quarta-feira, 9 de setembro de 2015

A Educação Física para além da quadra

Por Raquel Salge

Quando pensamos em Educação Física, logo imaginamos: bolas, coletes de times, jogos e exercícios. No entanto, no Colégio Hugo Sarmento, esta disciplina vai além deste olhar e também está atenta ao aspecto físico dos alunos.

Todos os anos, em nossas aulas, os alunos do ensino fundamental I têm suas medidas de peso e altura aferidas. Com estes dados, calculamos o IMC (Índice de Massa Corporal) de cada um.

O IMC é uma medida de referência internacional reconhecida pela OMS (Organização Mundial da Saúde). O cálculo é simples, mas permite uma avaliação geral para definir se a relação peso/altura está correta para a faixa etária. Para determinar o IMC, basta dividir o peso do indivíduo (massa) pela sua altura ao quadrado. A massa deve ser definida em quilogramas (kg) e a altura, em metros. 

A análise do resultado é realizada com base em uma tabela que considera a idade e o sexo, permitindo a identificação de situações que caracterizem baixo peso, peso normal, sobrepeso ou obesidade.


 O foco deste trabalho são os alunos do 5º ano, fase que coincide com a chegada da pré-adolescência. Neste período, que começa por volta dos 10 anos de idade, inicia-se um grande processo de mudanças físicas e emocionais. Estar mais atento às mudanças e alterações do peso é ainda mais fundamental para a chegada saudável a esta fase, repleta de novidades. A família tem um papel essencial para estabelecer uma rotina saudável; por isso, os dados coletados são compartilhados e discutidos com os pais em reunião presencial, momento em que dúvidas podem ser esclarecidas e são dadas orientações simples.
O equilíbrio é a palavra chave para a manutenção de um corpo saudável. Este equilíbrio é encontrado na relação entre gasto e consumo de energia.


Se ingerirmos mais calorias do que gastamos, o corpo irá armazenar em forma de gordura e, se o contrário acontecer, iremos perder peso. Com a chegada da adolescência, este equilíbrio muitas vezes é quebrado. O adolescente brinca menos e geralmente faz escolhas por alimentos hipercalóricos.  

Saber escolher é fundamental. Pensando nisso, na disciplina de Ciências, os alunos do 5º ano aprendem noções básicas de nutrição, leitura de rótulos de alimentos, nutrientes, além do preparo de alimentos saudáveis e gostosos. Com este aprendizado, eles mesmos conseguirão fazer escolhas mais saudáveis e conscientes.

 
        
Um dos grandes problemas atuais, relacionados à saúde, é o crescimento da prevalência de sobrepeso e obesidade. O que antes era um problema exclusivo de algumas regiões e classes sociais, hoje não é mais, atingindo o Brasil de forma geral. O IBGE mostrou, neste mês, que o Brasil está engordando. Se continuarmos nesta crescente, em 10 anos estaremos iguais ao país mais gordo do mundo, os EUA, onde um terço da população está acima do peso adequado. 

Pequenas alterações na rotina da família e do adolescente ajudam a encontrar o equilíbrio para uma vida mais saudável.

Nossos alunos do 5º ano estão em plena mudança e nós estamos atentos para ajudá-los a se cuidar e a se conhecer, atuando com uma abordagem multidisciplinar, a fim de assegurar a transição para o próximo ciclo da vida escolar de maneira saudável e estimulando a conquista de bons hábitos para toda a vida. 

