quarta-feira, 1 de outubro de 2014

A Construção da Cidadania

A sala de aula é o lugar do heterogêneo, onde cada aluno vem de uma família diferente, com valores diferentes. Essa diversidade pode ser assustadora ou enriquecedora, dependendo da sua escolha.  Nós, do Hugo, escolhemos sempre a segunda opção, pois acreditamos que a sala de aula é um espaço privilegiado para a construção da democracia e da cidadania.

Esta escolha vem carregada de responsabilidade, estudo e muito trabalho. Trabalhamos de forma gradativa, desde a educação infantil, o respeito às regras da sala, os combinados do grupo e, a partir Fundamental 1, a realização das assembleias de classe para abordar diversas questões.

Logo no início de 2014, o 5º ano começou a realizar assembleias semanais, com o intuito de discutir assuntos propostos pelos alunos e chegar a resoluções, por meio de muita reflexão. Os assuntos discutidos foram os mais variados: convívio, recreio, postura dos alunos, resolução de conflitos, respeito às diferenças e preconceito.
As assembleias são bastante desafiadoras, pois, para participar, os alunos precisam aprender a ouvir, esperar a sua vez, respeitar os colegas, argumentar e assumir responsabilidades diante das decisões coletivas. 

“A assembleia pode destacar-se como um espaço propício para trabalhar capacidades como: colocar-se no lugar do outro e imaginar como deve se sentir, expressar as próprias opiniões de maneira respeitosa e compará-las com as de colegas, entender quais situações são problemáticas e comprometer-se com sua melhora e argumentar com lógica para defender uma posição pessoal(...) Trabalha também, em relação à formação de atitudes, os valores de solidariedade, igualdade, respeito às diferenças, amizade, confiança e responsabilidade”.  Josep Maria Puig Rovira, professor de Pedagogia da Universidade de Barcelona.

Este conjunto de capacidades destacadas por Puig são essenciais para que se possa exercer a cidadania. Começamos nos combinados,  nas conversas, nas assembleias, e acreditamos que, no futuro, este trabalho possa contribuir para uma sociedade melhor.

Continuando este projeto, iniciado pelas assembleias, aproveitamos as eleições deste ano, que por si só já atraem a atenção dos alunos, para discutir outras questões relacionadas à política, ética e cidadania.

Para que possam pesquisar, discutir, refletir e debater sobre estes temas, os alunos precisavam ter vivenciado as assembleias e desenvolvido um pouco das capacidades destacadas por Puig.

Logo que propusemos o tema Eleições, o grupo mostrou-se muito empolgado e, a cada discussão, pesquisa, leitura, percebemos o envolvimento, a participação e o encantamento de todos. Este encantamento nos surpreendeu, talvez pelo atual desencantamento com a política.

Construir uma cultura democrática não é uma tarefa fácil, mas possível! Para tanto, os alunos precisam vivenciar experiências democráticas em sua sala de aula, conhecer como funciona o nosso país, qual o papel de cada um, debater e refletir sobre nossos problemas. Afinal, a tão famigerada “política” é muito nossa e não deve ser deixada nas mãos de poucos.

O olhar crítico sobre o mundo que os cerca, seja no universo mais restrito da escola, seja para a sociedade como um todo, vai ficando mais aguçado com o desenvolvimento da adolescência e a passagem para a vida adulta. Ficam mais evidentes nesta fase as dificuldades do exercício da individualidade sem ferir o coletivo e os outros indivíduos do grupo.

As discussões em classe sobre os problemas que dizem respeito ao cotidiano do grupo são frequentes e estimuladas pelos professores tutores do Fundamental 2.

No Ensino Médio, as grandes questões políticas, nacionais e globais, são tratadas na disciplina Atualidades e Política que busca, a partir das notícias e eventos atuais, um constante debate de ideias  sobre os temas de exercício da cidadania, da atuação de cada um e do papel das nações como seres políticos.

Para saber mais...

Para as crianças:




Para os pais:

http://apps.tre-ro.jus.br/eleitordofuturo/eleicoes2012/TRE-RO-PEF-2012-explicando-politica-as-criancas.pdf Texto de Rubem Alves – Explicando política às crianças

http://educarparacrescer.abril.com.br/indicadores/testes/voce-conhece-bem-o-seu-candidato.shtml

http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendizagem/como-filho-cidadao-781841.shtml?utm_source=redesabril_educar&utm_medium=facebook&utm_campaign=redesabril_educar

http://educarparacrescer.abril.com.br/comportamento/trabalho-grupo-futuro-778280.shtml?utm_source=redesabril_educar&utm_medium=facebook&utm_campaign=redesabril_educar

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Exposição 2014

A Exposição de Trabalhos deste ano explicita uma parte da complexidade e da multiplicidade da ação pedagógica desenvolvida por nossa escola. 

