocesso de uma educação que se pretende autônoma, crítica, inclusiva e transformadora. Em verdade, nossa instituição acredita que as aparências enganam e que, na verdade, estamos em um momento muito propício e fecundo para falar sobre política na escola caso escapemos da simples polarização. É a oportunidade perfeita para que educadores cumpram um de seus mais importantes papéis, qual seja: desenvolver o pensamento autônomo e a empatia, preparando os jovens para refletir, questionar, escutar o próximo e se colocar em seu ponto de vista para refinar seu pensamento e suas convicções.

Os professores, ao escaparem da perigosa tentação de explanar seu ponto de vista como o único verdadeiro e possível, podem preocupar-se muito mais em instigar o aluno a se informar o máximo possível e a desenvolver respeito pelas diferentes possibilidades de interpretação dos fatos políticos e sociais, o que acarreta no desenvolvimento de uma convivência ética, pilar de uma sociedade democrática que preza pela diversidade.

Nessa perspectiva, o professor não precisa esconder suas próprias convicções dos alunos, visto que tal obscurecimento, além de desonesto, não seria nada além de uma autocensura que atua em oposição à proposta humanista de consideração a toda visão política que respeite os Direitos Humanos e suas prerrogativas; apenas se precaver para a diferença entre expressar as opiniões e impô-las como as únicas possíveis, ou como moralmente superiores a todas as demais.

Antes de um rival ou um aliado político, o professor deve ser visto (e se fazer ver) como um indivíduo com opiniões a serem respeitadas como quaisquer outras que se pautam em valores humanos básicos, e diretamente responsável por auxiliar o jovem a tratar os demais com o máximo de respeito e consideração, estimulando o debate saudável e construtivo. Desarmado da necessidade de expor seu ponto de vista como o único viável, o educador deve apresentar ao aluno um leque de possibilidades interpretativas sobre a realidade, tal como ajudá-lo a desenvolver as habilidades mínimas para refletir criticamente e construir argumentos válidos e aprofundados para fundamentar suas próprias opiniões, seu próprio posicionamento, sem a necessidade de desrespeitar ou deslegitimar argumentos contrários.

Esse é o objetivo das disciplinas que tratam diretamente de assuntos relacionados ao espinhoso território da política, como Sociologia e Atualidades e Política. A disciplinas como essas cabe a importante missão de desenvolver a civilidade em nossos jovens, auxiliando a sociedade a “desarmar a bomba” do radicalismo ideológico – que constantemente seduz parte dos brasileiros à barbárie do desrespeito e do desprezo pela diferença (e, no limite, à desumanização). Em momentos turbulentos, cabe o desafio de relembrarmos os riscos do fanatismo e as vantagens éticas da convivência com a diversidade, pautada pelos princípios da racionalidade.

No caso específico de Atualidades e Política, trabalhamos o respeito à diversidade de opiniões, o senso crítico e a argumentação mediante a condução de debates orientados sobre temas polêmicos das realidades sociopolíticas nacional e internacional. A grande maioria dos temas é selecionada pelos próprios alunos, enquanto alguns são recomendados pelo próprio professor de acordo com sua relevância; a seguir, cada grupo responsável pela condução dos debates é orientado a ler alguns artigos opinativos sobre o assunto antes da aula, além de poder adensar suas argumentações mediante pesquisas próprias. Nessa dinâmica, os alunos por vezes ficam com a responsabilidade de defender pontos de vista contrários às suas próprias convicções – um excelente exercício não apenas de retórica, mas de empatia por aqueles que não partilham de sua visão de mundo!


Nesse trabalho, contamos com um elevado nível de participação dos alunos, que se sentem satisfeitos pela oportunidade de expor seus pontos de vista e desafiá-los em embates argumentativos pautados pela racionalidade, pela tolerância e pelo respeito mútuo. E de quebra, é claro, desenvolvemos os conhecimentos dos educandos sobre a realidade que os cerca, sobre os últimos eventos do Brasil e do mundo, e os preparamos para tornaram-se adultos responsáveis, respeitosos e bem informados, capazes de ler e interpretar criticamente notícias e opiniões alheias de modo a desenvolverem seus próprios pontos de vista com total autonomia. A seguir, a lista de temas abordados nessas aulas desde o início do primeiro trimestre do ano letivo, seguindo sugestões dos próprios educandos:

- O Zika Vírus e a realização de aborto em casos de microcefalia
- Amamentação em público
- A existência da transfobia
- A abordagem de questões de gênero em sala de aula 
- Críticas à Base Nacional Comum Curricular
- Legalização das drogas: vantagens e desvantagens
- Legalização da prostituição: vantagens e desvantagens
- Processo de Impeachment de Dilma Rousseff: Golpe ou não?
- "Bela, recatada e do lar": Houve machismo na reportagem da Veja?
- Propostas para a reforma política: Voto distrital e proporcional
- Eleições americanas
- Controle sobre o porte de armas: problema ou solução?
- O movimento de ocupação de escolas públicas do Estado de São Paulo
- Órgãos reguladores e o caso da limitação de dados das empresas de telecomunicações

