quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Estudar, sim! Mas, como? O trabalho de orientação de estudos na escola

Por Rosana Nunes , Eloisa Liebentritt e Marina Gozzi


Sabemos que, assim como escrever se aprende escrevendo, ler se aprende lendo... e estudar se aprende estudando!!!

Aqui no colégio, a aprendizagem dos procedimentos e de ferramentas de estudo acontece de forma contextualizada, gradativa e a serviço da aprendizagem dos conteúdos.

Acreditamos que, para estudar, o aluno precisa estar motivado. E essa motivação não é externa, mas sim interna, pois esbarra no desejo de conhecer e saber algo. Estudar um conceito envolve, entre outras coisas, relacioná-lo com outros, identificar situações nas quais ele pode ou não ser aplicado. Não é uma tarefa fácil! 

Os alunos precisam aprender a desenvolver estratégias de estudo que possam ser usadas dentro e fora da escola; por isso, durante o percurso escolar, compartilhamos e discutimos as formas de estudar, aproveitando para explorar a especificidade de cada área, pois, para cada uma delas existe uma maneira de produzir, de comunicar e de validar os conhecimentos.

Apresentamos noções do trabalho de orientação de estudos de uma forma muito cuidada, já no 3º ano do ensino fundamental, quando os alunos começam a ler textos com mais autonomia e a ter mais consciência do ato de realizar uma avaliação. Nas áreas de Ciências Sociais e Naturais, por exemplo, com o apoio da professora eles começam a grifar partes mais importantes do texto, a folhear o material já estudado e a destacar as informações que gostaram de aprender e as informações que não entenderam muito bem e, com o auxílio do adulto, a revisar as suas lições.



A partir do 4°ano, os alunos começam a fazer as suas primeiras anotações de aula orientadas pela professora, como, por exemplo, após assistir a um vídeo, analisar imagens, ler livros de pesquisa e obter informações da internet. 

Durante o ano letivo intensificamos momentos para o aluno conhecer, explorar e entrar em contato com diferentes procedimentos de estudo, como: fazer registros coletivos, grifar as partes mais importantes do texto, destacar palavras-chave, revisitar o que aprendeu, elaborar pequenos esquemas, realizar exercícios e planos de estudos.


O roteiro de estudos é uma outra forma utilizada para que os alunos retomem o conteúdo e foquem naquilo que é relevante. Também iniciam o uso de esquemas, que organizam o pensamento e os conceitos relacionados ao assunto abordado.



Em Matemática, os alunos são levados a rever seus cálculos e estratégias na resolução de situações-problema, identificando e refletindo sobre esses processos.


Quando chegam ao 5º ano, iniciam o trabalho com pequenos resumos, estabelecendo relações e organizando as ideias mais importantes, encontrando, a partir de sua experiência como leitor, seus conhecimentos sobre o tema e qual a forma de registrá-los para sua maior compreensão.

Neste 3º trimestre, os alunos do Ensino Fundamental II tiveram a oportunidade de participar de um trabalho de orientação de estudos para as provas trimestrais, envolvendo todas as disciplinas. Em conversas com os professores, alguns dias antes da semana de provas, levantaram os conteúdos e objetivos de cada prova, organizaram a busca dos materiais didáticos para o estudo (desenvolvidos durante o trimestre) e discutiram sobre as dúvidas/dicas para o momento de estudo.


Por meio de discussão coletiva, puderam perceber a importância de se ter os materiais em ordem, com anotações de aula, lições de cada feitas, atividades corrigidas, cadernos e livros completos. Assim, possibilitamos aos alunos a percepção de que, para estudar para uma prova de Matemática, por exemplo, não utilizamos as mesmas estratégias de quando estudamos para uma prova de História. E mais: é assim que vamos desenvolvendo, gradativamente, uma adequada e eficaz postura de estudante que tanto queremos para nossos alunos.


Além disso, os alunos realizaram atividades complementares que contemplavam os conteúdos e objetivos de cada prova, podendo elucidar dúvidas para ajudar nesse momento que antecede as provas trimestrais e que, para muitos alunos, é um período de grandes expectativas.

Acreditamos que, desta forma, o aluno possa identificar e utilizar diferentes estratégias que favoreçam sua aprendizagem de uma forma autônoma e organizada.

No ensino fundamental, a ajuda dos pais é essencial no ato de estabelecer horários e lugar e, assim, garantir condições para que o hábito do estudo aconteça de forma gradativa.

Todas essas estratégias têm a finalidade de o aluno transitar por diferentes habilidades cognitivas de forma tranquila e de se autorregular, no dia a dia, pois estudar é uma tarefa difícil, que exige concentração, persistência e hábito.
A nossa intenção é que o aluno, ao longo da sua vida escolar, possa selecionar, definir ritmo, profundidade e relevância do que é aprendido, para, assim, conseguir realizar o estudo com independência necessária a ponto de torná-la regular em sua rotina.

Finalizamos o texto com uma citação do educador Paulo Freire:

“...O ato de estudar exige que o sujeito assuma uma postura crítica e um compromisso ético, encarando o estudo como um desafio de aprofundar o conhecimento. A curiosidade, o espírito investigador, a criatividade, a criticidade e a humildade são elementos importantes para encarar o desafio do ato de estudar... Exige disciplina intelectual que não se ganha a não ser praticando-a...”

Referências bibliográficas:

Freire, Paulo. Considerações em torno do ato de estudar. In: Ação Cultural para a Liberdade. 5ª Ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981.

Aprenda como estudar em quatro etapas. Disponível em:

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

PREPARANDO AS COMEMORAÇÕES

Por Daniela Decourt


“Que responsabilidade! Que honra! Que orgulho!” Esse foi meu pensamento quando a Tica me pediu para criar a campanha de comemoração pelos 50 anos do Colégio.
É isso mesmo... Em março, mais especificamente dia 01/03/2016, o Colégio será um cinquentão!
Um cinquentão com espírito jovem, visionário, inquieto.
O cinquentão que eu escolhi para me acompanhar na formação da minha filha.
Sou designer e sócia da Guita Comunicação, uma empresa de criação de site, produção de conteúdo, desenvolvimento de campanhas de comunicação e gerenciamento de mídias sociais. Sou mãe da Duda, que estuda aqui há 4 anos e hoje está no 5º ano. E sou apaixonada pela escola!