Mostraremos, por meio dos diversos projetos realizados, da educação infantil ao ensino médio, a importância da interdisciplinaridade como uma ferramenta indispensável na construção dos saberes de nossos alunos.


É o conjunto destes saberes que, aliados à arte e à estética, é capaz de atender à necessidade de mudanças paradigmáticas do saber tradicional exigidos pela vida atual.

Para a Educação Infantil e o Ensino Fundamental 1, a motivação inicial para a representação dos elementos do planeta – terra, água, fogo e ar – foi a necessidade de chamar a atenção para a preservação ambiental.

A partir daí, pensamos na necessidade humana de todos os tempos de explicar os fenômenos da natureza por meio da criação de figuras míticas. Durante a contação de histórias, seres fantásticos como fadas, duendes, gigantes, dragões, seres alados, plantas exóticas e seres aquáticos foram sendo reconhecidos e recriados pelas crianças.

 
Muitos dos materiais utilizados foram reaproveitados, como caixas de ovos, jornais, garrafas PET. Assim, tivemos mais uma oportunidade de conversar com as crianças e ensiná-las a vivenciar as inúmeras possibilidades de redução do lixo de forma criativa.

Deste modo, a Ciência, a Literatura e as Artes Plásticas foram as fontes de inspiração e pesquisa para o trabalho representado pelos alunos da Educação Infantil e do Ensino Fundamental I.

Para os alunos do Fundamental 2 e do Ensino Médio, as motivações passam pelas questões da sustentabilidade, das intervenções da arte urbana e das profundas diferenças encontradas no universo do centro e das periferias das grandes cidades. A matemática, as ciências, a física e a biologia se inspiraram no Renascimento e na obra de diversos artistas contemporâneos para materializar parte dos complexos conceitos trabalhados no extenso conteúdo anual.

 
 

A produção de textos e o uso da fotografia permitiram aos alunos o exercício da união destas linguagens como expressões da criatividade e da técnica formal da escrita em português e em espanhol.

Nos moldes do que ocorre nas grandes mostras, no domingo os alunos se revezarão para realizar a monitoria, orientando os visitantes sobre os trabalhos expostos.

A Exposição é, sem sombra de dúvida, o evento mais importante de nosso projeto pedagógico, lembrado por todas as gerações de alunos que dela participaram como tendo sido decisiva no desenvolvimento de seu gosto pela Arte, pelo desenvolvimento de seu senso estético, na criação de um espírito de equipe, atributos utilizados seja qual for a profissão escolhida por eles.

O trabalho só se realiza com a visitação dos pais e dos convidados, prestigiando a mostra e se envolvendo nesta multiplicidade de conhecimentos, técnicas e expressões.

Aguardamos vocês.

Dia 28 de setembro de 2014, das 10 às 17 horas.

Na segunda-feira realizaremos a monitoria interna da Exposição, com a troca de experiências entre os alunos, sendo esta mais uma oportunidade de reconhecimento pelo esforço e dedicação de todos que dela participaram.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Sobre as Reuniões de Pais

Durante todo o ano realizamos reuniões de pais com propósitos e formatos variados.

Comunicar nossas intenções e valores educacionais e estabelecer um relacionamento de parceria e confiança são nossas metas principais. A ideia é a de que a escola seja um espaço de reflexão, troca e convívio também para os pais de nossos alunos.  

 

Durante o ano, muitos instrumentos são utilizados por nós para informar os pais sobre o trabalho pedagógico e o aproveitamento do aluno, como as circulares, os relatórios, as entrevistas, mas é na reunião de pais que conseguimos transmitir a paixão e o empenho de toda a equipe pelo que acontece no dia a dia da escola.
Quando selecionamos os temas a serem apresentados, consideramos vários aspectos: o perfil do grupo, as habilidades do professor, as necessidades da faixa etária, temas que surgem como interesse ou necessidade de informação, além de compartilhar metodologias atuais e conteúdos trabalhados.