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

CAMBRIDGE ENGLISH EXAMS

MOTIVAÇÃO INTRÍNSECA - UM DOS SEGREDOS DO SUCESSO
 DA APRENDIZAGEM DE INGLÊS

Cecilia Levart Zocca – Profª de Inglês do Ensino Médio


      Independentemente do tempo em que nós professores de inglês estamos atuando em sala de aula ou ministrando aulas particulares, estamos sempre estudando e revendo as várias teorias de aprendizagem, participando de congressos, palestras, encontros de professores, fóruns e sempre estamos tentando mudar, aperfeiçoar, aplicar o que vimos, ouvimos ou discutimos. O mundo moderno nos proporciona oportunidades de acesso rápido à informação, às novidades e à interação com outros profissionais enquanto alimenta nossa busca incessante de aprimoramento. Porém, nem todos os profissionais encaram seu dia a dia profissional dessa forma entusiasmada e estimulante. Nem todos vibram e se sentem instigados a se reciclarem constantemente. A muitos falta “motivação”. Mas, o que nos motiva em nosso trabalho?  E quanto aos nossos alunos? O que os motiva a estudar? Por que dentro de uma mesma empresa tem-se funcionários envolvidos em seu trabalho e outros tão desmotivados? Por que uns estudam tanto e outros tão pouco ou quase nada dentro de uma mesma escola e até mesmo dentro de uma mesma sala de aula? 
Dentro da psicologia e do mundo empresarial temos várias teorias que tentam definir e explicar o conceito de motivação, mas todas elas apresentam um ponto em comum: a motivação é uma resposta a estímulos externos e internos. É um consenso entender que os recursos positivos do lugar em que estamos nos estimulam, nos animam e nos impulsionam. Fácil imaginarmos que um ambiente agradável e natural produz um efeito bastante positivo em cada um de nós, enquanto que um ambiente desagradável e coercitivo pode nos trazer sensações de desânimo e tédio. Mas não podemos esquecer que a motivação também é intrínseca, ou seja, também se origina dentro de cada um de nós. Ela está intimamente atrelada aos novos objetivos pessoais, ao sentido que damos às coisas em nossas vidas, à nossa escala pessoal de valores. E é este referencial, particular e individual, que dará realmente sentido à maneira pela qual cada um de nós opera sua motivação. Embora tenham origens diferentes e apresentem fatores distintos, os motivos externos e internos que fazem parte da realidade de cada um de nós atuam em conjunto e se complementam para atingirmos a conquista de nossas metas. 
Nossos alunos do 3º ano do Ensino Médio se mostraram extremamente motivados com a grande novidade que apresentamos no curso de Inglês deste ano. Em parceria com a University of Cambridge, o Colégio Hugo Sarmento ofereceu a oportunidade de todos se submeterem a exames para obtenção de certificados internacionais. Com esta parceria, nossos alunos realizaram essas provas sem custo adicional – o preço desses exames varia de R$ 400,00 a R$ 600,00 se realizados fora desta escola –  e obtiveram um dos certificados de inglês mais valiosos, aceito em milhares de empresas e instituições de ensino no mundo e que pode ser usado para que concorram a bolsas de intercâmbio do programa Ciências sem Fronteira.
Após uma prova classificatória, em que definimos o grau de conhecimento e o tipo de exame que cada um estaria apto a realizar, trabalhamos com os alunos os testes que foram oferecidos para estudo e treino com informações e vídeos da web. Fizemos apresentações sobre a importância deste exame para a continuação de seus estudos e para o futuro profissional de cada um. Com toda a motivação externa ativada pela escola, nossa turma de 3º ano compareceu quase que totalmente (com somente duas abstenções) no dia da realização dos exames.
Uma equipe do Cambridge English veio até nossa escola para aplicação dos exames que constam de: produção escrita, conversação, leitura e compreensão de textos e compreensão auditiva. Estes exames são enviados e corrigidos na Inglaterra, com total isenção. Confira nossos resultados:


CPE refere-se a um certificado destinado àqueles que desejam um certificado da língua inglesa em nível o mais avançado possível. É o exame mais complexo oferecido pela a comissão de exames ESOL da Universidade de Cambridge, e exige o domínio da língua em nível similar ao de um falante nativo. O perfil do candidato do teste é de professores de inglês e aqueles profissionais que desejam exercer atividades laborais e acadêmicas. É um certificado permanente e não necessita ser renovado.


O FCE é destinado aos estudantes cujo domínio de inglês é avançado em várias áreas distintas, incluindo negócios e estudo. Alunos que possuam um vocabulário vasto, capacidade de construir um argumento e usar adequadamente diferentes estilos de comunicação para diferentes situações. Os estudantes também necessitam entender as diferentes situações de interação social, normas cultas e graus de formalidade.


O KET é definido no Nível A2 do Quadro Europeu Comum de Referência para Línguas (CEFR). Atingir este nível mostra que o aluno é capaz de compreender e usar frases e expressões básicas, apresentar-se e responder perguntas básicas sobre informações pessoais, interagir com falantes de inglês que falem devagar e com clareza, escrever anotações curtas e simples.

     Com a divulgação dos resultados, fizemos uma pesquisa e constatamos que os alunos que estudam há mais tempo no Hugo Sarmento apresentaram melhores resultados nos exames. Na análise, em que cruzamos os dados da performance dos alunos e os anos dedicados a cursos de inglês extracurriculares, constatamos também que não é possível afirmar que exista uma relação entre o tempo de estudo de Inglês em cursos fora da escola e o desempenho de nossos alunos nos exames. O resultado desmistifica o conceito tão arraigado de que só se aprende inglês fora do colégio. 

Laura Condini, Mateus de Andrade e Thomas Destro obtiveram as melhores notas dentre os alunos que prestaram o Cambridge English no Hugo Sarmento. Os três estão em nossa escola há 12 anos, desde a 1ª série do Fundamental.