Aos familiares dos alunos, também cabe a tarefa de sempre estimulá-los a se informar sobre o que está ocorrendo no mundo e a desenvolver e fundamentar suas perspectivas sobre esses acontecimentos. Desprovidos dessas informações e do hábito de ler e interpretar notícias e desenvolver opiniões com autonomia, nossos jovens ficam carentes de alguns atributos imprescindíveis para o pleno exercício da cidadania – condição determinante para evitarmos a barbárie e garantirmos a convivência ética um momento tão sensível e inclinado à polarização quanto o atual!

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Manifestação Cultural

Saiba mais sobre as manifestações culturais da Região
Centro-Oeste...
Por Rosana Nunes

"Nós, brasileiros, somos um povo em ser, impedido de sê-lo. Um povo mestiço na carne e no espírito, já que aqui a mestiçagem jamais foi crime ou pecado. Nela fomos feitos e ainda continuamos nos fazendo. Essa massa de nativos viveu por séculos sem consciência de si... Assim foi até se definir como uma nova identidade étnico-nacional, a de brasileiros..." 
Darcy Ribeiro, em O Povo Brasileiro

O antropólogo Darcy Ribeiro (1922-1997) é autor de uma das obras importantes para se compreender a formação étnica e cultural do povo brasileiro, o ensaio histórico-antropológico O Povo Brasileiro – A formação e o sentido do Brasil, editado em 1995 e que completa 20 anos em 2015.

Manoel de Barros e Cora Coralina são exemplos de pessoas ilustres da Região Centro-Oeste que vêm nos encantando com sua poesia.

Neste trimestre continuamos em nossa viagem ao Centro do Brasil conhecendo mais sobre a cultura típica da região por meio das danças, músicas, vestimentas, barraca das brincadeiras e um pouco da culinária e retrataremos tudo isto na nossa tradicional Festa Junina de 2016.

Neste mês de junho os alunos puderam perceber que a cultura é bem diversificada em função das contribuições dos indígenas, paulistas, mineiros, gaúchos, bolivianos e paraguaios que povoaram a região.

As danças escolhidas e adaptadas para os alunos retratarem na nossa festa junina foram:

DANÇA: CHORADO
Esta dança surgiu no período colonial/imperial, quando escravos fugitivos ou transgressores eram aprisionados e castigados pelos Senhores e seus entes queridos solicitavam seu perdão e liberdade dançando o Chorado. A coreografia tem um ponto diferente de outras danças mato-grossenses autóctones, devido ao equilíbrio das garrafas na cabeça das dançarinas, as quais cantam e dançam um tema próprio. 

DANÇA: MASCARADOS
A Festa de São João de Corumbá se destaca com uma procissão até o cais do Paraguai. A dança dos Mascarados embeleza, com seu colorido figurino. Os movimentos da dança lembram os de uma quadrilha, e os dançarinos mascarados, como no teatro grego.

DANÇA: SIRIRI
O Cururu e o Siriri são um misto de elementos africanos, europeus (Espanha e Portugal) e indígenas que ecoam a religiosidade e a brincadeira.

Em Mato Grosso, o siriri é dançado por crianças, homens e mulheres em rodas ou fileiras formadas por pares, que acompanham toadas cujos temas mudam de verso para verso e cujas composições exaltam santos, cidades, a natureza e até pessoas.

CATIRA
Dança típica do Estado de Goiás, é também conhecida como cateretê em Minas Gerais e São Paulo. Marcada por palmeados e sapateados, a dança é por tradição exclusivamente masculina, mas nota-se atualmente a presença de mulheres. E dançada coletivamente, não necessariamente por pares, o que dá liberdade de execução individual aos seus participantes. É dança rural, outrora realizada em agradecimento ao santo de devoção pela boa colheita.

A MÚSICA SERTANEJA é a principal marca de expressão musical da região Centro-Oeste e estará presente durante todo o nosso festejo. 
 
A Viola-de-Cocho é um instrumento musical encontrado nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. É um símbolo nas danças tradicionais da região. Recebe este nome por ser confeccionada em tronco de madeira inteiriço, esculpido no formato de uma viola e escavado na parte que corresponde à caixa de ressonância. Esse instrumento é feito da mesma maneira como se faz um cocho, objeto lavrado em um tronco maciço de árvore usado para colocar alimentos para animais na zona rural. A Viola-de-Cocho foi reconhecida como patrimônio nacional, registrada no livro dos saberes do patrimônio imaterial brasileiro.