Desde o primeiro dia em que fui conhecer o Colégio Hugo Sarmento, fiquei encantada. O verde, o espaço, a atenção das pessoas e, principalmente, a importância que davam à arte. Esse foi o principal diferencial para que eu escolhesse a escola para minha filha.
Mas, e agora? Como passar tanto sentimento por meio de uma campanha? Será que é possível?
Acredito que sim. Porque acho que os pais que têm seus filhos no Hugo sentem o mesmo que eu.
Para começar, criamos este selo de comemoração. 

Isto porque há uma teoria sobre a aprendizagem e o desenvolvimento humano em espiral que a escola acredita muito e que coloca em prática ao pensar no currículo escolar. A espiral representa a continuidade, a longevidade da escola. E o mais legal: o logo foi criado a partir de um trabalho dos alunos que unia os conhecimentos das aulas de física e de artes, outro valor da escola, a integração do conhecimento.


A frase “50 anos na arte de educar” sintetiza a escolha de vida dos fundadores da escola: enxergar o ato de educar como uma arte e a arte como uma forma de educar (seja por meio da expressão, da vivência, da experiência).
Daqui pra frente, ao longo de todo o ano de 2016, teremos comemorações. Afinal, Bodas de Ouro não são para qualquer um, né?
Estamos criando, juntos e com muito carinho, uma campanha que envolva toda a equipe, os alunos e seus pais. Tudo será compartilhado por meio das mídias sociais da escola (Facebook e Blog).

A escola nos pediu para organizar ciclos de palestras, exposições, encontros, uma série de atividades que nos permitirá nos tornar ainda mais próximos e admiradores da proposta desta escola madura e sempre à frente de seu tempo.

Da minha parte, só tenho a agradecer. Sei da minha “responsa”, mas estou muito honrada e infinitamente orgulhosa. Por mim, pela minha filha, e pela família Hugo Sarmento, da qual me sinto parte.”

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

VI SIMPÓSIO INTERNO - OS CAMINHOS DA PROPOSTA CURRICULAR

Por Theodora M. Mendes de Almeida



No próximo sábado, dia 7 de novembro, realizaremos o nosso VI SIMPÓSIO INTERNO. Como parte do trabalho de formação dos professores, estes encontros anuais têm os seguintes propósitos:

  • Interação e união da equipe
  • Aproximação das teorias e práticas educativas
  • Troca e ampliação dos conhecimentos
  • Valorização do ofício do professor

O documento curricular de uma escola é bastante dinâmico e é composto por muitos elementos que vão além da lista de conteúdos, envolve aspectos que dizem respeito à própria vida da escola, de como é estruturada e de como entende sua função social.

Para saber mais, assista ao vídeo 
O que define um currículo de qualidade? Katia Smole  Fundação Lemann
https://www.youtube.com/watch?v=FJgdsb7Um_c 

Convidamos a Professora Maria Estela Ferreira, Pedagoga do Instituto Singularidades, para fazer a abertura e esclarecer dúvidas sobre o tema.

Neste encontro vamos conhecer mais sobre a Base Nacional Comum Curricular – documento preliminar proposto pelo MEC que pretende reformular toda a base nacional.

“A base é a base. Ou, melhor dizendo: a Base Nacional Comum, prevista na Constituição para o ensino fundamental e ampliada, no Plano Nacional de Educação, para o ensino médio, é a base para a renovação e o aprimoramento da educação básica como um todo. E, como se tornou mais ou menos consensual que sem um forte investimento na educação básica o País não atenderá aos desafios de formação pessoal, profissional e cidadã de seus jovens, a Base Nacional Comum assume um forte sentido estratégico nas ações de todos os educadores, bem como gestores de educação, do Brasil.

Dois rumos importantes serão abertos pela BNC: primeiro, a formação tanto inicial quanto continuada dos nossos professores mudará de figura; segundo, o material didático deverá passar por mudanças significativas, tanto pela incorporação de elementos audiovisuais (e também apenas áudio, ou apenas visuais) quanto pela presença dos conteúdos específicos que as redes autônomas de educação agregarão.”
Renato Janine Ribeiro

A nova proposta do MEC pede a participação de toda a sociedade, portanto, se quiser participar:

Acesse o vídeo de apresentação da BASE 
https://www.youtube.com/watch?v=TVHrqfwa6UQ
Acesse o site http://basenacionalcomum.mec.gov.br

Ainda neste encontro apresentaremos a ideia de Currículo em Espiral de Jerome Bruner, professor de Psicologia e Diretor do Centro de Estudos Cognitivos da Universidade de Harvard nos anos 70, mais conhecido por ter dito que "é possível ensinar qualquer assunto, de uma maneira intelectualmente honesta, a qualquer criança em qualquer estágio de desenvolvimento" (1969,73, 76), desde que se levasse em conta as diversas etapas do desenvolvimento intelectual. Logo, a tarefa de ensinar determinado assunto a uma criança é a de representar a estrutura deste em termos da visualização que a criança tem das coisas. Aqui o que é relevante em determinada matéria a ser ensinada é sua estrutura.

Ao ensinar, Bruner destaca o processo da descoberta, através da exploração de alternativas, e o currículo em espiral, capaz de oportunizar ao aprendiz rever os tópicos em diferentes níveis de profundidade. Segundo Bruner, "o ambiente ou conteúdos de ensino têm que ser percebidos pelo aprendiz em termos de problemas, relações e lacunas que ele deve preencher, a fim de que a aprendizagem seja considerada significante e relevante”.