As estratégias utilizadas também são parte de nossa preocupação: além dos PowerPoints organizados com as informações e recheados com fotos e filmes, muitas vezes fazemos rodas de discussão, palestras com especialistas, análise conjunta das produções dos alunos, rodas de livros para os pais que desejam pensar e aprender sobre temas relacionados à educação das crianças.

A partir do 6º ano do Ensino Fundamental e no Ensino Médio, além das reuniões gerais de apresentação, um tipo de reunião que traz enormes possibilidades de trabalho para a equipe da escola e as famílias são pequenos encontros diretos com os professores de cada disciplina, quando cada profissional, individualmente, expõe a sua visão sobre cada aluno, ouve os pais e, sempre que necessário, combina estratégias específicas de atuação.


Estamos sempre preocupados em ouvir a comunidade e, para isto, usamos vários recursos como as conversas nas entrevistas, pesquisas de opinião, questionários e principalmente buscamos, no interesse e na participação, interpretar os indícios de satisfação. Todos são instrumentos valiosos para que possamos sempre aprimorar o nosso trabalho.

Acabamos de realizar uma série de reuniões que trataram dos assuntos relacionados ao 2º  trimestre e anteciparam nossas intenções de trabalho até o final do ano.
A participação dos pais nestes encontros foi excelente e a presença foi de quase 100%. 

Gostaríamos de agradecer e aproveitar para abrir, mais uma vez, a possibilidade de avaliar. Envie para nós a sua opinião, pois estamos muito interessadas em recebê-la.

Theodora Maria Mendes de Almeida (Tica) – tica@hugosarmento.com.br

Patrícia Vasconcellos  – patricia@hugosarmento.com.br

Valéria Galego – valeria@hugosarmento.com.br

Maria Angélica D. M. Almeida (Gely) – angelica@hugosarmento.com.br

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

A história das Exposições - nosso percurso na arte-educação

1966...


        Naquele dia haveria um evento de encerramento do ano letivo, onde seriam entregues aos pais as pastas com as atividades dos meus primeiros alunos. Eu estava sentada no chão, fazendo uma seleção dos trabalhos, quando apareceu José Resende – hoje um artista conceituado – que ficou encantado! Ele me ajudou a arrumá-los e a expô-los de maneira artística, juntando, em painéis, aqueles que eram feitos com os mesmos materiais. Foi um sucesso!

        Foi assim que tudo começou, de forma bastante espontânea, mas sempre com o objetivo de valorizar as produções dos alunos. Com o tempo, a exposição foi se aprimorando... E desde então a Arte esteve sempre presente.”
Patrícia Helena Mendes de Almeida,
 
educadora, fundadora do nosso Colégio

        Já nos anos 70 e 80, a produção de nossos alunos da Educação Infantil tinha um grande foco no desenvolvimento de habilidades motoras e visuais e um senso estético apurado na composição de formas e cores. A evolução da arte infantil, desde as garatujas, tem um caminho natural. Este caminho, acompanhado pelo professor por meio de estímulos interessantes e adequados, vai sendo ampliado durante a vida escolar.
   Apresentar um repertório imagético de qualidade amplia os conhecimentos e a reflexão da criança sobre o que e como ela deseja representar.       

 

        A estética é um conteúdo a ser estudado. O uso de materiais diversos possibilita o aprimoramento da técnica – aprende-se a fazer arte, fazendo. Observar, refletir, fazer e apreciar imagens em diversos tamanhos e meios, em livros, datashows ou no museu, faz parte deste processo. O papel do educador é ajudar a ver, é educar o olhar.         

 

        A reflexão acontece a partir das informações, das discussões com os colegas ou com outros artistas, das pesquisas. Saber sobre a vida do artista traz um outro modo de ver. Nas aulas de artes procuramos trazer para os alunos um universo amplo de imagens e referências para que possam se inspirar, refletir e produzir. A ação depende desta reflexão. Aqui, o estudo da História da Arte tem um sentido amplo e significativo. Para fazer a sua própria obra, encontrar o seu estilo e a sua temática é preciso conhecer e experimentar. Muitas vezes. O momento da apreciação é o de observar e refletir sobre sua própria produção, seu percurso, sua intenção. O resultado do trabalho deve ajudar a querer saber e fazer mais, fazer de novo.
        Trabalhar a releitura de obras de arte, na escola, requer um cuidado especial. Muitas vezes confundida e interpretada como cópia, a releitura de imagens, quando bem orientada, pode relacionar história da arte, leitura de imagens e fazer artístico de maneira bastante significativa.
       