Os alunos do 5º ano fizeram uma pesquisa sobre a história da viola, conheceram as características do instrumento e finalmente projetaram e confeccionaram a viola usando material reciclado. Foi um momento muito desafiador para o grupo pensar nos materiais necessários e usar o manejo de diferentes ferramentas .

 
 
Além dessas danças, são ainda comemoradas: Folia de Reis, Festa do Divino, Festa de São Benedito, Romarias do Divino Pai Eterno, Congada de Catalão, Nossa Senhora dos Navegantes, entre outras. 
Mas, isso, retrataremos na nossa tão esperada exposição!

Gostaríamos de compartilhar o universo da Região Centro-Oeste e, para isso, estamos preparando uma sequência de posts para o nosso BLOG com nossas descobertas!

AGUARDEM!!!

 

Acesse!



O Povo Brasileiro - Obra de Darcy Ribeiro



quarta-feira, 1 de junho de 2016

Dois anos do BLOG do HUGO

Completamos, este mês, dois anos de existência! Nossa ideia não foi fazer uma “revista” de divulgação sobre o que ocorre no dia a dia da escola, mas, sobretudo, trazer temas, ideias, suscitar questionamentos acerca da nossa prática pedagógica diária, as orientações para os pais e uma mostra dos projetos dos diversos segmentos, da Educação Infantil ao Ensino Médio, pela visão de diferentes profissionais que compõem a equipe da escola.

Semanalmente, durante este período, mostramos as várias faces do trabalho realizado aqui no colégio.

Para evitar uma visão “institucional”, pedimos aos membros de nossa equipe – professores, tutores e orientadores – que propusessem temas e escrevessem sobre diversos assuntos; que mostrassem sua experiência, vivências, engajamento e visão sobre o que nos estimula e instiga como educadores.

Os temas escolhidos foram os mais diversificados, com o objetivo de cobrir uma gama ampla de abordagens e atender às diversas faixas etárias e interesses do público do blog, composto por pais, alunos e ex-alunos, profissionais e interessados em geral.

Só para lembrar o que já passou por aqui:

2014 _________________________

- As mudanças de ciclo na escola
- Festa Junina 2014
- Estudos do Meio
- Projeto Nutrição
- O importante período de férias
- REINICIAR... As férias chegaram ao fim, já é hora de retornar
- Dia dos Pais 
- Pensando em 2015...
- ÁGUA - É preciso conscientizar
- Seres fantásticos 
- A história das Exposições - nosso percurso na arte-educação 
- Sobre as Reuniões de Pais 
- Exposição  2014
- A Construção da Cidadania 
- BULLYING: Isto não é brincadeira 
- Dia do Professor 
- 5º Simpósio Interno 
- A aprendizagem de línguas estrangeiras na nossa escola
- A Educação Física no Colégio Hugo Sarmento
- Aprender a falar bem é conteúdo escolar
- Avaliação Final – A hora é agora
- O Ensino de Física no Colégio Hugo Sarmento
- Comunicar é preciso

2015 __________________________

- O valor da equipe
- O afeto e o livro
- Lição de Casa – Uma atividade importante para a formação estudantil
- Da ponta do verso
- Aulas de Culinária para crianças da Educação Infantil
- Olhar curioso, espírito investigativo e aquela vontade de desvendar todos os mistérios do mundo!
- Os estudos sobre espaço e forma
- O que é empatia para você?
- Formando leitores apreciadores de literatura
- Quem canta seus males espanta - Mais uma edição comemorativa
- A leitura e a descoberta dos clássicos
- A prática da leitura nas aulas de Inglês
- Comemorar ou não o Dia das Mães e o Dia dos Pais na escola?
- Meu caderno de desenho: um espaço de liberdade
- Brincando em serviço
- Atenção e memória
- Por que estudar sobre a China?
- Sobre escolas e palavrões
- Ler notícias no 3° ano
- A biblioteca como um espaço de aprendizado e lazer
- Decorar ou entender a tabuada?
- Escola é lugar de brincar!
- A morte, um assunto que ninguém gosta de tratar
- Cambridge English Exams
- A Educação Física para além da quadra
- A Geografia e o despertar para a dinâmica das cidades
- China: O que ainda temos a aprender?
- Criança ou Adolescente? A passagem para o 6º ano: “– Eles estão crescendo!”
- O ENEM no Hugo Sarmento
- Dia do Professor - Homenagem a Hugo Sarmento e à nossa equipe
- Do-in nas aulas de Yoga
- INCLUSÃO: uma demanda social que deve ser enfrentada sem rodeios
- VI SIMPÓSIO INTERNO - Os caminhos da proposta curricular
- Preparando as comemorações
- Estudar, sim! Mas, como? O trabalho de orientação de estudos na escola