Assim, examinando a proposta do MEC, trazendo a contribuição de teóricos importantes e discutindo a nossa própria proposta curricular, vamos registrar ideias e encaminhamentos possíveis para realizar o melhor na educação e no futuro de nossos alunos. 

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

INCLUSÃO: uma demanda social que deve ser enfrentada sem rodeios

Uma nova lei tem trazido novamente ao debate a questão da inclusão de alunos com necessidades especiais nas escolas regulares.

Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015.
Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência).

CAPÍTULO I
DISPOSIÇÕES GERAIS
Art. 1º É instituída a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência), destinada a assegurar e a promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com deficiência, visando à sua inclusão social e cidadania.

CAPÍTULO IV
DO DIREITO À EDUCAÇÃO
Art. 27 A educação constitui direito da pessoa com deficiência, assegurados sistema educacional inclusivo em todos os níveis e aprendizado ao longo de toda a vida, de forma a alcançar o máximo desenvolvimento possível de seus talentos e habilidades físicas, sensoriais, intelectuais e sociais, segundo suas características, interesses e necessidades de aprendizagem. 
Parágrafo único. É dever do Estado, da família, da comunidade escolar e da sociedade assegurar educação de qualidade à pessoa com deficiência, colocando-a a salvo de toda forma de violência, negligência e discriminação

Educadores de todo o país vêm debatendo há anos as formas possíveis da inclusão. Essa não é uma questão nova. 

Em um primeiro momento, ao final dos anos 90, a discussão ficou restrita a questões bem mais simples como mobilidade e acessibilidade dos alunos com dificuldade de locomoção, o que exigiu adaptações nos prédios, classes e mobiliário das instituições. Pensando na enorme diversidade que o país apresentava (e ainda apresenta), naquela época tomou-se conta de que era inadmissível privar um estudante com dificuldades de mobilidade de pelo menos chegar a uma sala de aula. Prédios antigos foram adaptados e os novos passaram a ter a exigência de que deveriam permitir a acessibilidade. Mas o que temos visto é que, apesar de tanto tempo passado e de toda discussão, ainda não temos todas as escolas da rede pública totalmente adaptadas à acessibilidade. 

Com o tempo, não sem embates e discussões acaloradas, uma ampliação do conceito de “inclusão” foi se formando e dividindo, muitas vezes, especialistas, educadores, pais e poder público. Antes relegados a ficarem escondidos em suas casas, longe do processo escolar, ou em escolas especiais, crianças e adolescentes com impedimento de longo prazo, seja de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, por esta nova visão passaram a ter o direito de estarem integrados às escolas regulares. É bem possível imaginar o impacto causado com a entrada destes alunos na rotina do dia a dia pedagógico das escolas regulares públicas e particulares. Professores e equipe pedagógica, que não tiveram formação para atender a essas demandas, ficaram apreensivos.

Hoje, sabemos que, talvez, as escolas regulares não consigam atender indistintamente a todos. Em certos casos, as escolas especiais ainda podem ser necessárias para questões específicas de aprendizagem. Como preparar e encaminhar para o mercado de trabalho, ao final do Ensino Médio, alunos com graves dificuldades de aprendizagem ou transtornos mentais? Como alfabetizar uma criança que não enxerga, em Braille, o sistema de leitura pelo tato? Como ensinar Libras, a Língua dos Sinais, a uma criança surda? Como preparar material didático específico para essas crianças?

Aqui no Hugo, estamos atentos a esta questão já há muito tempo, procurando ampliar a formação dos educadores, tutores e coordenadores da escola. Nas reuniões semanais de professores, além das questões técnicas de como conduzir o aprendizado significativo desses alunos, buscamos focar nas questões emocionais, no relacionamento com colegas e nas relações escola-família. Em nossos Simpósios Internos Anuais, por exemplo, trazemos estudos de caso concretos e debates sobre diversas formas de trabalhar com transtornos de aprendizagem, síndromes e questões psicológicas que estas crianças e suas famílias enfrentam. 

Não é mesmo fácil, mas não é impossível. Alunos novos chegam e é preciso um tempo para conhecê-los e adaptar os planos para cada um. Cada caso é único. Temos tido, acreditamos, sucesso na maioria das vezes, com esforço, muito suor, às vezes algumas lágrimas, sempre buscando uma verdadeira parceria com a família e com os profissionais que atendem às crianças e adolescentes. A ideia é que atinjam autonomia suficiente para que tenham uma vida plena dentro e fora da escola.

O espírito da nova lei, cujo trecho foi reproduzido no começo deste nosso texto, como todas as anteriores, é colocar o deficiente em condições de igualdade e oportunidade para o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais, em especial ao acesso à educação. Esta é uma mudança de paradigma para toda a sociedade, em todos os campos. Não é uma vantagem para essas pessoas. É eliminar as barreiras, não só as arquitetônicas, para permitirmos seu acesso a tudo a que os demais têm à sua disposição. 


A direção do colégio participou ontem, dia 27 de outubro, de um debate organizado pelo Sindicato das Escolas Particulares sobre a aplicação da nova lei. Com representantes do Conselho Estadual da Educação, de membros do Ministério Público, advogados, supervisores da Secretaria da Educação de São Paulo e centenas de diretores de escolas, inúmeras dúvidas foram levantadas acerca da razoabilidade da aplicação da legislação como foi apresentada, dos aspectos legais e práticos da sua implementação. Por exemplo, discutimos sobre a possibilidade de se estabelecer o número ideal de alunos com necessidades especiais em cada classe para que os mesmos sejam incluídos de verdade. Questões como esta ainda vão demandar muito debate e exigirão bom senso.

Parte da crítica feita à nova lei é a transferência da responsabilidade do poder público de grande parte de suas obrigações para o setor privado. Custos com acompanhantes terapêuticos, cuidadores, tradutores de linguagem de sinais, adaptações diversas de materiais deveriam ser assumidos pelo Estado, ainda que na forma de isenção de impostos.