       Dar a oportunidade de o aluno ler e reler uma obra significa possibilitar que ele amplie a significação do objeto analisado, modificando e vivenciando outras experiências, ampliando e construindo conhecimento. Neste sentido, uma releitura jamais poderia ser uma cópia, uma vez que exige a atualização de um olhar que se alarga a cada leitura. Fazer uma releitura de uma obra de arte significa, então, refazer a obra acrescentando ou retirando informações do universo do artista inspirador para a produção de uma “nova versão”, única e pessoal.


        Realizar um trabalho com suportes tridimensionais – esculturas – requer um estudo minucioso do equilíbrio e da forma e uma adequação entre os materiais que desafiam nossa percepção visual. Desde a Educação Infantil, nossos alunos são expostos a experimentações com os mais diversos meios. A busca por uma representação ultrapassa, assim, os desafios estéticos que o material oferece. Quando chegam ao Ensino Médio, com um maior domínio da técnica, os alunos podem aprimorar a utilização destes meios e suportes e realizar com mais liberdade aquilo que desejam expressar.        

2014...
           Neste período, não há quem não tenha se encantado com a seriedade e a beleza deste trabalho, que desde muito cedo uniu a arte e a educação. Os alunos e professores que atuaram e aprenderam com estas exposições levam consigo um tesouro que alimenta o espírito e a alma.

        Os pais que puderam proporcionar aos seus filhos tudo isto, com certeza ficaram satisfeitos por eles usufruírem desta experiência.

       Somos gratos e felizes por manter a chama do conhecimento e o amor pela Arte durante toda esta trajetória. 

         Neste ano, faremos nossa 49ª Exposição e esperamos por todos vocês.


quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Seres fantásticos

A Imaginação é o lugar onde as coisas que não existem, existem.                                                                                                                  Rubem Alves

Da infância à fase adulta...Quem nunca se encantou com os seres fantásticos dos clássicos da literatura?
Estes livros são uma maravilhosa herança cultural que vem se acumulando por séculos e séculos. Por meio deles, viajamos por mundos distantes, nos familiarizamos com diferentes seres, nos surpreendemos, nos questionamos... “Os clássicos serão sempre eternos e sempre novos”, como disse Ana Maria Machado.
Como nós, as pessoas do passado queriam compreender a si próprias e o mundo. Cada cultura tem a sua história para explicar como o mundo foi feito. Os mitos, as lendas e o folclore abordam os seres humanos, a natureza e seus fenômenos por meio de histórias, criando seres encantados. Eles nos ajudam a refletir sobre as grandes questões que estamos sempre buscando entender.
Essas narrativas foram transmitidas oralmente pelos diferentes povos para explicar fatos reais e acontecimentos misteriosos e, ao longo do tempo, foram modificadas pela imaginação das pessoas.
Os seres fantásticos estão presentes na literatura, nas artes plásticas, nas brincadeiras das crianças, enfim, fazem parte da nossa vida.
Neste trimestre preparamos uma seleção especial de livros repletos de fadas, ninfas, duendes, gnomos, dragões, unicórnios, gigantes, ogros, sereias, etc.
Alguns exemplos: 


A escola é lugar privilegiado parta compartilhar estas leituras, pois uns complementam os pensamentos dos outros, trocam sentimentos e impressões sobre o que ouvem e veem.
Nossos alunos estão imersos nessa magia, encantados com este universo. Assim, estimulamos sua imaginação e os convidamos a expressar artisticamente suas ideias.
   
Fadas - G4
Seres alados - 1º ano

Sereias - 3º ano


Sereias - 3º ano

       À medida que o tempo passa e as crianças crescem, o universo mítico fica menos presente de modo explícito, mas permanece na literatura fantástica e no tom alegórico que muitas obras assumem. É assim com "A Metamorfose", de Kakfa, que lemos no 9º ano, com o "Auto da Barca do Inferno", de Gil Vicente, com "Os Lusíadas", de Luís de Camões, na 1ª série do Ensino Médio, ou com a fantástica história de Brás Cubas. Em todas essas obras, a experiência adquirida ao longo do fundamental, a partir do encanto de fadas e duendes, serve de fundamento para a leitura do mundo no texto que escapa de sua lógica.


quinta-feira, 21 de agosto de 2014

ÁGUA - É preciso conscientizar

Em uma cidade que convive praticamente todos os verões com o drama das enchentes, enfrentar uma crise de abastecimento pode parecer algo incomum. No entanto, há pelo menos dez anos já se sabe que são necessários investimentos no setor que permitam a construção de novos reservatórios e melhorem o sistema de distribuição de água tratada em São Paulo. Bastou, então, um verão atípico para que chegássemos a uma situação crítica.
  