2016 ___________________________

- Olhar para trás para seguir em frente
- Um olhar de quem está chegando
- O primeiro aluno
- Marco, Flávia e Alessandra - Ex-alunos que retornam como parte da equipe.
- Homenagem aos professores nos 50 anos da escola
- Quem quer brincar?
- Conhecimentos científicos na escola: transformar as informações em ações!
- A Importância do Silêncio
- A leitura está para a mente como a natação para o corpo. A orientação para a leitura de obras literárias no Ensino Médio.
- As aulas de robótica no Hugo
- Situações Comunicativas
- Sobre o brincar, um encontro e horizontes.
- Agrupamentos em sala de aula – o que os alunos podem aprender com isto?
- Pensando sobre a dependência do uso da internet
- É lógico!

Uma rápida olhada nestes diversos posts nos mostra a quantidade imensa de questões e possibilidades de trabalhos desenvolvidos pelos alunos aqui no Hugo, e mostra, ainda, as atuais exigências dos profissionais de educação e a experiência de fazer parte desta equipe e deste nosso jeito de fazer escola.

Escrever sobre os processos de ensino-aprendizagem, sobre a convivência no ambiente escolar e sobre as distintas relações que aqui se estabelecem estimula cada um dos profissionais a refletir e compartilhar.

Acreditamos na importância deste blog como veículo de transmissão de nossa visão de ensino que só se completa pela interação com o público a que se destina.

Para tanto, é muito importante o retorno dos leitores com comentários e sugestões sobre os temas a serem desenvolvidos aqui. Releia as postagens, comente, traga suas dúvidas e sugira novos temas.

Por favor, clique neste link https://pt.surveymonkey.com/r/blogdoHugo e responda a esta pesquisa rápida. 

Desde já agradecemos!

quarta-feira, 25 de maio de 2016

É lógico!

Por Leonardo Masaro


Professor: “O que é lógica?”
Aluno: “Lógica é uma coisa que... que faz sentido!”

Precisamente. Assim começou o curso de lógica para a 2ª série do Ensino Médio, na disciplina de filosofia. A lógica diz respeito à forma correta do pensamento, e a como tirar conclusões coerentes a partir de argumentos. No exemplo clássico:

Sócrates (a) é um homem (b) → a=b
Todo homem (b) é mortal (c) → b=c
Logo, Sócrates (a) é mortal (c) → a=c

A mortalidade de Sócrates decorre logicamente do fato de ele ser um homem. A esse esquema de pensamento Aristóteles deu o nome de silogismo. É interessante notar que a lógica trata apenas da forma do pensamento; seu conteúdo precisa ser de antemão correto. No vocabulário técnico, esses dois aspectos são chamados de validade e verdade de uma proposição lógica. Assim:

Os cachorros são inteligentes
Todo ser inteligente fala
Logo, os cachorros falam 

Esse silogismo é válido, isto é, está formalmente correto (a=b; b=c; a=c), e, contudo, sua conclusão é falsa, pois não é verdade que “todo ser inteligente fala”. Por outro lado, 

Todos os ziriguiduns são tchutchucas
Pedrinho é um ziriguidum
Logo, Pedrinho é um tchutchuca

Esse silogismo é formalmente correto, mas sua verdade é uma questão em aberto: o que são ziriguiduns e tchutchucas? Vemos, pois, que a lógica é uma ferramenta útil para se decidir sobre a validade de argumentos num debate – desde que haja acordo sobre sua verdade...

E quanto à sala de aula? Um exemplo de atividade interessante desenvolvida pelos alunos da 2ª série foi o jogo dos silogismos. Dividiu-se a classe em dois grupos. Cada um deles fez um desafio ao outro: partir de uma proposição e chegar, por meio do raciocínio lógico silogístico, a uma conclusão. A graça está no disparate. Por exemplo:

Premissa: João é um homem
Conclusão: Planeta Marte

João é um homem.
Todo homem é um mamífero
Logo, João é um mamífero

Mamíferos têm pulmões
Pulmões servem para respirar
Logo, João [que é um mamífero,] respira

Os animais que respiram, respiram oxigênio
Marte não possui oxigênio
Logo, João, [que é um mamífero, que respira], não respirará em Marte.
Imaginem a dificuldade que um dos times enfrentou para resolver este desafio:

Premissa: Os ratos gostam de queijo
Conclusão: basing-jump (um tipo de esporte radical)

Outra atividade, em desenvolvimento, é o uso da lógica como ferramenta de análise de textos argumentativos e de opinião. Nessa atividade, atualmente em curso, os alunos recebem artigos de opinião recentes, publicados em jornais, e devem fazer uma análise lógica dos mesmos: identificar as premissas, a cadeia argumentativa, e as conclusões a que chegou o autor ou autora. A partir disso, é discutida a validade de tais conclusões e, num debate mais aberto, a verdade de todo o argumento.
Estão sendo trabalhados textos de colunistas da Folha de São Paulo, como Luiz Felipe Pondé, Guilherme Boulos, Demétrio Magnoli e Vladimir Safatle, tratando de assuntos como a situação política atual, feminismo, uma teoria dos estágios da felicidade, o clima de intolerância em que vivemos, a questão de saber se o Brasil é um país muito religioso, o que é o populismo, etc. Neste processo, é curioso descobrir a diferença entre, ao invés de apenas discordar dos argumentos de um autor por algum motivo íntimo não questionado, reconhecer que, dado um ponto de partida, uma argumentação faz todo o sentido lógico, mesmo que não se concorde com ela.