 A inclusão é uma demanda social que deve ser enfrentada sem rodeios. Porém, exigirá o esforço de toda a sociedade e de todos os envolvidos no âmbito governamental, nas escolas e nas famílias. Acertar todas as expectativas e vencer os preconceitos também deverá merecer a atenção de todos.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Do-in nas aulas de Yoga

Por Claudia Cosceli

Neste ano, inspirados pelo tema da China, estamos trabalhando com os alunos do fundamental I, nas aulas de Yoga aqui no Colégio Hugo Sarmento, a técnica chinesa de automassagem chamada Do-in

O uso dessa técnica estimula os mesmos meridianos estipulados pela Acupuntura, distribuídos por todo o corpo. A ideia de trabalhar com os alunos se deve ao fato de o organismo infantil ser mais receptivo e sensível à massagem energética, exibindo pontos e áreas reflexológicas inexistentes nos adultos.

Durante as aulas, os alunos são orientados a perceber mais as manifestações de desconforto do corpo como alteração do sono, dores que surgem em dias mais frios e aprender a prevenir e amenizar. 

O Do-in não tem nenhuma contraindicação, podendo ser feito em qualquer período da vida da criança. No entanto, como o organismo infantil é mais sensível e receptivo à massagem, o cuidado com o toque deve ser observado. Os alunos já estão usando essas técnicas em casa e nos relataram que a têm aproveitado bastante. 

Para praticar o Do-in

O Do-in não só é uma automassagem, como também é diagnose e rápida cura do corpo praticada por aqueles que desejam operar grandes transformações dentro de si, e para aqueles que desejam aprimorar suas funções orgânicas e, em especial, aos que despendem muito talento ou energias em suas atividades.

Dessa maneira, o Do-in cria e mantém a saúde, a harmonia, a vitalidade, a paz e a felicidade por dentro e por fora. Quem conhece e pratica o Do-in elimina todas as doenças antes mesmo que elas se iniciem. As atividades físicas e mentais são produzidas por vibrações que se originam fora do nosso corpo.

As séries de fricções, leves “pancadas” e suaves massagens demonstradas neste método prático ultrapassam os simples exercícios físicos. 

Quando um órgão funciona mal, os pontos ao longo dos meridianos correspondentes a esse órgão ficam doloridos e enrijecidos, antes mesmo que o próprio órgão se manifeste. Normalmente um ponto de pressão é dolorido ou sensível ao tato, ou dói espontaneamente quando a energia é excessiva. A massagem do Do-in libera e acalma essa energia, quando congestionada, ou ativa-a no caso de deficiência.

É necessário apenas manipular os pontos indicados sem se preocupar com a natureza do problema, uma vez que o meridiano saturado suprirá o insuficiente, eliminando bloqueios e fazendo a energia vital fluir livremente através do organismo.
Para que essas práticas possam ser realizadas em casa, mostramos aqui um caminho para que isso se realize:

1   Saudação ao Sol

 
 

2  Os pontos de pressão mais importantes estão localizados em volta do pulso. A massagem nessa região beneficia todos os meridianos que passam pelo braço: pulmões, intestinos grosso e delgado, triplo aquecedor (sistema linfático) e coração.


3  Dobre cada dedo e estale-o em duas juntas diferentes; isso permitirá que a energia vital se acumule nas juntas e jorre mais vigorosamente assim que a pressão cesse.


4  Esse ponto (intestino grosso) localizado na região carnosa entre o polegar e o indicador não deve doer quando pressionado. Se no seu check-up diário o encontrar sensível, é indicação de que o cólon está debilitado. Para curá-lo, massageie esse ponto profundamente até que a carne se torne flexível.


5  A massagem do meridiano do coração é importantíssima para o tratamento desse órgão. Pressione, na palma da mão, logo abaixo da articulação do dedinho de ambas as mãos.


6  Belisque ou aperte os lados da unha do dedo mindinho – isso beneficia o coração e transfere a energia “Ki” para o meridiano vizinho (intestino delgado) com maior rapidez. Para salvar a vida de uma pessoa que estiver sofrendo um ataque do coração, aperte esse ponto fortemente nas batidas normais do órgão. Trate as duas mãos simultaneamente.


7  Logo abaixo dos olhos começa o meridiano do estômago e, em cada lado superior do nariz, o da vesícula biliar. Pelo centro do nariz passa o meridiano do sistema nervoso. Para estimulá-los, massageie as maçãs do rosto e os lados do nariz com uma fricção enérgica.


8  Com a ponta dos indicadores, pressione os lados do nariz em toda a sua extensão. Esse exercício alivia a congestão nasal e expele o excesso de líquido naquela região.


9  A carótida alimenta a glândula tireoide localizada na base do pescoço. Pressione leve e rapidamente cada lado do esôfago, em toda a sua extensão, de cima para baixo, para estimular a produção de hormônios e obter uma pele saudável e aveludada.


10  Puxe grandes punhados de cabelo repetida e vigorosamente, o que não deverá causar dor e, sim, estimular os meridianos da bexiga e da vesícula biliar. Recomenda-se o exercício para o caso de ressaca ou indigestão.


11  Sente na posição de “lótus” do Yoga, segure os dedos dos pés com as mãos e projete o corpo para trás e para frente, imitando o movimento de uma cadeira de balanço. Esse exercício estimula o meridiano da bexiga.

 

12  Os meridianos do sistema nervoso, da bexiga e da vesícula biliar estão situados ao longo das costas e dos quadris. Com os dedos fechados, martele toda essa região.


13  Penetre os dedos profundamente por baixo da caixa torácica, estimulando o fígado à direita e o baço à esquerda. Se tiver dificuldade ou se isso ocasionar dores, é sintoma de inchação do fígado, provocada por excesso alimentar ou de bebidas alcoólicas.


14  O osso do calcanhar influencia a regeneração das células ósseas. Bater os calcanhares ritmicamente no chão, em movimentos de bicicleta, ocasiona choques estimuladores.