      Tomando como base pesquisas, estudos, e minha experiência como professora de inglês, constato a cada dia que a motivação intrínseca é fundamental para a aprendizagem e o desempenho do aluno. A prova disso foi o desempenho de nossa turma de 3º ano que mostrou dedicação e comprometimento na realização das tarefas de estudos, no desenvolvimento das competências para a aprendizagem de inglês, na enorme curiosidade e busca por mais informações sobre vários assuntos e pela fascinação diante do novo; pelo desejo de crescer sempre.



quarta-feira, 19 de agosto de 2015

A morte, um assunto que ninguém gosta de tratar

Por Theodora M. Mendes de Almeida

Na semana passada, tivemos que lidar novamente com o tema da morte com os alunos. Mas, desta vez foi ainda mais difícil para todos nós por se tratar da morte de um ex-aluno querido, ainda uma criança. Todos ficamos chocados e muito tristes com o falecimento do Juahn. Ele era um menino especial e muito querido por todos. Esteve conosco desde os três anos até o ano passado. Neste período, passou por muitas situações difíceis, tratamentos que precisavam de muita força para superar. E ele era forte, esperto, inteligente e alegre. Temos certeza de que foi muito feliz aqui conosco.

Juahn , no centro da foto, fazendo o sinal de paz e amor!

Discutir a morte não é tarefa fácil, nem para as famílias nem para as escolas. Todos os especialistas dizem que o assunto deve ser tratado de forma aberta. Dizem ainda que desde os 2 anos, a criança é capaz de entender a perda: um animal de estimação que foge, a ausência dos pais e a morte em desenhos animados. Porém, até os 4 anos ela tem a ideia de que isso é reversível. 

Psicólogos especializados estão aptos a contribuir. O principal é analisar cada situação, propor ações e avaliar a necessidade de recorrer a especialistas.

Os alunos do 4º. Ano, colegas de Juahn, já com 9 anos, foram informados por seus pais sobre o falecimento e nós nos preparamos para ouvi-los e acolhê-los. As crianças choraram bastante e falaram sobre suas lembranças com o amigo e sobre seus sentimentos.

É necessário muito cuidado e sensibilidade para agir diante do fim da vida de alguém. A morte é uma experiência que mobiliza muitos sentimentos e emoções difíceis de serem vivenciadas - como a culpa, a indignação e a raiva. Porém certas ações favorecem a sua elaboração. Cerimônias simbólicas também constituem iniciativas interessantes – após a conversa em grupo, optamos por sugerir às crianças que fizessem mensagens escritas para registrar o que estavam sentindo.  Combinamos que cada um faria uma cartinha ou um desenho como forma de registrar suas memórias e nos oferecemos para entregar aos pais do Juahn, o que fizemos depois na missa de sétimo dia.

A partir de agora, sabemos que o importante não é tanto falar e sim escutar e observar. Os professores estão atentos às expressões das crianças, seus comportamentos e suas perguntas e até ao seu silêncio. 

Muitas famílias têm dúvidas em como abordar o tema com os filhos. Algumas falam bastante, recorrem à literatura, outras silenciam, apoiam-se em preceitos religiosos ou fazem uso de metáforas - "Virou uma estrela no céu", "Foi fazer uma grande viagem". Não cabe à escola atribuir um sentido para a morte, é importante que os pais conversem com as crianças sobre a situação de morte e perda e que transmitam a elas suas próprias crenças e valores. Acolher e dar carinho são mesmo os melhores remédios nessa hora. 

Mariáh, que entrou na escola este ano e viu o sentimento dos seus colegas, também registrou seu pensamento.


Como acontece com os adultos, a memória afetiva nunca vai desaparecer. Depois de certo tempo, acontece o chamado luto saudável, quando se percebe que é possível se lembrar da pessoa querida de forma leve e sem sofrimento. 

Juahn ficará sempre nas nossas melhores lembranças.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

ESCOLA É LUGAR DE BRINCAR!

Por Theodora M. Mendes de Almeida


Não é sem razão que o tema da brincadeira tem sido alvo de interesse de educadores de todos os tipos: pais e mães, pedagogos, pesquisadores, cineastas, jornalistas... A correria, a violência, o consumo e tantas dificuldades da vida contemporânea foram tomando o espaço da brincadeira.  

Alguns deles, de formas variadas, dedicaram seu tempo a defender a importância do brincar, como Gisela Wajskop, Renata Meirelles, Rubem Alves, Estela Renner, Adriana Klysis. Escreveram textos, poemas, fizeram documentários inteligentes e instigantes a que todos podem ter acesso. Procuramos estudar e oferecer aos nossos professores a oportunidade de incluir e vivenciar a brincadeira na escola junto com seus alunos.

Gisela Wajskop, em uma de suas publicações, nos diz que “Nas sociedades ocidentais atuais, sempre que se pensa na criança e nos cuidados e educação, faz-se uma referência ao brincar. Normalmente, a aceitação da brincadeira como parte da infância é consequência de uma visão social de que brincar é uma atividade inata, inerente à natureza da criança.”  

Este entendimento, porém, surgiu após a Idade Média, quando o brincar foi associado à criança e o trabalho ao adulto. A ideia de garantir à criança o direito de brincar é bem recente, principalmente a criança da cidade grande, que perdeu seu espaço de brincar. 