Afinal, nem sempre o que é claro é lógico, nem o que é lógico, claro!

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Pensando sobre a dependência do uso da internet

Por Pedro Mancini

A atual fase da modernidade trouxe consigo, como um de seus benefícios, uma indiscutível melhora nos processos comunicativos: hoje, é conhecida e frequentemente destacada a possibilidade de interagirmos instantaneamente com pessoas das partes mais longínquas do globo. Ao mesmo tempo, estamos abertos à possibilidade de comunicação virtual em qualquer momento e local, bastando, para isso, que tenhamos acesso à tecnologia Wi-fi ou ao 4G do smartphone. Assim, podemos permanecer online em vários momentos do dia, estando aptos a receber mensagens instantâneas de nossos amigos, familiares e parceiros amorosos em tempo integral.

Concomitantemente, as possibilidades de entretenimento também se expandem exponencialmente com as novas tecnologias. Redes sociais como o Facebook, o Twitter e o Snapchat, canais de vídeos como o YouTube e inúmeros jogos fortemente envolventes também estão disponíveis à ponta de nossos dedos, e a tentação para acessá-los pode ser bastante poderosa. Poucos smartphones, atualmente, estão alheios a essas possibilidades – muito embora os notebooks e computadores pessoais de mesa ainda possuam vantagens técnicas e gráficas com relação a seus pares portáteis. 

É inegável que não podemos desprezar ou nos rebelarmos cegamente contra essas tecnologias: além de serem quase absolutamente inevitáveis no dia a dia de uma metrópole como a nossa, são bastante úteis e, em muitos casos, muito agradáveis. Permitem o acesso imediato a praticamente qualquer espécie de informação, a comunicação emergencial para a resolução de problemas urgentes, e são apropriadas como ferramentas para amenizar estresses trazidos pela vida cotidiana – fornecendo verdadeiras “dimensões paralelas” de magia e encanto, capazes de animar o mais cansado dos espíritos.

No Colégio Hugo Sarmento também valorizamos essas ferramentas. Nossos professores, munidos das novas tecnologias da informação, combinam as possibilidades pedagógicas trazidas pela modernidade com sua criatividade pessoal para planejarem aulas digitais que, além de abordarem temas escolares sob uma nova e enriquecedora perspectiva, são atraentes e dialogam com a realidade de nossos jovens – que aprendem, desde a tenra infância, a operar tecnologias que só se tornaram familiares para nossos olhos adultos há poucos anos.  Nenhuma instituição escolar pode se dar ao luxo de ignorar a informática e a virtualidade, e nossa equipe de professores não apenas está ciente dessa impossibilidade como possui iniciativa para acompanhar os movimentos da onda de inovação tecnológica in loco, vivenciando uma contínua atualização profissional. 

Como todas as características da modernidade, contudo, as “novas tecnologias” acima citadas possuem seu lado ardiloso – atuando, muitas vezes, como armadilhas para os mais distraídos. Tudo é tão grandioso na internet (como, por exemplo, suas ferramentas de busca, suas possibilidades de interação e de diversão) que é fácil nos percebermos totalmente mergulhados nela – passando da condição de meros usuários da tecnologia para simples utensílios da mesma! A vigilância deve ser contínua para que escapemos dessa absoluta inversão, mantendo um controle mínimo sobre como a tecnologia compõe nossa vida diária. 

Entendendo os riscos dessa imersão, e reconhecendo o quanto eles são especialmente presentes na vida das crianças e jovens (os chamados “nativos digitais”, que podem encontrar ainda mais dificuldades em interromper ou reduzir o uso de tecnologias mais atuais do que os adultos que já viveram tempos “menos tecnológicos”), o Colégio Hugo Sarmento articulou uma palestra de orientação sobre vício em internet, celulares e jogos eletrônicos em uma quinta-feira, dia 28 de abril – associando-a com as aulas de tutoria do Ensino Médio. 