15  Rins, bexiga e glândulas sexuais são estimulados beliscando-se fortemente o tendão calcâneo. Se ocasionar dores, é indicação de mau funcionamento daqueles órgãos. Para acalmar qualquer dor aguda no corpo, massageie o tornozelo externo.


16  A massagem nas plantas e dedos dos pés é importantíssima dada a quantidade e variedade de pontos encontrados.


17  Um ponto importante para o tratamento do fígado está localizado na parte superior do pé, pouco antes da junção dos dois dedos internos.


18  Dobre cada dedo do pé para trás, fazendo-o chegar o máximo possível da parte superior do pé. Essa é outra forma de ativar os meridianos do fígado, do estômago, da bexiga, do baço e da vesícula biliar.


Divirta-se com o seu filho e aproveite esse momento para estreitar ainda mais os laços de amor!

Referência do livro: 

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Dia do Professor

No Dia do Professor, homenagem a Hugo Sarmento e à nossa equipe

Neste Dia do Professor gostaríamos de homenagear a toda a equipe de profissionais da escola, reconhecendo seu empenho e dedicação para, muito além da transmissão dos conteúdos, contribuir na formação e crescimento de nossos alunos.

Resgatar a importância desta profissão e do grande papel dos professores é fundamental para a construção da sociedade a que todos almejamos.

Um modelo de mestre norteia nossos ideais como educadores – Prof. Hugo de Vasconcellos Sarmento. Comemoraremos 126 anos de seu nascimento no próximo dia 1º de novembro.

O professor Hugoavô da fundadora do colégio, Patrícia Helena Mendes de Almeida, e de sua irmã, nossa vice-diretora, Eleonora Kiehl, e bisavô de João Mendes de Almeida Jr, diretor administrativo, e de Theodora Maria Mendes de Almeida (Tica), diretora pedagógica, nasceu na cidade de São João da Boa Vista, no interior de São Paulo, em 1º de novembro de 1889.

Filho de Luiz Gambettá Sarmento e de D. Francisca Cabral de Vasconcellos Sarmento, fez o curso primário em São João, tendo sido alfabetizado também em alemão. Depois estudou em Itu, no Colégio São Luiz, dos padres jesuítas, e fez o ginásio no Instituto “Culto à Ciência”, de Campinas.
Cursou a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e se casou, aos 19 anos, com Carolina Augusta Loyola de Andrade, da família Ribeiro de Andrade, também de São João da Boa Vista.


Com a chegada dos filhos, o professor Hugo Sarmento se viu obrigado a abandonar o curso de Medicina um ano antes de se formar. Começou, então, a dar aulas particulares e mudou-se para Poços de Caldas, MG, onde fundou o “Instituto Progresso”, com Escola Comercial e Curso Normal. Durante a epidemia de gripe espanhola, trabalhou incansavelmente, tendo ajudado a salvar inúmeras vidas com medicamentos por ele manipulados.

Voltou para sua cidade natal para fundar o “Ginásio São João”, esta a obra de sua vida, para a qual ele e sua esposa, Dona Carola, tiveram dedicação total. Equipou o “Ginásio” com materiais importados da Alemanha, formando um excelente laboratório de Química, Física e Biologia. Tinha o sonho de construir uma grande escola. Nela estudavam os filhos dos fazendeiros da região e aqueles que, sem condições de pagar, recebiam educação de graça. Nunca negou uma vaga a quem quisesse estudar.


Possuidor de grande carisma, era adorado por seus alunos. Tinha o dom de ajudar aos mais necessitados, de estimular os que tinham dificuldade, mas vontade de aprender.
Tinha registro para lecionar nove matérias, tendo sido grande professor de Física. Eram vastos seus conhecimentos científicos e humanísticos – sabia grego, latim e até esperanto.

Mestre por excelência, com ele todos aprendiam. Dono de didática própria, exerceu o magistério com grande dedicação. Pelas cartas que deixou, vemos sua nobreza e enorme bondade. Nosso colégio foi fundado segundo seus princípios educacionais.

Dificuldades políticas e econômicas o impediram de levar adiante seu projeto de escola, tendo sido, então, professor e diretor de diversas escolas públicas na região da Mogiana em São Paulo e em Minas Gerais. 

Além de nossa escola, uma rua e uma escola pública, em sua cidade natal, e uma praça na região do Jockey, em São Paulo, também levam seu nome.

Em nosso colégio, permanecem vivos o exemplo e os ensinamentos de Hugo Sarmento, educador essencialmente humanista. 

A partir deste exemplo de grande mestre, nesta data homenageamos a todos os professores que por aqui passaram, deixando sua valiosa contribuição, e a cada um dos que estão hoje conosco, exercendo a nobre função de educar.  

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

O ENEM no Hugo Sarmento

Por Elio Molisani Ferreira Santos

Outubro é o mês em que todos os olhos estão voltados para o ENEM. 

Na mídia, quando se fala em Educação, o tema recorrente é o ENEM e, com certeza, você já teve a oportunidade de participar de discussões, por vezes até acaloradas, sobre a importância dessa avaliação.

Aqui no Hugo, toda a equipe de professores do Ensino Médio está constantemente atenta às exigências do exame e às mudanças que esta prova tem sofrido ao longo dos anos.

 

Apesar de o assunto aparecer na mídia principalmente em outubro, é importante entender que a preparação para o exame não se faz somente nesse mês ou, tampouco, apenas na 3ª série do Ensino Médio. Os bons resultados no ENEM estão atrelados à aprendizagem do estudante ao longo de todo o ciclo básico, que se inicia no Ensino Fundamental I e até na Educação Infantil, e se intensifica ou se conclui no Ensino Médio.