A visão romântica e saudosista da brincadeira foi também escrita de forma poética por Rubem Alves em seu livro QUANDO EU ERA MENINO: “Todo brinquedo tem de oferecer um desafio. "Desafio" é isso: uma coisa que a gente quer fazer mas é difícil fazer. Num brinquedo a gente está sempre "medindo forças" com alguma coisa: com a água (nadar é brincar com a água), com uma árvore (subir na árvore é brincar com a árvore), com uma pessoa (o "pique": quem corre mais rápido), com uma adivinhação (todo problema é um enigma a ser decifrado)... Um quebra-cabeças de 16 peças: que graça tem? É só olhar para saber onde as peças se encaixam. Mas um quebra-cabeças de 500 ou mesmo 1.000 peças: isso sim é um desafio. Aquele monte de peças em cima da mesa está nos dizendo: "Veja se você é capaz de nos ajuntar de forma que todas fiquemos encaixadas umas nas outras e desse encaixe apareça uma quadro...
Outro brinquedo de criança pequena é assobiar. Que inveja dos meninos maiores! E eu soprava que soprava, mas só saía o barulho do vento. Até que um dia, assobiei. Aí passei a assobiar o tempo todo e fui me aperfeiçoando. Até que ficou fácil. Assobiar deixou de ser um desafio. Mas um outro desafio surgiu: aquele assobio forte que se produzia pondo dois dedos na boca, debaixo da língua. Tentei muitas vezes e não aprendi. Ainda hoje eu tenho inveja...”


O filme Tarja Branca, um corajoso elogio do brincar, é um incrível manifesto pelo direito de brincar da criança, segundo jornalista da Carta Capital: “O maior recheio do filme está nas entrevistas que moldam um determinado discurso, preparam uma defesa para o tema proposto. Pessoas de profissões das mais diferentes funções, pedagogos, artistas, humoristas, psicólogos etc. misturam depoimentos pessoais com análises distintas e instigantes. Todos parecem concordar que o brincar é a atividade raiz da infância. Trata-se de uma atividade soberba porque expressa a plenitude, a expansão, a liberdade, a unidade. É a primeira maneira de ligação com o mundo social. Ela é, segundo um dos entrevistados, aquela água subterrânea que percorre todo o rio da vida que bebemos e de que dependemos.
 A proposta também escora-se nos adultos. Deve-se – por necessidade – resgatar a criança dentro de cada adulto. Não é uma tarefa simples, como procurar numa caixa velha uma ferramenta perdida, pois, na maior parte das vezes, nem percebemos o quanto nos tornamos sérios demais e ocupados demais para brincar não somente com os outros, mas com nós mesmos. Quantas vezes crianças não ouvem dos adultos que “hoje não dá, filho, estou ocupado”, “hoje não dá, filha, estou com muita pressa” ou “estou muito cansado”.


A forma de brincar também é motivo de preocupação. “O movimento Slow Kids acredita que, para as crianças se desenvolverem de maneira saudável, é preciso respeitar seu tempo – de descobrir, observar, experimentar. É preciso dar a elas espaço para que se conheçam, investiguem seus interesses, capacidades, emoções.
Acreditamos que o brincar é coisa séria. Que pular etapas e apressar fases do desenvolvimento da criança é encurtar o seu potencial e, com ele, sua sensibilidade e inventividade.
Defendemos que o tempo livre da criança seja valorizado e garantido. Ele é um caminho na contramão do acúmulo de informações e da construção de falsos desejos, cotidianamente induzidos pela sociedade do hiperconsumo e da informação. Incutir na criança necessidades que não são reais pode levar ao estresse, ansiedade e apatia.
Acreditamos, também, que o contato com a natureza é fundamental para a saúde física e mental da criança. Essa interação estimula o uso de todos os seus sentidos, e assim ela se apropria dos espaços, dos outros, de si mesma. Crianças que brincam regularmente com elementos naturais têm mais coordenação, equilíbrio e agilidade.
Queremos que a criança tenha vivências no mundo real, que sejam plenas, calmas e afetivamente significativas, e não meramente informativas. O impacto negativo da mídia e dos jogos eletrônicos é observado tanto no desenvolvimento físico das crianças como no emocional, social e mental. Por isso, defendemos que esse tempo seja limitado e que haja, sempre, a mediação ou o acompanhamento de um adulto.
Acreditamos que a terceirização do cuidado com as crianças é prejudicial ao seu desenvolvimento, pois a criação de vínculos afetivos fortes dá segurança para que ela tenha um desenvolvimento saudável e se prepare para enfrentar o mundo. Os pais devem assegurar tempo para estarem juntos – e focados. E não, não bastam 15 minutos.
Convidamos a todos para olhar para as necessidades das crianças no presente – hoje! – e não agir pensando apenas no futuro. Abrir mão do aqui e do agora pode trazer consequências graves para os pequenos, que marcam o restante de suas vidas.
Sonhamos com uma mudança em relação ao modo como recebemos nossas crianças no mundo. Sabemos que uma sociedade que cuida bem de suas crianças se humaniza."