A palestrante, Dra. Sylvia van Enck Meira, é formada e mestre em Psicologia pela USP e trabalha no Programa Ambulatorial dos Transtornos do Impulso (PRO-AMITI) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas. Entre as especialidades do setor, está a dependência da internet; assim, diversos profissionais do HC são comprometidos com a pesquisa e atuação junto a pessoas que apresentam essa dependência, que contam com atendimento especializado e grupos de apoio para minimizar sua relação com as tecnologias da informação, tornando-a muito mais saudável, de modo a não comprometer a produtividade e a própria felicidade individual. 

Abrangendo as três séries do Ensino Médio, a palestra foi dedicada a esclarecer as situações que geram dependência da internet, tais como seus sintomas, os impactos sobre a vida diária e as formas de detectar e administrar tal dependência. Uma versão do teste utilizado para medir o nível de dependência de pacientes do HC foi aplicada junto aos alunos, para que eles mesmos pudessem desenvolver consciência a respeito de como anda sua relação com o computador, o smartphone e seus inúmeros encantos e tentações. 

Esperamos que nossos jovens, munidos das informações dadas pela palestra e das orientações passadas pela tutoria, desenvolvam uma relação de “parceria saudável” com quaisquer formas de tecnologia que existem ou ainda existirão nessa era de permanentes mutações, por mais fascinantes e sedutoras que elas pareçam aos seus curiosos e apaixonados olhos! 

Para quem quiser saber mais:

Link para o site do HC: http://dependenciadeinternet.com.br/




quarta-feira, 11 de maio de 2016

Agrupamentos em sala de aula – o que os alunos podem aprender com isto?

Por Equipe de Tutoria

Essa pergunta está presente no nosso cotidiano, em todos os segmentos da escola. Além do conteúdo planejado, a forma como a sala de aula é organizada ajuda na aprendizagem e indica o que se espera de cada aluno.

Nas duplas, trios ou pequenos grupos de trabalho, além da construção do conhecimento, muitos valores são desenvolvidos como os de cooperação, argumentação, união de esforços, respeito à opinião do outro.


No trabalho conjunto aparecem os desafios nos relacionamentos. Muitas vezes há queixas iniciais sobre os colegas, mas, quando o trabalho flui, o compromisso com o outro tende a aumentar e passam a se respeitar e conviver melhor entre si.

Acreditamos que, além de todos os objetivos pedagógicos dos agrupamentos, aceitar mudanças é um ponto importante. Para mudar o olhar e o papel de cada um no grupo é preciso ir além do que é confortável e auxiliar o aluno a alterar a percepção de si mesmo e do outro.

Mario Sergio Cortella cita em seu livro Educação, Escola e Docência – novos tempos, novas atitudes: “Se há algo que nós humanos temos dificuldade é de assimilar processos de mudança. Mudar é complicadíssimo. Gostamos muito daquilo que nos é familiar, ao que já estamos habituados. Tem gente que senta no mesmo lugar à mesa para comer há 10, 20 ou 30 anos. Quando vem alguém de fora e não conhece os hábitos da família e se senta naquele lugar, causa uma instabilidade no ambiente. A pessoa até perde o apetite porque alguém ocupou a cadeira a qual está habituada.”

Esse processo é intenso e está ligado à maturidade de cada faixa etária. No colégio Hugo Sarmento, nós, professores, orientadores, coordenadores e tutores construímos esses agrupamentos com muito cuidado e afetividade. No Fundamental I, este trabalho é iniciado e a partir do 6º ano os alunos já participam destas decisões e fazem suas observações e críticas sobre esses agrupamentos, participando ativamente do olhar para si e para o outro. 

 

Para organizarmos os mapeamentos de sala, cada tutor, junto à sua turma, usa um ou mais critérios para chegar à proposta final.

Começamos com uma conversa sobre valores éticos de equidade e cidadania, a importância da convivência na sociedade e o respeito aos direitos e limites de cada um. Depois, seguimos com um levantamento de situações de relacionamento e dos propósitos e usos da sala de aula, elencando todas as atividades aí exercidas. O objetivo foi fazer os próprios alunos perceberem que a sala de aula é um ambiente para estudo e que para isso é preciso manter a atenção e o foco. A partir dessas conclusões, criamos alguns critérios importantes para atingir nossos objetivos.

Os tutores fazem algumas dinâmicas de socialização, como jogos cooperativos para que todos da turma se conheçam, se olhem, troquem para estabelecer os primeiros vínculos. Em outro momento, os alunos podem ser convidados a responder individualmente por escrito três perguntas propostas pelos tutores: Em qual lugar eu deveria sentar na sala para atingir meus objetivos de estudo? Qual colega é um bom parceiro de trabalho? Qual colega seria um desafio para eu trabalhar?

De posse de todas essas informações, os tutores esboçam uma proposta de mapeamento levando em consideração as indicações dos alunos, dos professores e do próprio tutor. O mapeamento sofre ajustes, de acordo com as diferentes demandas, quinzenalmente ou mensalmente.