Este exame, que é aplicado simultaneamente em todo o território nacional, foi criado em 1998 e, inicialmente, era utilizado para avaliar a qualidade do Ensino Médio das escolas públicas e privadas como um todo. Servia para avaliar as políticas para o segmento a partir de um conjunto de habilidades e competências que um aluno deveria ter ao final do curso.   
Atualmente, porém, é utilizado como critério de seleção por cerca de 500 universidades que usam o resultado do exame para o ingresso no ensino superior, seja complementando ou substituindo o vestibular. Serve, também, para os estudantes que pretendem concorrer a uma bolsa no Programa Universidade para Todos (ProUni). Serve até mesmo para o ingresso em algumas universidades portuguesas.

Isso causou uma mudança significativa no formato do exame, que passou de uma prova avaliativa para uma prova classificatória, sendo possível perceber uma cobrança maior de conteúdos específicos de determinadas áreas do conhecimento.

Nas três séries do Ensino Médio, aqui no Hugo, todos os professores abordam constantemente assuntos relacionados ao ENEM, discutem e solucionam questões específicas e cobram em suas avaliações assuntos similares. O material adotado pela escola contempla em todos os módulos os conteúdos exigidos e traz para o cotidiano dos alunos os desafios que vão enfrentar.  


Além disso, em cada trimestre é realizado um simulado com características semelhantes ao ENEM, dando a oportunidade para que o estudante se familiarize com o exame, o tempo de realização das questões e as regras da prova que ocorrerá ao final do Ensino Médio.

Em especial, quando se aproxima a data do exame, os professores se reúnem para uma aula conjunta, o  “AULÃO DO ENEM”. Neste dia os professores debatem e resolvem junto com os alunos diversas questões, possibilitando uma visão interdisciplinar do exame. Neste ano, os estudantes da 2ª e 3ª séries tiveram a oportunidade de tirar todas as dúvidas sobre o ENEM em dois encontros que ocorreram nos dias 9 e 12 de setembro.

No Colégio Hugo Sarmento, todos os estudantes têm a igual possibilidade de prestar o ENEM e a excelência que buscamos a cada ano é refletida não apenas pela nota obtida no exame, mas também na aprovação de nossos estudantes em diversos concursos vestibulares.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Criança ou Adolescente? A passagem para o 6º ano: “– Eles estão crescendo!”

 Por Valéria Galego

Quando os pais percebem que seus filhos estão encerrando o 5º ano do Ensino Fundamental 1, muitas emoções e pensamentos surgem. As preocupações com o novo momento estão mais presentes no dia a dia; afinal, os meninos e as meninas estão em um período de transformações físicas, emocionais e intelectuais.

Neste período da passagem para o Fundamental 2, os pais já se perguntam: Como ajudar?  Como acompanhar? Como entender essas mudanças? Para saber mais, veja o texto “As Mudanças de Ciclo na Escola”.

Nesse momento, nossa atenção para as famílias e alunos é essencial. Assim, todos os envolvidos podem se sentir seguros neste período de mudanças. Sabemos que não é tarefa fácil para os pais, nem tão pouco para os alunos. 

Para atender a essas expectativas, atendemos aos pais em uma reunião para contar sobre como trabalhamos esta passagem e fazemos as orientações necessárias para as mudanças, em casa e na rotina escolar. 

Além das questões pedagógicas, os alunos vivenciam transformações físicas e emocionais, o corpo que cresceu, os sentimentos que surgem e não têm como evitá-los. Ora pulam e correm no recreio, que passa a ser nomeado de intervalo, ora se posicionam como adultos em uma conversa. Amadurecem em ritmos diferentes e precisam lidar com as amizades, a sexualidade, a construção de explicações mais complexas. Esses e outros aspectos são naturais, próprios dessa fase, mas, quando acompanhados pelos adultos, conseguem entender mais a complexidade do mundo ao seu redor.

Para os alunos, a passagem acontece de forma cuidadosa quando propomos encontros semanais para discutir assuntos de interesse do grupo voltados para o período da Adolescência, preparados pela professora e pela orientadora. 


Esta é uma grande oportunidade de fortalecer os vínculos de confiança com os adultos e de amizade e respeito pelas questões de seus colegas.

Para vivenciarem a convivência com os alunos mais velhos, aos poucos vão se reaproximando de colegas com quem já dividiram o espaço em anos anteriores. Uma das atividades propostas para o reencontro é a ida ao teatro. Juntos, alunos do 5º e do 6º anos assistem à peça e trocam suas experiências. O musical “Os Recicláveis” de Tony Brandão, trata de questões como o primeiro amor, ética nas relações, o mundo digital, consumismo e uma reflexão sobre como podemos viver de forma sustentável. 


 

Durante esse reencontro muitos assuntos surgem, mas, ainda não são suficientes para atender às expectativas dos alunos. Então, preparamos o segundo encontro na escola com os alunos do 6º ano, carregado de novidades: acordar mais cedo que o horário habitual, encontrar alunos e professores que fazem parte do mesmo ambiente, mas não fazem parte da convivência diária, ter aula de Espanhol, uma professora só para Geometria, observar que os livros e cadernos nas trocas de aulas saem da mochila e não são distribuídos pelos colegas e professores, como no Ensino Fundamental 1. 

Essas são apenas algumas ações que ajudam os alunos no ingresso a um tempo em que as diferenças continuam existindo ao longo da escolaridade. O apoio e o acompanhamento da mesma orientadora do Ensino Fundamental 1 amenizam muitas das situações que os alunos vivem nessa transição. As conversas individuais e no grupo, com a orientadora, são frequentes, o papel de cada um no grupo e a autonomia que se espera dos alunos precisa ser mediada, principalmente no inicio do ano quando observamos atitudes bem diferentes em cada um. 

Enquanto alguns alunos, nessa fase de passagem, parecem mostrar comportamentos assimilados de um adulto, outros parecem lutar para preservar atitudes mais infantis. O mesmo podemos dizer quando recebem uma proposta de trabalho: alguns alunos surpreendem pelo entusiasmo e outros necessitam de um acompanhamento contínuo dos professores.