       Diante de um quadro tão grave, discutir o problema em sala de aula torna-se ainda mais importante. Em nosso colégio o assunto água é trabalhado em vários momentos: nos projetos da Educação Infantil, como o das árvores ou o dos animais dos Polos, por exemplo, mas ganha um especial destaque no 3º ano, quando é tema de projeto, e depois é retomado no 6º ano, como parte do estudo do planeta Terra.

 

    Neste ano, os alunos do Grupo 4 fizeram um registro que gerou muitas reflexões. Anotaram, desde o mês de fevereiro, os dias de chuva. Isto porque estavam cuidando das plantas e verificando os dias em que era preciso regar.


 

Desde que foi criado, o projeto Água do Ensino Fundamental 1 inicia-se com a seguinte pergunta: “De onde vem a água que usamos no dia a dia?”.  É justamente a partir de uma questão sobre o abastecimento da população com água potável que os alunos começam a aprender sobre esse recurso natural e a pensar sobre as ações necessárias para evitar que ele se torne cada vez mais escasso.

Ao observar a evolução do abastecimento de água e da captação de esgoto ao longo da história, os alunos percebem o quanto já melhoramos em termos de saneamento básico. Porém, quando confrontam essas informações com as notícias a respeito da falta d’água em nossa cidade ou mesmo em outras regiões do Brasil e do mundo, veem que ainda temos muito a fazer até que todos possam dispor de água tratada.

O resultado desse estudo é transformado em uma campanha em que os alunos visitam outras classes e conversam com os colegas a respeito do assunto. Com essa ação, tornam-se, além de participantes desse esforço coletivo de economia de água, divulgadores de suas medidas e multiplicadores de atitudes cidadãs.

 

Vivemos em um país cujos recursos hídricos são abundantes, mas, para os habitantes de São Paulo, o abastecimento da cidade com água potável foi, desde o princípio, uma corrida contra o aumento populacional. Para que possam compreender melhor o desafio que é fornecer água potável para nossa cidade, anualmente levamos os alunos a uma das estações de tratamento de água da Sabesp. Desta vez a equipe de educadores do colégio tem uma missão a mais: deve informar nossos estudantes sem, contudo, alarmá-los.

A preocupação por eles demonstrada é grande e não tem sido uma tarefa fácil admitir que a reserva do sistema Cantareira possa acabar já em outubro. As discussões sobre a falta d’água continuam e, felizmente, é possível observar que o número de alunos que têm adotado medidas de economia de água vem crescendo.

Outro fato animador é o interesse de vários de nossos alunos pelas próximas eleições. Apesar da pouca idade, alguns falam como se já fossem eleitores. Os meteorologistas preveem mais um verão com poucas chuvas e a solução para o problema do abastecimento de água em São Paulo inclui fazer, nas urnas, a melhor escolha possível. Por isso, analisar as propostas dos candidatos ao governo estadual e discuti-las no espaço escolar também faz parte desse trabalho de educação ambiental.  

   

Estas questões tornam-se ainda mais relevantes para os alunos do Ensino Médio, uma vez que parte deles já tem direito ao voto e o posicionamento político partidário surge durante os debates. As discussões sobre o tema em sala de aula ganham uma abordagem mais ampla e aprofundada, levando-se em conta os aspectos políticos, econômicos e sociais não só de nossa cidade, mas do Brasil, e os conflitos pelo mundo que envolvem a disputa pela água potável.

Aspectos duros da realidade, como informações de que cerca de um sexto da população mundial não tem acesso à água potável, que 40% dessa população não têm instalações sanitárias em casa, que aproximadamente 80% das doenças que ocorrem no mundo estão relacionadas ao consumo de água em más condições sanitárias e que, em cidades como São Paulo, cerca de 50% da água potável se perdem por vazamentos, infiltrações, ligações ilícitas e por desperdícios, despertam a consciência para os complexos problemas que envolvem a urbanização nos grandes centros ao redor do mundo.

Pensar, conhecer, refletir e agir... são quatro verbos fundamentais que permeiam as atividades pedagógicas na escola e que estão a serviço da construção da participação cidadã.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

PENSANDO EM 2015...

Sabemos que é preocupação dos pais e das mães oferecer aos seus filhos, além de uma escola de qualidade, oportunidade de uma formação mais ampla, de um convívio saudável com outras crianças e adolescentes e estímulos adequados para cada faixa etária.
Como pais, ficamos tranquilos quando nossos filhos estão na escola, pois sabemos que ali eles vão se desenvolver de modo saudável e pleno, assistidos por profissionais que se dedicam a pensar e a fazer o tempo didático ser aproveitado da melhor maneira.
Mas, e no tempo em que eles não estão na escola? À medida que vão crescendo, suas necessidades vão se modificando. Em comum, entretanto, é o desejo de conseguir uma formação complementar, a mais ampla possível, além dos conteúdos formais da escola, em ambiente seguro e de fácil acesso. 
Em um encontro que realizamos com um grupo de mães parceiras da escola, no final do semestre passado, buscamos identificar quais as maiores preocupações e desejos das famílias quanto ao tempo e à rotina das crianças e jovens fora da escola.
O tempo excessivo passado na frente da televisão e o uso desmedido do computador e dos videogames foram citados como as maiores preocupações das famílias. Também notamos a vontade de oferecer momentos de brincadeira e diversão num ambiente apropriado e seguro.

Concordamos, educadores e pais, que o tempo de lazer e a possibilidade de estar em casa sem atividades dirigidas são fundamentais.
Realizamos, junto aos alunos mais velhos, uma pesquisa para levantar quais as atividades realizadas por eles no período oposto ao da escola, com o objetivo de conhecer um pouco mais a questão.
A oportunidade de participar de propostas que contemplem a movimentação do corpo – nas diversas modalidades esportivas e de expressão corporal; atividades que estimulem o prazer pela música; que favoreçam a manipulação de materiais diversos, que abram mais possibilidades de conhecer a cidade e as diversas culturas, que tragam novos pensamentos e raciocínios em forma de jogo e diversão, parece ser mesmo o interesse de pais e filhos.
E como usufruir tudo isto nesta cidade que sofre com a dificuldade de mobilidade, insegurança e altos custos?
Em nossa experiência, nestes anos todos dedicados à Educação de crianças e jovens, já oferecemos nossos serviços em diversos outros formatos de tempo, inclusive o integral. Entretanto, não queremos repetir o formato, por acreditarmos que o tempo da criança deve ser equilibrado, entre casa e escola, e que cada um possui habilidades e interesses específicos e diversos que precisam ser respeitados. Um período integral convencional não consegue contemplar esta diversidade de interesses dos alunos e a necessidade das famílias, normalmente extenuando fisicamente as crianças e financeiramente aos responsáveis.

Pensamos, então, em oferecer um programa de atividades que complementem o rico período em que os alunos já passam em nosso colégio, mas que estes possam optar pelos dias e pelas atividades com que mais se identificarem.


O critério destas escolhas também pode variar: seja porque já são habilidosos o bastante e querem se aprimorar ainda mais em alguma área ou porque a oportunidade de conhecer e fazer uma atividade em um contexto diferente os ajudará a aprender e a se desenvolver mais.
A Equipe de Coordenação e Direção da escola esteve dedicada durante o primeiro semestre a pensar nestas questões e a elaborar uma proposta para 2015 que complementará o aprendizado de nossos alunos no tempo contrário ao que estão na escola.
Para que atendamos plenamente aos interesses da maioria, nas diferentes idades, elaboramos questionários que nos ajudarão a finalizar as nossas ideias. Para contribuir com sua opinião, por favor, acesse o link e responda ao questionário: https://pt.surveymonkey.com/s/MRP59BD 
Em breve retomaremos o assunto nas reuniões de pais.

Desde já agradecemos por sua colaboração.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Dia dos Pais

A comemoração do Dia dos Pais na escola

Sempre entendemos as datas comemorativas como uma especial oportunidade de proporcionar um encontro. 

No início, nos anos 70 e 80, a expectativa das famílias era a de ver as crianças se apresentarem, em geral um musical ou pequenas leituras de poemas e dramatizações. Os pais saíam do trabalho, vestidos com seus ternos e gravatas e sentavam-se somente para assistir. As crianças preparavam presentes como escovas para engraxar sapatos, flanelas para limpar o vidro dos carros, objetos para escritório.

A partir dos anos 90 houve uma mudança de comportamento e de valores, a relação dos pais com seus filhos foi se modificando e a escola entendeu que a manutenção destes encontros no ambiente escolar é fundamental.
Nas cartinhas ditadas ou escritas pelas crianças, uma coisa nunca mudou: o desejo de todos os filhos é o de passar mais tempo com seus pais; assim, a escola pode colaborar e se emocionar junto com todos.
 
Hoje, mesmo mais disponíveis para os filhos, nem todos os pais podem se ausentar do trabalho durante a semana para trazê-los ou buscá-los na escola; então, esta é mais uma oportunidade de ver seu filho junto com as outras crianças, conhecer os outros pais e perceber a relação de seu filho com a professora e demais pessoas da escola.

Nossas propostas agora privilegiam sempre a interação, o “fazer junto”, o compartilhar; por esta razão, a comemoração acontece aos sábados.  Elas são sempre relacionadas ao que vivemos na escola – assim, os pais podem também saber e acompanhar de perto o que as crianças estão aprendendo. Nos últimos anos fizemos construção de máquinas sonoras, pintura em azulejos portugueses, passeio e brincadeiras antigas na praça, visita a museu, enfim, momentos interessantes e que condizem com a proposta pedagógica da escola. 

 


Neste sábado, esperamos pelos pais dos alunos da Educação Infantil e do Ensino Fundamental I para mais um delicioso encontro.
A partir do Ensino Fundamental II, os alunos já não desejam este encontro na escola, mas sabemos que o momento de estar juntos, o diálogo, o tempo compartilhado serão necessidades para a vida toda.
Que seja um feliz Dia dos Pais com seus filhos!

Clique aquiEste link também fala de modo interessante sobre o papel dos pais na vida dos filhos.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

REINICIAR...

As férias chegaram ao fim, já é hora de retornar. Todos voltam às suas atividades como estudantes e educadores, readaptando-se à rotina diária. 
  
Voltar a conviver em grupo é sempre um desafio. Por isto, as atividades que serão propostas têm grande importância no processo de reintegração do grupo, e as crianças vão, aos poucos, se envolvendo. 

 

Na Educação Infantil desenvolvemos o trabalho com os “Registros de Férias”, criando oportunidade para que cada criança compartilhe suas vivências. Todos estarão ansiosos e curiosos para saber como foram as férias e contar o que fizeram.

 

No Fundamental 1, após o reencontro, iniciaremos o fechamento do 2° trimestre, promovendo várias ações para avaliar os alunos em seu processo de aprendizagem, com o objetivo de verificar a evolução de cada um.

Toda a variedade de instrumentos que usamos no dia a dia serve para identificarmos as necessidades, uma vez que cada um possui ritmo e formas de aprendizagem diferentes.

Nos meses de maio e junho foram realizados estudos do meio, trabalhos em grupo, debates, relatórios de observação e atividades avaliativas. No mês de agosto tomamos um maior cuidado com relação à retomada dos conteúdos e, para isso, usamos a lição de férias como uma das estratégias. No 3° ano é realizada uma orientação de estudos em sala de aula, com a professora; a partir do 4° ano, gradativamente, segue um cuidadoso roteiro de estudos para casa, como preparação para a realização da prova trimestral.

 

Acreditamos que esse período é decisivo para o aluno tomar consciência do seu percurso escolar e, principalmente, dedicar-se aos estudos, caso não tenha apresentado um bom desempenho no 1° trimestre. Por isso, os alunos também realizam, junto com o professor, uma autoavaliação, com a finalidade de identificar quais pontos têm que ser melhorados e ajustá-los no decorrer do trimestre.

Neste período de retomada das atividades, a participação e a colaboração dos pais é muito importante.

O retorno às aulas no 2º semestre demanda uma organização especial dos alunos do Fundamental 2 e do Ensino Médio, pois com a volta em agosto temos o início da semana de provas trimestrais. Depois de um mês de merecidas férias, é hora de darmos continuidade ao ritmo diário de estudos necessário a cada disciplina. Assim, toda a equipe pedagógica – professores e tutores – assume um papel fundamental de orientadores do processo de estudo para as provas nesta época do ano.

Aos professores, cabe orientar os alunos neste processo de retomada dos conteúdos, seja nas revisões feitas nos primeiros dias de aulas de agosto, em que relembram em sala quais foram os itens da matéria estudados até o final de junho, seja nas orientações específicas de estratégias de estudo para cada disciplina. Às tutoras das turmas, cabe fazer uma discussão com a classe sobre as estratégias individuais de estudo para as provas e promover o intercâmbio destas experiências. Desta forma, é possível abrir espaço na escola para a colaboração entre os próprios alunos sobre as formas e as técnicas de estudo ainda não exploradas por todos.

Desejamos a todos um retorno tranquilo, com a expectativa de muitas novidades e aprendizagens significativas.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

O importante período de férias

              As férias chegaram e, com elas, a oportunidade para as crianças descansarem e aprenderem muito, de uma outra maneira. Este período é muito importante para a criança fazer as coisas com mais tranquilidade.
             Neste sentido, sabemos que existe uma linha de pensamento que caminha nesta direção.
              É o movimento Slow, uma corrente de pensamento que prega a desaceleração. Ele já está em diversas áreas, como na alimentação com o slow food, na moda com o slow design e na criação dos filhos com o slow kids ou slow parenting. O precursor dessa ideia é o escritor e jornalista Carl Honoré, autor de dois livros que dão base para o movimento, “The Power of Slow” e “Under Pressure”.

Os 10 princípios do Slow Kids:
1.  Desligar todo tipo de tecnologia por pelo menos 1 hora por dia (mais é melhor).
2.  Ser os pais – deixar de tentar ser os amigos do seu filho.
3.  Cultivar a habilidade de observar seus filhos, e outras crianças, e ser atento nessas  observações. Perceber as diferenças das várias idades.
4.  Casas são as primeiras escolas, pais os primeiros professores. Entenda os valores e a importância do seu papel.
5.  O trabalho de uma criança é brincar.
6.  Você deu a vida, mas você não é a vida do seu filho.
7.  Ok dizer não. Estabeleça limites.
8.  Menos é mais – criatividade muitas vezes nasce do tédio.
9.  Entenda, respeite e honre sua comunidade – dentro e fora de casa.
10.  Aprenda a cultivar espaços silenciosos durante o dia e ter tempo pra esvaziar a mente.

Para saber mais sobre isto, clique em http://www.slowkids.com.br/

Para muitos pais, porém, o período de férias representa um desafio, pois eles querem encontrar formas seguras de cuidar e entreter os filhos. Então, como programar as atividades das crianças, já que elas reclamam ao ficarem sozinhas em casa, longe dos amigos?

         É uma ótima oportunidade para conversar mais com os filhos, combinar juntos o que será melhor para todos, como fazer as refeições juntos e aproveitar os momentos para passeios e brincadeiras, seja um piquenique, um passeio ao clube ou os programas culturais disponíveis na cidade.
        Manter os contatos sociais com pessoas da família, como avós e primos, também é muito significativo. Partilhar momentos em família é fundamental para a formação da criança e deixa recordações para a vida inteira.

O contato com os amigos da escola também é uma forma agradável de diversão. Podem passar o dia um na casa do outro ou combinar passeios, estreitando desta forma os laços de amizade.                             

A palavra férias remete a descanso, passeio e diversão, mas também é possível aproveitar as férias para aprimorar certas habilidades, como participar de oficinas de artes, aprender a tocar um instrumento musical, conhecer mais sobre a cultura de determinado local, ler aquele livro que estava com vontade ou ouvir uma boa música.
                                                       Compartilhando o Diário de Férias na volta às aulas

Aqui no colégio, os alunos da Educação Infantil e do Ensino Fundamental I costumam levar uma atividade de férias, com o propósito de estabelecer conexão com os assuntos dos projetos, pois o trimestre é interrompido pelas férias. Há uma grande preocupação em garantir o período de descanso da rotina escolar e, por isso, cuidamos da dosagem da atividade, para que seja interessante, leve e que possa ser compartilhada com os familiares.

Outras sugestões para férias saudáveis e descontraídas e que envolvam parentes e amigos: temporada com os avós; rever álbuns de fotografias ou passar um tempo em colônia de férias com atividades recreativas e esportivas; fazer passeios ecológicos; andar de bicicleta e fazer piquenique no parque; ir a circos, museus, espaços culturais, teatros, cinemas, além de proporcionar momentos com os amigos em casa, em que possam brincar com seus próprios brinquedos.

 Mais dicas sobre o tema:


Esse período é necessário para que alunos e a equipe pedagógica “recarreguem as baterias” e aproveitem cada momento para depois retornarem às aulas com mais disposição para a aprendizagem e para a vida que segue.

Boas férias a todos!