Todas as vezes em que há uma mudança, nossos objetivos e critérios do uso e propósitos da sala de aula e das convivências em sociedade são sempre relembrados.

A vida em grupo nem sempre é simples e, para que não perca seu sentido, precisamos ampliar a noção de viver em sociedade e relembrar o que são os valores essenciais de respeito e união. Esses valores não são dados como instruções, mas, sim, como uma construção diária de reciprocidade. E assim vamos exercitando a arte de conviver.


quinta-feira, 5 de maio de 2016

Sobre o brincar, um encontro e horizontes

Por Lia Granado

Pode parecer estranho que justamente quem esteja escrevendo sobre o brincar aqui no Hugo seja a professora do 5° ano. Já falamos sobre este tema aqui no BLOG a partir do olhar das professoras da Educação Infantil ou mesmo dos anos iniciais do Fundamental I. 

A verdade é que a gente, no nosso pensamento cartesiano, acha que conforme as crianças vão crescendo elas deveriam brincar menos. E os adultos, então? Estes é que não estão para brincadeiras mesmo! 

Mas, não é bem assim... para mantermos a nossa saúde, todos deveríamos brincar. O brincar está presente em todas as etapas da nossa vida, ou pelo menos deveria estar. Esta é uma discussão bem longa que é feita de maneira deliciosa no filme Tarja Branca; fica aqui , novamente, o convite para assistirem a este incrível documentário.


Quero agora compartilhar com vocês alguns momentos deste trimestre,  os momentos em que eu e meus alunos brincamos. Sou pedagoga e, como tal, estou sempre preocupada com a aprendizagem. O que dizer do brincar? Uma forma de expressão que envolve o movimento, música, desenho, dança e criatividade. Ainda posso elencar tudo o que esta ação desenvolve: colaboração, resolução de situações-problema, observação e muito, muito mais! Sim, estes momentos foram cheios de aprendizagem. Mas o mais importante é que foram cheios de diversão!

O nosso projeto neste primeiro trimestre foi sobre as Regiões do Brasil e propus para os alunos que conhecêssemos como as crianças brasileiras brincam por este país afora. Toda semana, depois de pesquisarmos, o grupo escolhia algumas brincadeiras e íamos experimentá-las. Estes não eram os únicos momentos de brincadeiras da semana, mas era um dos mais esperados.

Algumas das brincadeiras escolhidas eram muito parecidas com as que os alunos já fazem aqui na escola e outras completamente diferentes, pois tinham uma enorme influência do local em que aquelas crianças viviam, como, por exemplo, a brincadeira da onça que traz muitos elementos indígenas

Brincamos muito na quadra, no morro e na classe. No frio, no calor. Com ou sem brinquedos. Livre ou com regras. O importante era brincar. Rir e se divertir. O aprender veio junto, misturado e meio que sem querer, mas querendo! 


Semana passada nós, professores, assistimos ao filme Território do Brincar, outro filme maravilhoso que acho que você deveria assistir também. Vendo aquelas cenas belíssimas das crianças de diferentes lugares do Brasil brincando, fiquei pensando nestes momentos de brincadeiras que eles têm aqui na escola. Como são importantes e de uma riqueza enorme.

Espero que lá na frente, quando eles se tornarem adultos, as brincadeiras da infância possam ter contribuído para um monte de “coisas”. Mas a coisa mais importante de todas é que possam garantir um enorme sorriso no rosto ao se lembrarem delas. 

E você, há quanto tempo não brinca?

Encontro com Renata Meirelles

Falando em brincadeiras, ontem comemoramos mais uma vez os 50 anos do Colégio com um encontro muito especial; Renata Meirelles, ex-aluna e pesquisadora do Brincar veio nos contar um pouco sobre como foi fazer seu primeiro longa metragem: Território do Brincar.

 

Sabe aquela pessoa que ama o que faz? Que você poderia ficado ouvindo por horas? Que te inspira? É ela! Renata nos contou com um brilho nos olhos como foi a sua viagem pelo Brasil em busca do brincar. Na verdade, em busca do humano, da beleza, do ser, dos sentimentos que o brincar traduz em toda sua essência.

Impossível não se emocionar ao ouvi-la, não se deslumbrar com as fotos,  com os vídeos das crianças brincando. Em meio à sua fala lembrei da minha infância e dos meus alunos brincando. Percebi que aqui em São Paulo, no Maranhão, na Amazônia somos muito parecidos! As crianças são muito parecidas, na hora da brincadeira se entregam totalmente e estão ali com todo seu desejo de ser.