Esses e outros assuntos aparecerão intensamente nos próximos anos da vida desses alunos. Todo esse processo pode carregar em si valores geradores de conflitos, o que é difícil para pais, educadores e para os alunos, mas também são ricos em surpresas, descobertas e conquistas. 

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

China: O que ainda temos a aprender?

Por Leonardo Masaro - professor de Filosofia do Ensino Médio

 
Trabalhos de Júlia Hausner B. de Melo e Olívia Murin Augusto – 3ª s. Ensino Médio

A China causa, hoje, um misto contraditório de inveja e medo. Inveja pelo crescimento a mil por hora que nós, brasileiros, tanto desejamos; medo pelo efeito destruidor de seus produtos baratos sobre nossa economia e sobre o planeta, pela incompreensão diante daquelas pessoas falando aquela língua estranha pelas ruas do centro da cidade. China: perigo amarelo ou modelo de sucesso?

É preciso, pois, estudar e conhecer melhor a civilização chinesa, destinada a um papel central no século XXI. Aqui no Hugo Sarmento todos temos devotado nosso projeto anual a esta tarefa. Com meus alunos do curso de Filosofia de todo o ensino médio, um trimestre foi dedicado – como não poderia deixar de ser – ao estudo do pensamento chinês.

O que se passa na cabeça deles? Não exatamente o mesmo que nas nossas, embora sejamos todos igualmente humanos. É que a China, dona de uma cultura milenar, possui todo um sistema de pensamento e uma visão completa de mundo muito antigos. 

Enquanto muitos povos ainda estavam se organizando, e muitíssimo antes de inventarmos a ciência, os chineses já haviam formulado as bases de sua visão de mundo. E os pilares são o respeito à autoridade e a preeminência da coletividade sobre o indivíduo.

A sociedade chinesa (ainda?) é algo que nós já não somos: uma sociedade tradicional. Isso significa que aquilo tudo que nossos avós comentavam – respeito aos mais velhos, admiração pelos professores, dever para com a família, obediência incondicional a chefes e autoridades – lá é a mais pura realidade. O pensador Confúcio (500 anos antes de Cristo) chamava isso de filialidade: agir para com os mais velhos e autoridades como um filho diante do pai, e para com os mais novos e inferiores na hierarquia social como um pai diante do filho. Algo bem diferente de nosso comportamento atual, como todos os brasileiros com filhos em idade escolar bem o sabem… 

Estudar a China nos permite ver todas as vantagens e desvantagens desse tipo de sociedade: disciplina, respeito para com os outros, baixo nível de violência, mas, também, autoritarismo por parte dos mais velhos e/ou poderosos, inexistência de democracia, forte resistência a mudanças. 

Esse tipo de visão de mundo faz par com a importância da coletividade e a desimportância dos indivíduos. Um jornalista brasileiro em recente viagem à China espantou-se ao almoçar com chineses. Foi mais ou menos assim:
Chinês: – O que você vai querer?
Brasileiro: – Não sei bem… vocês já escolheram?
Chineses: – Hahahahhaa!!! Hehehahaha!!!
Brasileiro: ???... – Bom, vou provar este Pato de Pequim.
Chinês: – Garçom, Pato de Pequim para todos!

Não somente a pessoa mais importante à mesa escolhe o prato para todos, como paga a conta!! (Claro que o brasileiro, como convidado, não estava pagando…) A ideia de que cada indivíduo pode escolher seu prato e sua bebida, simplesmente não ocorre, assim como não nos ocorre que outros escolham o que nós vamos comer. E isso vige em todas as esferas: muitas vezes os pais escolhem a profissão dos filhos, por exemplo.
Trabalho de Thomas Giurno Destro – 3ª s. Ensino Médio

Assim, a imagem que temos de chineses disciplinados, fazendo tudo sincronizadamente, se “matando” de estudar e etc., é fruto não somente do esforço do indivíduo, mas de toda uma visão de mundo compartilhada por uma sociedade. Entender isso é, também, por comparação, entender o que somos e o que queremos para nós, brasileiros.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

A Geografia e o despertar para a dinâmica das cidades

Por Caroline Araújo


Se perguntarmos às pessoas de modo geral “O que é a Geografia?” ou “Por que estudamos essa disciplina?”, a maioria das respostas será sempre voltada à sua relação com a Cartografia, de maneira superficial e óbvia: pintura de mapas, latitude e longitude, com ênfase na ”decoreba”, para saber todas as capitais de países e estados, conhecer todos os rios do país e por aí vai. 

Entretanto, a Geografia vem para ajudar a despertar o olhar, ajudar também a não perdê-lo, isso desde a primeira infância, quando começamos a compreender que existe um mundo além de nossas casas. Ela planta uma sementinha que desperta a curiosidade pelo novo e instiga a querer saber mais sobre o velho, faz relações com outras disciplinas, de modo que o resultado seja a compreensão do funcionamento dessa “máquina” que se chama planeta Terra.

Desde a Educação Infantil, nossos alunos vão se apropriando dos conhecimentos de forma contextualizada, dentro dos projetos como o das Crianças do mundo, dos animais dos Polos, o Universo. Chamamos estas aproximações de "alfabetização cartográfica".

As Ciências Sociais, a partir do Fundamental I, compostas pelos conhecimentos da Geografia e da História, vão trazendo as informações sobre as características do nosso planeta e de suas transformações a partir da ação do Homem.


No ensino fundamental 2, um dos temas de estudo da Geografia se refere à dinâmica e transformações diárias que vivemos nas cidades, atentos ao clima, à economia, ao nosso dia a dia.

Para SPÓSITO, em seu livro “A Dinâmica das Cidades” “[...] não basta apenas observá-la ou viver nela. É preciso observar a sua dinâmica, a sua geografia e a sua história. Ou seja, é preciso observar a movimentação das pessoas em suas ruas, as relações comerciais, onde estão localizados os estabelecimentos industriais [...]” e muitas outras informações que por muitas vezes passam despercebidas, que não são despertadas no período escolar e vão sendo deixadas de lado na fase adulta.

Vivemos uma rotina incessante e desgastante, onde os horários, os percursos, o vivido são sempre recomeçados de forma idêntica, nos fazendo não olhar lá para o lado de fora do vidro do carro, tirando de nossos olhares o despertar para o novo, novo que acontece em questão de dias, horas, segundos, num piscar de olhos. 

Quando vão para o 6º ano, os alunos são voltados para o olhar do percurso, dos mapas mentais, dos croquis, imagens de satélite, fotografias aéreas. Exemplos vividos em sala de aula foram os trabalhos com o 6º e o 9º anos.  No 6º, demos foco a uma atividade de mapa mental: PAGANELLI (2007) afirma que “expressar-se graficamente também é um processo a ser construído. Desenhar uma casa, uma rua, uma granja, um jardim ou a planta de povoado exige abstrações empíricas e reflexivas, coordenação de um ponto de vista e relações e operações topológicas projetivas e/ou euclidianas devem ser acionadas.” Ou seja, os alunos devem pensar em estratégias, usar o imaginário e aguçar a observação dos espaços percorridos e projetar toda essa informação em um espaço reduzido, nada comparado ao real. E como fazer isso?

Durante as aulas construímos um diálogo pautado nos endereços dos alunos; este foi nosso ponto de partida para abrir mais questionamentos e observar se eles sabiam onde moravam. A partir daí, as perguntas base foram:

•  Quais tipos de locomoção utilizam de casa para a escola?
•  Quais as ruas percorridas?
•  Na volta, fazem o mesmo percurso?

Demos exemplos de mapas mentais, tipos de percurso e croquis, tanto do livro didático, quanto de imagens selecionadas para aula expositiva, por meio do PowerPoint, para distingui-los e ampliar o conhecimento, para que em casa os alunos construíssem seu mapa de forma mais eficiente. De uma escala que sai do “eu” e se expande para “um todo”, fazendo com que os alunos queiram saber por onde andam, quais são os caminhos escolhidos para irem até a escola, na volta para casa, na casa do amigo. Orientação e distâncias são fundamentais para que, assim, quando chegarem ao 9º ano, já tenham a percepção das transformações com uma visão mais humana.

A partir daí, a base seja fugir dessa rotina massacrante a que estamos habituados e achamos tão comum. Como fazer isso? Como trabalhar com os alunos essa nova visão? Por meio de uma palavrinha que tem um grande significado – a SERENDIPIDADE. 

Mas o que significa essa palavra tão complicada? Se procurar no dicionário de Português, está lá - “se·ren·di·pi·da·de (inglês serendipity) substantivo feminino:

1.  A faculdade ou o ato de descobrir coisas agradáveis por acaso.
2.  Coisa descoberta por acaso.”

E como consigo agir serendipidamente? Fugindo da rotina! Como? Mudando os caminhos, refazendo seus percursos! 

Sabemos que hoje nossas práticas são baseadas em torno do que seja seguro, o que nos faz limitar nossas ações no cotidiano. O discurso sobre o mundo e a violência na qual vivemos é frequente, reduzindo a nossa vida ao que nos aproxima do que nos protege. Vivemos com medo, as notícias estão aí para comprovar, mas será que nos limitarmos ao ponto de vivermos em núcleos não nos faz reféns?

Trabalhar serendipidade dentro do conteúdo de Geografia é ampliar a bagagem, é tornar humano. É notar um novo prédio e perceber seus benefícios ou malefícios para aquele local. É sair para ir à escola e usar novas rotas, e no meio do novo descobrir o novo, como o quê? Um sebo que nunca fora notado, uma praça com atividades de lazer que nunca havia sido vista, pois nunca havíamos percebido ela ali. Um morador novo que se mudou há pouco, a beleza e a depressão da vida em uma cidade. A exemplo disso, os alunos do 9º ano foram questionados sobre o entorno de onde vivem, se conseguiam identificar mudanças das mais simples às mais significativas na proximidade de suas casas, se conversavam com seus pais, parentes ou até mesmo vizinhos mais antigos para saber se as mudanças foram muitas. A aula foi pautada no despertar da curiosidade em saber a história do bairro onde vivem e, assim, elaboraram algumas questões para a atividade que fariam em casa.

Procissão na R. Girassol, em 1951

A atividade designada foi uma entrevista e eles tinham que entrar em contato com algum morador antigo do bairro onde moram, poderiam ser parentes, como avós ou vizinhos próximos, e aplicar as questões durante a entrevista. O resultado foi muito positivo, a maioria quis falar sobre o que descobriu, sobre as relações e transformações sofridas no local. O resultado disso foi o contato, a história, o imaginário, a percepção.

As aulas são pautadas no olhar da Geografia Humana, mas, claro, sem jamais tirar o mérito dos trabalhos com mapas, sem jamais deixar de fazer as relações com as dinâmicas físicas que a Geografia tem como raiz. A partir desse olhar, – em conjunto com Geografia Humana e Geografia Física – o aluno terá capacidade de interpretar as ações, como uma casa construída em lugar de risco, associar os alagamentos em certas regiões por conta do relevo, entender os motivos de algumas regiões serem mais chuvosas ou frias que as outras e por aí vai. Dando valor aos trabalhos com mapas e a sua devida importância à Cartografia, fugindo da pintura “artística” [pintar por pintar] e fazendo relações e interpretações da maneira mais adequada e valorizada possível.


Como mencionamos no início do texto, Geografia vai além da decoreba, Geografia deixa de lado a visão introspectiva do mundo e parte para a expansão do conhecimento. É necessário que as aulas sejam baseadas na quebra dos paradigmas vividos por ela, e o principal deles é que o aluno deva saber se auto referenciar no espaço, mesmo que não conheça todas as capitais dos estados; afinal de contas, já temos os Atlas Geográficos, inclusive as ferramentas digitais, para nos auxiliarem nisso.

NOTA
"serendipidade", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/serendipidade [consultado em 01-09-2015].