Visite o site : www.slowkids.com.br


Para Renata Meirelles, nossa ex-aluna, “brincar é a principal e mais importante atividade da infância. É por meio dela que os pequenos investigam o mundo em que vivem e se preparam para amadurecer. Com seus bonecos, carros, comidinhas e fantasias, meninos e meninas descobrem novas emoções e experimentam sensações. Amam, odeiam, sofrem, alegram-se e, assim, fazem um treino complexo e rico para a vida adulta. “Fui uma criança que brincou muito e, mesmo depois de crescer, continuei apaixonada pelo tema”, afirma a pesquisadora Renata Meirelles, que sempre aproveitou viagens com amigos para observar rodas de crianças dos lugares que visitava. Em 2000, ela conheceu o americano David Reeks, que estava de férias no Brasil e cultivava o hábito de gravar os sons do país – a feira, o trânsito, as conversas de bar. Começaram a namorar, e ela fez a ele uma proposta: “Vamos para a Amazônia registrar as brincadeiras de crianças em vídeo?” Juntos, os dois visitaram 16 comunidades indígenas e ribeirinhas do Amapá, Pará, Amazonas, Acre e de Roraima para realizar o projeto que batizaram de Bira – Brincadeiras Infantis da Região Amazônica. O material das viagens resultou em documentários de curta metragem, apresentações, oficinas e palestras para escolas e no livro Giramundo, vencedor do Prêmio Jabuti.

Em 2012, já mãe de dois meninos (Sebastião e Constantin, então com 5 e 3 anos, respectivamente), Renata fez uma nova proposta a David: viajar pelo Brasil para registrar brincadeiras em diversos tipos de cultura. Proposta aceita, a família passou dois anos na estrada para realizar o projeto Território do Brincar. Durante as viagens, ela promoveu intercâmbios com educadores de escolas a quem, por Skype, contava e mostrava o que tinha visto. Depois, discutiam temas como trabalho infantil. As pesquisas do casal também renderam uma exposição itinerante que percorre escolas, festivais e praças Brasil afora e o documentário Território do Brincar, que estreou nos cinemas no mês passado. Agora, ela tem em fase de produção uma série infantil para televisão e outro livro. No próximo ano, Renata quer levar a família para uma nova jornada em busca de brincadeiras. Desta vez, pelo mundo.”  Revista Cláudia

Assista ao filme e acesse o site: www.territoriodobrincar.com.br


Adriana Klisys, pesquisadora, trabalha com projetos de resgate dos jogos e brincadeiras e faz a formação de professores para garantir um olhar especial sobre a hora de brincar na escola. Já esteve aqui conosco, atuando na formação de professores, fazendo oficina de jogos africanos e nos ensinando a criar e a montar jogos de tabuleiro com as crianças.
Adriana é diretora da Caleidoscópio Brincadeira e Arte  www.caleido.com.br


Aqui na nossa escola, sabemos da importância do brincar e garantimos os momentos de brincadeira em diferentes espaços e contextos. As brincadeiras tradicionais fazem parte do dia a dia da Educação Infantil. Na nossa coletânea de jogos e cantigas tradicionais, registramos este acervo maravilhoso, que vamos passando a cada nova geração.

             
 
 
 

E você, quer brincar?

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Decorar ou entender a tabuada?

Por Rosana Nunes

Os educadores das escolas de alguns anos atrás não colocavam em dúvida a necessidade da mecanização da tabuada, isto é, era ponto de honra saber a tabuada “na ponta da língua”. 

Porém, com a introdução dos conceitos da chamada Matemática Moderna, aconteceram muitas tentativas de mudanças e, principalmente, a busca por uma aprendizagem fundamentada na compreensão dos conceitos e processos matemáticos. Atrelado a isso, vieram muitas criticas com relação ao ensino tradicional e a obrigatoriedade de decorar a tabuada. O olhar era o de criar condições para que o aluno compreendesse o conceito da multiplicação para chegar ao resultado.

Ainda hoje essa discussão está presente, porém, há um consenso geral entre os educadores com relação à mecanização pura e simples no aprendizado da tabuada. Todos nós sabemos que a compreensão é fundamental, que não adianta recitar “quatro vezes seis, vinte quatro”, sem que tenha entendido o significado do que se está dizendo. Em todas as operações, a noção de número e o sistema de numeração decimal precisam ser construídos e compreendidos de preferência em situações-problema.

Para que os alunos saibam o significado de multiplicar, é preciso que tenham clareza quanto as ideias envolvidas na multiplicação e nas estratégias de cálculo. Dessa forma, saber que 4 x 6 = 6 + 6 + 6 + 6 é tão importante quanto compreender que  24 = 12 + 12 ou 6 + 6 + 6 + 6 .

A partir do 3º ano, os alunos começam a compreender que a tabuada é um tipo especial de tabela usada para representar as operações e passam a fazer uso da Tábua de Pitágoras para perceberem regularidades como: se eu sei que 3 x 6 = 18, também sei que 6 x 3 = 18. Com isso, quem não conhece o resultado da primeira operação, mas, desmembrando sabe o da segunda, consegue resolver a questão. Apoiado nessa propriedade, basta memorizar a metade dos produtos da tabela para saber o restante dela. Veja:


Construir diferentes recursos de cálculo aproveitando o que já se conhece é uma das estratégias usadas. Outra forma é utilizar as dicas dos colegas e os registros coletivos que são realizados durante todo o ensino fundamental I. Não basta apenas escrever as tabuadas, mas coletar e registrar as informações que aprenderam, fazer comparações entre duas tabuadas, transitar pelos diferentes recursos de jogos eletrônicos e manuais. 
Os alunos, a todo tempo, são convidados a passar por uma experiência de investigação e de organização de informações sobre tabuadas.


O uso dos jogos, problemas e atividades que envolvem regularidades são as melhores e mais desafiadoras formas de levar os alunos a perceberem como e por que memorizar as tabuadas. 

À medida em que as operações vão se tornando mais complexas, há uma necessidade de agilizar os cálculos e, consequentemente, de memorizar a tabuada. Isso significa que a ação de decorar resultados está mais para etapa final, ou seja, quando o aluno já sistematizou o que aprendeu, diferentemente do que acontecia no passado quando a memorização era o ponto inicial dos trabalhos. 

O trabalho aqui no colégio, até o término do Fundamental I, é o de permitir que os alunos aprendam e, ao final, memorizem as tabuadas com autonomia e em seu próprio ritmo!

Dica de sites para complementar os estudos:








https://www.matific.com/us/en-us ( baixar o aplicativo)

quarta-feira, 24 de junho de 2015

A biblioteca como um espaço de aprendizado e lazer

Por Beth Zemuner - Bibliotecária

Entende-se que a biblioteca não é um local inerte ou neutro. É, sim, um lugar para onde convergem informações sobre o mundo, fragmentos do saber e da realidade, além de ficção e obras verossímeis. Em outras palavras, pode apresentar-se em duas vertentes: segundo Brettas (2010), ela tem a função e a possibilidade de influenciar uma coletividade quanto à sua identidade e ideologia, e a de estimular a leitura quanto à produção de novos conhecimentos, bem como quanto à fruição do lazer.


A Biblioteca Patrícia Helena Mendes de Almeida (nome de nossa fundadora, apaixonada por livros) visa atender às necessidades informacionais de nossos alunos, equipe pedagógica e pais de alunos do Colégio Hugo Sarmento. Possui um acervo de mais de 11.000 títulos, 70 DVDs e 250 CDs, que compreende todas as áreas do saber, com um enfoque maior para a literatura infanto-juvenil e a arte. Temos também livros em inglês e espanhol para todas as idades. 

 

A escolha do acervo é criteriosa. Durante o ano incorporamos diversos livros novos ao nosso acervo, com destaque para os que fazem parte dos projetos (como o Projeto África, Grécia, Aves, Cultura Indígena, Nutrição, China, entre outros), além de livros para leitura em sala de aula, novidades do mercado editorial e uma parte reservada especialmente para orientação aos pais, que disponibilizamos nas nossas Rodas de Biblioteca de Pais, para auxiliá-los na tão desafiadora e gostosa tarefa de educar. 


Configura-se a biblioteca, pois, como um espaço sociocultural que dispõe de produtos e serviços informacionais e culturais, possuindo em seu acervo uma ampla gama de assuntos. Assim, ela aparece como uma instituição fundamental para cumprir tal objetivo. 

 

A biblioteca realiza, ainda, alguns eventos, como a Livromania, encontro com autores e ilustradores que ocorre a cada 2 anos e neste ano, pela primeira vez, a Troca de Livros, na qual propusemos aos alunos, desde a Educação Infantil até o Ensino Médio, trazer até três livros para trocar por outros (de igual interesse), incentivando-os a mergulhar nesse mar de sensações boas que é separar um livro especial para que outra pessoa possa desfrutar da história por ele lida anteriormente. 

TROCA DE LIVROS

CHUVA DE POESIAS

CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS

Promove, ainda, a visita de Editoras, com seus promotores especializados em educação para oferecer suporte aos professores para a escolha dos livros para os alunos.

A biblioteca ainda oferece um ambiente aconchegante para estudos e, nos intervalos das aulas, atividades lúdicas voltadas para o desenvolvimento cognitivo das crianças, como interação com jogos de tabuleiro ou de cartas.


Procuramos ouvir o que os alunos nos pedem – se para os adultos o apoio é a função mestra, na biblioteca infanto-juvenil o objetivo maior deve ser o acolhimento e o estímulo à leitura e à busca de conhecimento. É isso que nós do Colégio Hugo Sarmento buscamos, identificar e tornar acessível esse conhecimento.

A BIBLIOTECA NAS FÉRIAS

Em julho, nossa biblioteca estará aberta para o empréstimo de livros para  crianças e adultos. 

Reserve o seu e divirta-se!


BIBLIOGRAFIA

BRETTAS, Aline Pinheiro. A biblioteca pública: um papel determinado e determinante na sociedade. Biblos: Revista do Instituto de Ciências Humanas e da Informação, Belo Horizonte, v. 24, n. 2, p. 101-118, jul./dez. 2010. Disponível em: <http://www.seer.furg.br/biblos/article/view/1153/1030>. Acesso em: 24 nov. 2014.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Ler notícias no 3° ano

Por Débora Rabello

Apesar da pouca familiaridade com a esfera jornalística, as crianças têm acesso a jornais televisivos e sabem que a função principal das notícias é a de informar a respeito do que está acontecendo no mundo em que vivemos.

Criar o hábito da leitura de jornais em sala de aula amplia o vocabulário e a compreensão de textos. Aqui no colégio, usamos o jornal também como ferramenta de pesquisa e investigação sobre os fatos cotidianos.

Segundo Ana Teberosky, “Existem duas maneiras de conhecer o que existe à nossa volta: por meio de experiência vivida ou por meio da experiência referida. A notícia faz parte do gênero de tipo informativo derivado, por especialização, do gênero mais amplo da narração histórica. O gênero informativo e o critério verídico dos fatos referidos caracterizam a notícia jornalística.”

Para conhecer melhor esse tipo de texto, os alunos do 3°ano iniciaram a “Roda semanal de Notícias” , ampliando assim sua visão de mundo, pensando sobre as informações e discutindo pontos de vista .


Inicialmente fomos dando oportunidade aos alunos de manusearem o jornal por inteiro – buscaram os cadernos que mais os interessaram, vendo fotos e lendo títulos, subtítulos e o início de cada reportagem, para saber se valeria seguir até o final. 

Depois de o manusearem, perguntamos às crianças: O que poderíamos encontrar no jornal? Prontamente responderam:

– O que aconteceu no dia.

– Informações sobre a cidade.

– A previsão do tempo.

– Às vezes os cientistas olham os jornais para saberem o que está acontecendo.

Após nossa conversa, partimos para o principal objetivo: trabalharmos o conceito do lide (abertura da notícia), que transita pelas seguintes perguntas: 

Quem?

O quê?

Quando?

Onde?

Como

Por quê?

 

Este gênero textual está presente nas diversas situações que permeiam nosso cotidiano em revistas e jornais, impressos ou virtuais e, por isso, aproveitamos o Projeto Água como tema de investigação e debate. Montamos um painel de notícias para compartilhar com todos da escola.

A primeira notícia que lemos foi sobre a dessalinização da água (Revista Veja: A solução que veio do mar – 20/05/2015). Nosso objetivo foi despertar nos alunos a curiosidade pela palavra dessalinização, o que de fato ocorreu e, assim, conversarmos sobre a estrutura da notícia ganharia um outro significado.

Conversamos bastante sobre esta palavra, criaram hipóteses sobre o seu significado e, por fim, procuraram no dicionário para conferir. Em seguida lemos o lide e perguntei se queriam que continuasse a leitura e a resposta foi: “Simmmmm!!!” 

Ouviram atentamente toda a notícia e discutimos sobre as descobertas. A partir daí, a cada semana uma dupla de alunos traz uma notícia sobre o assunto da água para discutirmos e aprofundarmos os seus aspectos explícitos e implícitos.

Uma das notícias que chamou mais a nossa atenção foi sobre a estiagem no sistema Cantareira. As perguntas (após a leitura do lide) foram:

O que é estiagem?

Mas, se está chovendo por aqui, por que não chove lá onde precisa

Qual é o tamanho do Cantareira?

– O que é manancial?

Nem todas as respostas estavam ali e, após a leitura do restante da reportagem, fomos em busca de mais informações em textos informativos científicos, estimulando a curiosidade e completando os conhecimentos.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Sobre escolas e palavrões

Por Pedro Mancini


Dentro da turbulenta rotina escolar, o “palavrão” é um dos grandes fantasmas que assustam pais e educadores, causando grande constrangimento nos lugares em que se manifesta. Usados tanto para extravasar as tensões como para agredir colegas, os palavrões são ditos não apenas pelos mais velhos, como por crianças bem pequenas que, percorrendo diferentes círculos de sociabilidade, estão especialmente sujeitas às mais variadas influências durante o processo de formação da linguagem. 

Muitas dessas crianças estão apenas experimentando palavras recém-descobertas, sem entender o seu significado imediato; essas novas palavras são ditas de forma acrítica e fora de contexto, muitas vezes resultando em um “erro de comunicação” pelo uso incorreto dos termos usados. A criança, desconhecendo o significado real do “palavrão”, utiliza-o sem conhecer os reais impactos da palavra frente ao outro, ou seja, sem imaginar o quanto ele é capaz de machucar ou indignar aqueles com quem ela interage. Nesses casos, educadores e pais detém o papel de informar os significados dessas palavras, incluindo, aí, seu potencial ofensivo, de modo que a criança desenvolva suas habilidades linguísticas e escolha melhor as palavras a usar nas conversas em que se engajar.

A utilização do palavrão, entretanto, nem sempre é inocente da forma acima apontada. Especialmente entre os adolescentes, seu uso é corrente e consciente, mais próximo do uso dado pelos adultos na sociabilidade com seus pares. As pessoas utilizam o palavrão para demonstrar frustração, raiva, revolta ou até emoções positivas, como a alegria de conquistar uma boa nota de modo inteiramente imprevisto; embora controverso, o palavrão cumpre, desse modo, a importante missão de expressar fortes emoções represadas, que acabam por “escapar” de forma explosiva. De certo modo, pode ser um sinal claro de que a pessoa está “viva”, no sentido mais pleno do termo, mesmo em situações sociais totalmente inapropriadas.

Muitas vezes, assim, vemos que o “mau uso” do palavrão não está na incompreensão de seu significado, mas na falta de reconhecimento dos momentos cabíveis para sua utilização. Como modo informal de comunicação e de expressão de sentimentos, ele é utilizado entre amigos em ambientes e momentos de descontração: em casa, em festas, na rua, entre outros. Já em um ambiente profissional, um funcionário pode encontrar sérios problemas ao utilizá-lo na frente de seus colegas e superiores. O palavrão, por mais que possa ser individualmente libertador, é inapropriado a uma série de situações sociais – e seu uso desenfreado pode resultar em graves prejuízos para as relações estabelecidas pelo indivíduo. 

Voltando ao campo da educação, para uma escola acolhedora e voltada a ideais mais democráticos – menos focada, portanto, na “obediência acrítica” de seus alunos –, a questão do palavrão torna-se ainda mais complexa. É possível incentivar a expressão pessoal reprimindo totalmente essa espécie de manifestação linguística? Como escapar do simples “moralismo” da proibição do palavrão “porque é feio”, sem cair no erro de fazer vista grossa a desconfortos causados pelo seu uso impensado? Acima de tudo, cabe à escola preparar a criança para viver em sociedade, aceitando o convívio com o diferente e o contraditório, e essa consideração deve nortear qualquer postura da instituição frente à tolerância aos palavrões no cotidiano, evitando-se os extremos do autoritarismo moralista e da liberalização irrestrita – e, portanto, irresponsável.

Para cumprir nossa missão, precisamos desenvolver a habilidade de comunicação e de empatia dos educandos, garantindo que aprendam a ouvir e a serem ouvidos sem recorrerem à violência física ou verbal para resolver suas disputas diárias. O palavrão, quando utilizado para atacar o próximo (e não apenas ele, já que há inúmeras formas de ofender sem utilizar palavras vulgares), encerra a possibilidade de compreensão mútua e de resolução racional e moderada de conflitos. Nesse sentido, é importante que a criança aprenda a resolver disputas sem recorrer a estratégias para minimizar e ridicularizar o outro, operacionalizadas, muitas vezes, pela apropriação do palavreado vulgar. A utilização de palavrões nessas ocasiões, diferentemente do palavrão como “desabafo emocional” não-agressivo, deve ser combatida com vigor em todos os ambientes, dado que dificulta a plena convivência pacífica e democrática – aprendizado que se faz urgente em dias tão turbulentos como os atuais. 

Além disso, é preciso preparar o jovem para perceber as regras sociais que operam nos diferentes ambientes em que irá frequentar – para cada um desses espaços, há normas de convivência específicas, tanto explícitas quanto implícitas. Desse modo, há horas e lugares determinados para o uso de palavrões e de outras formas expressivas – como na sociabilidade entre amigos, conforme já citamos. É possível (e, às vezes, até desejável) contestar tais regras de convívio social, mas o indivíduo deve estar ciente dos riscos que assume ao fazê-lo. 

O uso do palavrão, em momentos de maior seriedade e formalidade, por exemplo, pode resultar em situações bem embaraçosas, além de gerar conflitos desnecessários. Em um debate com fins construtivos, um vocabulário desse tipo pode desestabilizar a discussão, inviabilizando um consenso racional a respeito da questão em pauta. Quando usado no diálogo com o professor, pode transmitir descaso com o profissional e seu papel, possibilitando atritos na relação educador-educando que resultam em prejuízos indiretos para o aprendizado.  Enfim, o mesmo palavrão que pode aproximar, real ou ficticiamente, amigos e colegas ao facilitar a expressão de seus sentimentos em momentos de descontração, pode, fora de contexto, prejudicar ou romper relações caras para nossos jovens.

Compete à escola colocar esses pontos em pauta, problematizando-os com os alunos no dia a dia, ao invés de deixar-se assustar pelo fantasma da vulgaridade. Os palavrões devem ser encarados de frente, mas sem moralismos superficiais, para que possamos fomentar as mais plenas formas de convivência democrática entre nossos garotos, preservando relações respeitosas e construtivas.