A escola ganhou um grande presente com esse encontro! Enquanto professora, renovei muitas crenças e aprendi um montão de coisas novas. Ficaram dúvidas, dúvidas que me movem. Ficou uma certeza: em um mundo com tanta informação e atribulado... em uma cidade como São Paulo, a escola precisa garantir para os alunos este brincar, tão vital! Aqui no Hugo estamos sempre refletindo, pensando no nosso cotidiano e brincando! 

Agradeço a Renata por compartilhar um pouco da sua rica experiência conosco! Agradeço também por nos encantar. Boa sorte com seu novo projeto e já estou ansiosa para saber mais e mais! Ah, e muitos horizontes para você!

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Entrevista: uma situação comunicativa com muito significado

Por Rosana Nunes

O trabalho com linguagem oral deve acontecer no interior de atividades significativas: seminários, dramatizações de textos teatrais, simulação de programas de rádio e televisão, de discursos políticos e de outros usos públicos da língua oral. Só em atividades desse tipo é possível dar sentido e função ao trabalho com aspectos como entonação, dicção, gesto e postura que, no caso da linguagem oral, têm papel complementar para conferir sentido aos textos.
Brasil. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: 1ª à 4ª série do Ensino Fundamental: língua portuguesa. Brasília: MEC/SEF, 1997.p.49,51 e 52.

Criar situações reais de comunicação, para que os alunos possam planejar a fala, adequando-a aos diferentes contextos comunicativos, é uma das tarefas do colégio.

Durante todo o mês de abril, os alunos do 4°ano realizaram a leitura compartilhada do livro O tambor africano e outros contos dos países africanos de língua portuguesa e, no dia 26, receberam a visita de sua autora, Susana Ventura.

Para a realização deste encontro, os alunos leram a biografia da autora, elaboraram perguntas e trocaram opiniões entre si para observarem se as indagações sugeridas estavam coerentes.

Elaborar boas perguntas com antecedência foi um importante desafio para o grupo, pois, ao realizá-las, os alunos puderam aprender a identificar o que queriam saber sobre o assunto e ainda aprenderam a organizar a forma de perguntar e inquirir.

  • Você foi à África para saber de tantas histórias?
  • Por que o nome do livro é Tambor Africano?
  • Seus descendentes são africanos?
  • De onde você tirou a ideia de escrever um livro de contos africanos?
  • Quanto tempo você demorou para escrever esse livro?
  • Quantos livros você já escreveu? 
  • Você mudou as histórias? Por quê?
  • Você fez esse livro em homenagem a alguém? 
  • Que outras histórias você já escreveu? Você usa alguma coisa de suas viagens para escrever suas histórias?
  • Qual foi sua ideia para criar esse livro?
  • Você já falou com um africano?
  • Por que você escolheu esses países para escrever  o livro?
  • Quantos contos da África você já conheceu?
  • Como você traduziu esse livro?
  • O que precisa para escrever um livro?
  • Por que você decidiu ser escritora?
  • Você já pensou em outros trabalhos? Sobre o que vai escrever?
  • Susana, você já trabalhou em outra profissão?
  • Que país da África você quer conhecer?
  • Qual foi seu primeiro livro?
  • Essas histórias são para todo mundo ou só para crianças? 
  • De onde você tirou o nome Blimundo?
  • Alguma dessas histórias está relacionada à sua vida? Por quê?

Receber a autora e fazer as perguntas diretamente para ela foi um momento de atuação real, que gerou grande expectativa.

Durante a entrevista os alunos se aproximaram do valor semântico das palavras interrogativas (quando, onde, por que, como...), o que tornou a aprendizagem significativa.

Ouvir atentamente o entrevistado para fazer a regulação ao vivo foi outro desafio e neste momento o adulto foi o modelo para frisar as “fórmulas linguísticas” usadas para retomar o que já foi dito pelo entrevistado, como: você disse antes que... como ia dizendo...

 

A oportunidade de conhecer o processo de produção do livro, o tempo de preparo, o lugar realizado, entre outras facetas da autora foi o momento de novas perguntas que brotaram ao longo do encontro.

A sessão de autógrafos, que tende a ser muito calorosa, não pôde faltar. Susana autografou o livro destacando o conto que cada aluno mais apreciou com muito carinho e generosidade.

 

Passar por todo esse processo desde a leitura do livro, o preparo das ilustrações, o planejamento das perguntas até a entrevista foi uma experiência muito significativa para o grupo. 

O mais importante é que progressivamente todos adquiriram segurança na atuação, conseguiram manter a interação entre os assuntos durante a entrevista e tiveram uma grande oportunidade de trabalhar situações desafiadoras.

Encerramos o encontro com os alunos presenteando a autora com uma “pretensiosa” sugestão de ilustrações para o livro e uma boneca africana Abayomi (amuleto de proteção) produzida por eles.


Obrigada, Susana Ventura!!! Foi um privilégio ouvir o seu percurso de escritora aqui no colégio!

Conheça outros livros da autora: